Carlos Baigorri avalia legado na Anatel e aponta frustração regulatória

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Foto: Ana Paula Lobo Mande um e-mail

Durante sua última participação no evento Futurecom na condição de presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Carlos Baigorri fez um balanço de sua gestão à frente do órgão regulador. Com o término de seu mandato programado para o dia 4 de novembro, o executivo concedeu uma entrevista exclusiva à CDTV, na qual detalhou as principais conquistas de sua administração, bem como os desafios que permaneceram sem solução ao longo dos últimos anos.

Ao ser questionado sobre o legado que deixará para o setor de telecomunicações no Brasil, Baigorri destacou marcos considerados fundamentais para a infraestrutura tecnológica do país. Entre os principais êxitos, ele apontou a bem-sucedida implementação da tecnologia 5G, um processo que ganhou reconhecimento tanto no cenário nacional quanto internacional pela rapidez e eficiência na distribuição das faixas e expansão da cobertura.

Outro ponto de destaque mencionado pelo presidente da autarquia foi a solução dada a impasses históricos que vinham se arrastando por mais de uma década no setor. Segundo o executivo, um dos maiores desafios superados foi a reestruturação das regras das concessões de telefonia fixa, um tema complexo que travava o desenvolvimento regulatório. Além disso, ele enfatizou a condução do processo de recuperação judicial e a posterior crise financeira da operadora Oi, cuja resolução ocorreu sem causar danos sistêmicos ou prejuízos generalizados aos serviços prestados aos consumidores.

Os desafios e frustrações no ecossistema digital

Apesar dos avanços estruturais na telefonia e na conectividade móvel, Baigorri reconheceu que nem todas as metas planejadas foram alcançadas. O principal lamento do presidente ao encerrar seu ciclo na agência refere-se à incapacidade de reposicionar institucionalmente a Anatel diante das novas demandas trazidas pelo ecossistema digital moderno, uma vez que o marco regulatório não acompanhou a velocidade das transformações tecnológicas.

O dirigente explicou que o setor de telecomunicações registrou progressos expressivos, mas o objetivo de ressignificar a atuação do Estado para além das telecomunicações tradicionais esbarrou em limitações estruturais e na falta de novos avanços regulatórios. Embora a agência tenha atuado em frentes pontuais — como o apoio a campanhas de combate à desinformação em parceria com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a execução de ordens para o bloqueio de plataformas de apostas online irregulares, conhecidas como bets —, ele avalia que o escopo de atuação deveria ter sido mais abrangente.

No que diz respeito especificamente ao bloqueio de sites de apostas, Baigorri reiterou sua visão de que a medida funciona, em certa medida, como uma tentativa de conter um problema massivo com recursos limitados, comparando a ação a “enxugar gelo”. Contudo, garantiu que a agência continuará cumprindo seu papel e efetuando os bloqueios determinados pelos órgãos competentes enquanto houver demanda por apostas no país.

Sobre a questão do tráfego gratuito de dados, conhecido como *zero rating*, voltado para conteúdos eleitorais na telefonia móvel, o presidente da Anatel informou que ainda aguarda a consolidação dos relatórios técnicos para avaliar se houve instabilidades ou falhas nas redes das operadoras. Mesmo sem os dados definitivos, ele reiterou que os riscos associados a essa prática continuam no radar da instituição, servindo de preparação para a atuação da agência reguladora em eventuais etapas futuras dos processos eleitorais.

Próximos passos na carreira e mensagem à equipe

Com o encerramento de suas funções na liderança da agência brasileira, o futuro profissional de Carlos Baigorri seguirá para o cenário internacional. O executivo confirmou que concorrerá ao cargo de secretário-geral adjunto da União Internacional das Telecomunicações (UIT), um pleito de grande relevância global cujo resultado será definido em eleição marcada para o dia 11 de novembro. Ao comentar sobre a candidatura, ele destacou a importância da representatividade brasileira na entidade: “É um orgulho danado”, declarou.

Antes de deixar o cargo no início de novembro, Baigorri deixou uma mensagem direcionada aos servidores e diretores que continuam na condução da autarquia federal, recomendando que aproveitem a intensidade da experiência. Segundo ele, embora a passagem pela gestão pública seja marcada por grandes responsabilidades e alta exigência, o período é dinâmico e altamente gratificante para quem atua no desenvolvimento tecnológico do país.

Assista a íntegra da entrevista com Carlos Baigorri, da Anatel.

Fonte:: convergenciadigital.com.br

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