O mercado financeiro internacional testemunhou um marco histórico com a entrada da CXMT na Bolsa de Xangai, consolidando a companhia como a nova empresa de capital aberto mais valiosa da China. Durante a sessão de estreia realizada na última segunda-feira, os papéis da fabricante de semicondutores registraram uma impressionante valorização de 466%, impulsionados por uma demanda sem precedentes por parte dos investidores.
Com esse desempenho expressivo, a companhia sediada na cidade de Hefei encerrou o pregão avaliada em 3,28 trilhões de yuans, montante equivalente a aproximadamente R$ 2,49 trilhões ou US$ 485 bilhões. Para viabilizar sua oferta pública inicial (IPO), a empresa havia fixado o preço por ação em 8,66 yuans (R$ 6,57). No entanto, com a abertura dos negócios, as cotações saltaram imediatamente para 49,50 yuans (R$ 37,57), alcançando o pico de 55,03 yuans (R$ 41,76) ao longo do dia, o que permitiu à corporação captar 57,92 bilhões de yuans, ou cerca de R$ 43,96 bilhões.

Especialistas apontam que o montante total captado poderá alcançar até US$ 9,8 bilhões (R$ 50,32 bilhões) caso os mecanismos de lote suplementar sejam integralmente exercidos. Trata-se da maior operação de abertura de capital realizada na Ásia ao longo do ano e a segunda maior da história do mercado financeiro chinês, ficando atrás apenas do megaprojeto de listagem do Agricultural Bank of China, ocorrido em 2010.
O volume de negociações diárias superou a marca de 140 bilhões de yuans, um patamar inédito para o mercado de ações da China continental, onde nenhuma companhia havia ultrapassado a barreira dos 100 bilhões de yuans em um único pregão. Sozinha, a CXMT foi responsável por quase 7% de toda a movimentação financeira registrada no mercado interno do país, ficando atrás em termos de capitalização na região apenas da gigante Tencent, listada em Hong Kong.
Demanda extrema e cautela regulatória

A disparada vertiginosa no primeiro dia de negociação refletiu, em grande parte, a escassez de ativos disponíveis. Apenas cerca de 7% das ações totais da CXMT foram liberadas para negociação imediata, criando um cenário de oferta restrita diante de um apetite voraz por parte do mercado. Dados oficiais indicam que investidores individuais enviaram cerca de 9,4 milhões de ordens de compra, totalizando impressionantes 7,07 trilhões de yuans (R$ 5,37 trilhões), um volume aproximadamente dez vezes superior ao registrado na histórica abertura de capital da SpaceX.
Diante da magnitude do apetite especulativo, autoridades reguladoras de Pequim adotaram medidas preventivas. Representantes do setor financeiro realizaram reuniões com empresas listadas, corretoras e gestores de fundos no mesmo mês, motivados pelo temor de que a listagem de grande porte pudesse drenar liquidez de outras companhias de tecnologia do país. Apesar da apreensão inicial, o impacto sistêmico foi controlado, e o índice principal Shanghai Composite fechou o dia com alta de 1,2%.
O papel estratégico dos semicondutores na inteligência artificial

No atual cenário geopolítico e tecnológico, os componentes essenciais para o funcionamento de sistemas de Inteligência Artificial tornaram-se o ativo estratégico mais valioso do cenário global. A CXMT atua diretamente nesse setor ao produzir memórias DRAM, componentes vitais de armazenamento de trabalho utilizados tanto em dispositivos móveis e computadores pessoais quanto em servidores dedicados a cargas de trabalho de IA.
O mercado global de semicondutores tem enfrentado severas pressões de fornecimento em decorrência da expansão acelerada da infraestrutura voltada para a inteligência artificial, resultando em gargalos de abastecimento que já impactam o consumidor final. Nesse contexto, a ascensão da CXMT representa a consolidação da alternativa tecnológica nacional que Pequim vinha buscando para reduzir a dependência externa.
Em 2025, a participação da empresa no mercado global de DRAM alcançou 7,67%. Embora o percentual ainda esteja distante dos patamares detidos pelos conglomerados tradicionais — Samsung, SK Hynix e Micron, que juntos controlam cerca de 90% da oferta mundial —, a curva de expansão financeira da companhia chinesa demonstra forte aceleração.
O balanço financeiro mais recente revelou que o lucro operacional do primeiro trimestre atingiu 35,43 bilhões de yuans (R$ 26,89 bilhões), revertendo por completo o prejuízo de 2,83 bilhões de yuans (R$ 2,15 bilhões) reportado no mesmo período do ano anterior. Como sinal do avanço tecnológico e comercial da fabricante, a Apple já iniciou o processo de homologação e testes com os chips produzidos pela empresa para aplicação em equipamentos comercializados no mercado chinês.
Fonte:: adrenaline.com.br




