Inovação na medicina do Paraná traz marco histórico para transplantes renais no Sul do Brasil

Redação Rádio Plug
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Hospital Marcelino Champgnat (Foto: Franklin de...

O Hospital São Marcelino Champagnat, localizado em Curitiba, entrou para a história da medicina regional ao concretizar o primeiro transplante renal assistido por cirurgia robótica da região Sul do país. O procedimento pioneiro utilizou o órgão de um doador falecido, colocando a instituição entre os centros de referência nacional no emprego de tecnologias avançadas para intervenções de alta complexidade.

A paciente beneficiada foi uma dentista de 36 anos, tornando-se a primeira pessoa na região Sul a passar por essa modalidade cirúrgica com o auxílio de robótica. A operação teve duração aproximada de três horas, marcando uma nova fase nos tratamentos de insuficiência renal avançada no Brasil.

A jornada até o transplante

A trajetória da paciente até o dia da cirurgia exigiu resiliência. Em março de 2024, ela buscou atendimento hospitalar apresentando quadros severos de inchaço e dores de cabeça intensas. Após 21 dias internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), recebeu o diagnóstico de lúpus, condição autoimune que acabou comprometendo severamente a função de seus rins e a obrigou a iniciar sessões de hemodiálise.

Foram cerca de dois anos e meio de tratamento contínuo até que seu quadro clínico se estabilizasse a ponto de permitir a inclusão na fila oficial de espera. A inclusão no Sistema Nacional de Transplantes (SNT) ocorreu no dia 21 de agosto. Surpreendentemente, em apenas 48 horas, um doador compatível foi identificado, culminando na cirurgia realizada na madrugada seguinte. “Eu nem contava que seria tão rápido conseguir um rim. Ganhei na loteria”, relata a paciente sobre a rapidez na localização do órgão.

Complexidade e tecnologia de ponta

O procedimento foi liderado pelo urologista Aníbal Branco, especialista em cirurgia robótica. O médico destaca que realizar um transplante renal robótico utilizando um órgão de doador falecido apresenta um grau de complexidade técnico consideravelmente maior em comparação aos casos com doadores vivos.

Enquanto intervenções com doadores vivos permitem agendamento prévio, a modalidade com doador falecido demanda prontidão absoluta de toda a estrutura hospitalar 24 horas por dia. “É preciso ter equipe de enfermagem, cirurgia robótica, UTI e nefrologia disponíveis. Nesse caso, a cirurgia começou à meia-noite de um sábado”, pontua o especialista.

Do tempo total de cirurgia, cerca de 180 minutos, 165 foram conduzidos com o suporte da plataforma Da Vinci X. A equipe médica aproveitou uma cicatriz decorrente de uma cesárea anterior para o acesso, evitando novas incisões extensas no abdômen. O sistema robótico oferece visão tridimensional com alto grau de ampliação e instrumentos dotados de articulação, capazes de eliminar tremores e replicar com exatidão os movimentos do cirurgião, o que garante precisão milimétrica em áreas delicadas.

A principal vantagem para o paciente está relacionada ao pós-operatório. A redução drástica no tamanho da incisão, sem a necessidade de secção de músculos, diminui os índices de dor, reduz riscos de complicações na parede abdominal e acelera a recuperação. O benefício é ainda mais relevante para pacientes renais, que frequentemente apresentam maior fragilidade física devido às comorbidades da doença crônica.

Expansão e perspectivas futuras

A realização deste marco em Curitiba soma-se à trajetória consolidada da instituição no uso de plataformas robotizadas. No mesmo ano, o Hospital São Marcelino Champagnat alcançou a marca de duas mil cirurgias realizadas com o auxílio do sistema Da Vinci X.

Para o nefrologista Rafael Piné, que integra a equipe médica, o procedimento bem-sucedido abre portas para disseminar a técnica em cenários complexos. A intenção é direcionar a abordagem robótica para pacientes que apresentam comorbidades específicas, como obesidade ou histórico de múltiplos procedimentos cirúrgicos anteriores, conforme a tecnologia ganhe maior capilaridade no país.

Após seis dias de internação e uma recuperação considerada tranquila e com o mínimo de dor, a paciente recebeu alta e já retomou gradualmente suas atividades cotidianas. “O procedimento foi muito tranquilo e a recuperação muito boa, quase sem dor nenhuma. O transplante deu outro norte à minha vida, tudo melhorou do dia para a noite. A doação de órgãos é muito importante, e sou muito grata à família que permitiu que meus sonhos seguissem em frente”, comemora.

O Hospital São Marcelino Champagnat integra o Grupo Marista e é amplamente reconhecido no Paraná pela excelência em procedimentos de média e alta complexidade, mantendo certificações internacionais de qualidade assistencial pela Joint Commission International (JCI).

Fonte:: bemparana.com.br

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