A Caixa Cultural de São Paulo abriu as portas de uma imersão dedicada a celebrar os 90 anos de vida do cantor e compositor baiano Tom Zé. A mostra sensorial e interativa foi desenvolvida para conduzir o público por uma viagem através das principais referências, invenções e momentos marcantes da trajetória do artista, que completa nove décadas de história.
Durante a visita inaugural realizada na capital paulista, o próprio homenageado demonstrou grande entusiasmo com a iniciativa. Emocionado com os detalhes preparados pela equipe organizadora, o músico brincou sobre a sensação de revisitar sua própria história e expressou gratidão pelo esforço coletivo dedicado ao projeto cultural.
Uma jornada pelo universo criativo do compositor
Batizada de Tom Zé – 90 Anos do Inquieto Jardineiro de Sons, a exposição reúne um acervo diversificado de músicas, lembranças e elementos visuais que contam a história do artista nascido na cidade baiana de Irará. A proposta vai além de uma simples contemplação visual, transformando-se em uma experiência imersiva por diferentes fases da carreira do cantor.
De acordo com a curadoria do projeto, o percurso foi estruturado em ambientes específicos que recriam cenários significativos. Entre os espaços destacados estão uma representação da residência do músico, setores que relembram a consagração no Festival de Música Popular Brasileira em 1968 com a canção vencedora São Paulo, Meu Amor, além de áreas interativas com registros de apresentações históricas e um quiz sobre a vida do compositor.
Um dos pontos altos da experiência para os visitantes é a oportunidade de interagir diretamente com uma réplica do buzinório, instrumento musical concebido pelo próprio Tom Zé a partir da busca por sonoridades alternativas e inovadoras na música popular.
Memórias compartilhadas por antigos parceiros
O evento inaugural contou com a presença de figuras importantes que acompanharam de perto a jornada artística do cantor. Entre eles estava o instrumentalista Jarbas Mariz, músico que integrou a banda de Tom Zé por mais de três décadas e relembrou o início da parceria profissional consolidada em 1988.
Segundo o instrumentista, a convivência de 32 anos foi marcada por aprendizados constantes sobre disciplina, rigor estético na música popular e o aproveitamento criativo de materiais inusitados para a fabricação de instrumentos. A relação profissional, iniciada com um convite descontraído para um projeto de curto prazo, transformou-se em uma longa amizade e colaboração na criação de arranjos.
Legado do tropicalismo e planos para o futuro
Reconhecido internacionalmente como um dos nomes centrais do movimento tropicalista — vanguarda artística que marcou a cultura brasileira com forte contestação estética e política —, Tom Zé mantém uma postura ativa na música e nas artes mesmo próximo de completar 90 anos. Desde 2022, o artista também ocupa uma cadeira na Academia Paulista de Letras.
Mantendo uma rotina diária de cuidados com a saúde física e mental, o compositor faz questão de demonstrar que sua produção criativa continua em pleno vapor. Para a equipe curatorial da mostra, a capacidade de dialogar com diferentes gerações, dos dez aos cem anos, consolida o músico como uma fonte permanente de inspiração artística.
A exposição gratuita permanece aberta à visitação pública até o dia 13 de dezembro na Caixa Cultural São Paulo, situada na região central da capital. Detalhes operacionais e programações complementares podem ser consultados diretamente no site oficial da instituição.
Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br


