Um levantamento abrangente elaborado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), em conjunto com o Ministério das Cidades, trouxe à tona a necessidade urgente de planejamento urbano estratégico e de aportes financeiros contínuos voltados ao transporte coletivo no país. O objetivo central é transformar os centros urbanos em ambientes mais eficientes, ambientalmente sustentáveis e capazes de proporcionar uma qualidade de vida superior aos cidadãos.
De acordo com os dados apresentados no relatório, o Brasil necessitará injetar mais de R$ 400 bilhões para conseguir modernizar e ampliar de maneira adequada a infraestrutura voltada à mobilidade nas principais regiões metropolitanas do território nacional. O montante é visto como indispensável para superar os gargalos históricos enfrentados pelos grandes centros populacionais.
O papel do planejamento e o exemplo da capital paranaense
Intitulado Estudo Nacional de Mobilidade Urbana (ENMU), o documento enfatiza que a realização de obras físicas, por si só, não é suficiente. É determinante que os gestores públicos unam esforços em torno de um planejamento de longo prazo, promovendo uma integração inteligente entre os sistemas de transporte e a ocupação do solo. Além disso, o relatório aponta que a boa governança e a continuidade de políticas públicas são pilares inegociáveis para o sucesso das cidades.
Nesse panorama de referência, a cidade de Curitiba ganha destaque nacional. A capital paranaense é apontada pelo levantamento como um modelo de sucesso na manutenção de estratégias consistentes, priorizando a ampliação constante de investimentos em sua infraestrutura viária e no sistema de transporte.
Pacotes de obras e modernização do transporte coletivo
Um dos fatores que colocam a cidade em evidência é a execução de programas robustos de desenvolvimento urbano. Entre as iniciativas recentes está o lançamento do PRO Curitiba, estruturado para reunir aproximadamente R$ 4,1 bilhões em investimentos voltados a intervenções estruturais com conclusão planejada até o ano de 2028. O pacote abrange desde melhorias viárias até a renovação tecnológica do transporte público.
Dentro desse escopo de transformações, sobressai o projeto conhecido como Novo Inter 2. A iniciativa é avaliada por especialistas como o maior programa voltado à modernização do transporte coletivo da capital nas últimas décadas. O escopo da obra engloba a requalificação completa de vias estratégicas, a implantação de novos corredores exclusivos para os ônibus, a construção de ciclovias, a adequação de calçadas para garantir acessibilidade plena e reformas significativas em estações de integração. A estimativa é de que cerca de 181 mil passageiros sejam beneficiados diariamente.
Impactos socioeconômicos e ambientais da eletromobilidade
Outro eixo fundamental destacado no estudo é a execução do Novo BRT Leste-Oeste. A obra estratégica tem como metas principais encurtar o tempo de viagem dos usuários que realizam o trajeto entre o município de Pinhais e a região da Cidade Industrial de Curitiba (CIC), além de preparar a malha viária para a futura e necessária expansão da eletromobilidade.
Conforme aponta a pesquisa do BNDES e do Ministério das Cidades, intervenções dessa magnitude geram um efeito multiplicador positivo na economia local. Entre os benefícios diretos estão a diminuição expressiva na emissão de gases poluentes, o aumento da segurança viária para motoristas, ciclistas e pedestres, e a facilitação do acesso dos moradores a postos de trabalho, instituições de ensino e serviços essenciais. Com essas entregas, Curitiba reafirma sua posição histórica como polo irradiador de boas práticas em planejamento urbano no Brasil.
Fonte:: rede190.com.br




