Desafios da criptografia pós-quântica mobilizam setor financeiro

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Foto: Fabio Barros Mande um e-mail

Tech Bank Forum 2026

A chegada iminente da computação quântica impõe uma corrida contra o tempo para o setor financeiro e para os gestores de infraestruturas críticas no Brasil. Especialistas reunidos em Brasília durante o 4º Tech Bank Forum alertaram que a transição para novos modelos de segurança cibernética precisa acontecer antes que as máquinas quânticas alcancem maturidade suficiente para quebrar os sistemas criptográficos tradicionais. O debate apontou o período entre 2029 e 2030 como uma janela temporal crítica em que essa tecnologia poderá viabilizar ataques em larga escala.

Durante o painel voltado ao ecossistema de segurança e à computação quântica, representantes de instituições como Banrisul, Banco do Brasil, Serpro e Huawei Brasil convergiram na avaliação de que o problema vai muito além do desenvolvimento de novos hardwares. O cerne da questão reside na vulnerabilidade de sistemas legados, muitos dos quais baseados em tecnologias concebidas nas décadas de 1970 e 1980.

A formulação matemática que comprova a fragilidade de algoritmos clássicos diante de processadores quânticos potentes surgiu ainda em 1994. Contudo, a ausência de capacidade computacional prática manteve a teoria inofensiva por décadas. Com o avanço atual das pesquisas, essa barreira física começa a desabar, tornando urgente a adoção da chamada criptografia pós-quântica.

A urgência do inventário e da agilidade tecnológica

Especialistas ressaltam que substituir a infraestrutura de segurança de uma grande corporação é um processo complexo que demanda tempo, planejamento e testes exaustivos. Deixar a migração para o momento em que os computadores quânticos já estiverem operacionais representa um risco operacional severo para a estabilidade econômica e digital do país.

O primeiro passo prático recomendado às organizações consiste em realizar um inventário rigoroso de seus ativos tecnológicos. Saber exatamente onde os certificados digitais, chaves e algoritmos estão aplicados permite mapear os pontos vulneráveis. Sem essa visibilidade prévia, torna-se inviável promover a chamada agilidade criptográfica, que é a capacidade de atualizar todo um parque tecnológico em curto espaço de tempo diante de novas ameaças.

Algumas companhias estatais e órgãos públicos já iniciaram essa jornada de testes. No Serpro, iniciativas experimentais com algoritmos pós-quânticos já operam em ambiente de produção, servindo como laboratório para avaliar a robustez das novas defesas e o comportamento dos fornecedores perante o novo padrão tecnológico global.

Segurança além da física quântica e a questão da soberania

Apesar da atenção voltada para o futuro quântico, especialistas lembram que as fragilidades humanas e operacionais continuam a representar a fatia mais expressiva dos incidentes diários. Dados apresentados no fórum indicam que uma parcela considerável das brechas de segurança decorre de falhas internas e operacionais, problemas que independem do surgimento de novas tecnologias de criptografia.

No âmbito geopolítico, o debate ganhou contornos de soberania tecnológica. A dependência do Brasil em relação a padrões e infraestruturas estrangeiras, especialmente diante do avanço acelerado de potências asiáticas no setor quântico, motivou alertas sobre a necessidade de fomentar o desenvolvimento de plataformas criptográficas nacionais e independentes.

Por fim, o cenário de transformação digital acelerada esbarra em um paradoxo educacional e profissional. A proliferação de ferramentas automatizadas e de inteligência artificial facilita a criação de sistemas complexos, mas reduz a profundidade do entendimento humano sobre o funcionamento interno dessas tecnologias. Manter equipes capacitadas e habilitadas a lidar tanto com arquiteturas legadas quanto com inovações avançadas permanece como um dos pilares fundamentais para garantir a resiliência das instituições nos próximos anos.

Fonte:: convergenciadigital.com.br

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