Imposto Seletivo não pode desprezar efeitos do mercado ilegal

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Foto: Messod Azulay Neto

A proposta do Imposto Seletivo, à primeira vista, apresenta uma lógica clara. Ao elevar a tributação sobre certos produtos, o objetivo é aumentar seus preços, diminuir o consumo e, consequentemente, reduzir os danos relacionados ao uso desses bens. Essa premissa é a base para a imposição de tributos sobre itens como cigarros, bebidas alcoólicas, bebidas açucaradas e outros produtos considerados nocivos à saúde ou ao meio ambiente.

No entanto, para que essa estratégia fiscal alcance o resultado esperados, não se pode ignorar a presença do mercado ilegal. O aumento dos tributos pode, paradoxalmente, incentivar o consumo de produtos não regulamentados e de origem ilícita, comprometendo os objetivos inicialmente propostos pelo Imposto Seletivo. A questão aqui não é apenas sobre arrecadação, mas também sobre saúde pública e segurança.

Por exemplo, o preço mais elevado de cigarros legais pode fazer com que muitos consumidores procurem alternativas mais baratas, como cigarro contrabandeado, que, além de não contribuir tributariamente, pode ser de qualidade inferior e ainda mais nocivo à saúde. Isso também se aplica a bebidas e outros produtos. A promoção do mercado legal depende, portanto, de uma análise cuidadosa das dinâmicas de oferta e demanda, bem como da vigilância efetiva contra a ilegalidade.

Além disso, é essencial que a política fiscal adotada não apenas vise a arrecadação, mas também promova campanhas de conscientização e programas de prevenção aos danos associados ao consumo desses produtos. O sucesso do Imposto Seletivo depende de um equilíbrio entre a regulação do mercado e esforços para desestimular o consumo de produtos prejudiciais.

É evidente que a discussão sobre o Imposto Seletivo requer uma abordagem mais abrangente e integrada, levando em consideração não apenas os efeitos econômicos, mas também as repercussões sociais e de saúde. Assim, políticas públicas eficazes podem se tornar não apenas um instrumento de arrecadação, mas também um aliado na luta contra o consumo nocivo e seus impactos negativos.

O debate sobre o Imposto Seletivo é, portanto, uma oportunidade para refletirmos sobre as melhores práticas de regulamentação e as consequências do mercado ilegal, buscando soluções que beneficiem a sociedade como um todo.

Fonte:: conjur.com.br

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