O governo do Japão está avançando em seus planos estratégicos para garantir a autonomia no fornecimento de minerais essenciais. A Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia Marinha-Terrestre (Jamstec) anunciou que o país planeja conduzir um teste em grande escala para a mineração de terras-raras no fundo do mar. A operação está agendada para fevereiro de 2027 e representa um marco crucial para a nação.
Esta iniciativa compõe a segunda etapa de um projeto ambicioso que tem como meta viabilizar a industrialização da produção nacional de terras-raras até março de 2028. Como o território terrestre japonês carece de grandes reservas desses recursos, o país tem direcionado seus esforços para o oceano, buscando novos volumes que possam sustentar a criação de uma cadeia de refino própria e independente.
Resultados promissores em testes iniciais
Até o momento, os indicativos coletados pelos pesquisadores têm sido positivos. Em um comunicado oficial divulgado recentemente, a Jamstec confirmou que uma operação de menor escala, realizada no início do ano, obteve sucesso na extração de terras-raras diretamente do leito marinho. Detalhes técnicos e operacionais dessa fase inicial podem ser consultados na íntegra do relatório (PDF – 2 MB, em inglês).
O procedimento pioneiro utilizou uma embarcação-plataforma adaptada da indústria petrolífera para realizar a sucção de lodo contendo sedimentos ricos em elementos de terras-raras. O processo operou a uma profundidade impressionante, alcançando quase 6.000 metros abaixo da superfície. A dinâmica da operação guarda semelhanças com a extração tradicional de petróleo, mas com o objetivo direcionado à captação de minerais misturados na lama submarina.
Conforme os dados divulgados pela agência japonesa, o volume de lama escavada e processada atingiu cerca de 50 toneladas, marca calculada após a remoção da água salgada que é adicionada durante a etapa de separação das partículas sólidas.
Composição e importância estratégica
As análises laboratoriais realizadas no material recuperado trouxeram dados animadores sobre a qualidade dos minérios. Constatou-se que 54% do conteúdo total recolhido era composto por terras-raras dos tipos médio e pesado, incluindo elementos fundamentais como ítrio, gadolínio e disprósio.
Esses componentes químicos são considerados vitais para a economia tecnológica moderna, sendo aplicados diretamente na fabricação de baterias de alta performance, semicondutores avançados e em equipamentos voltados para a indústria de defesa.
Localização isolada e próximos passos
O primeiro teste bem-sucedido foi executado em águas situadas nas imediações da ilha de Minamitorishima, reconhecida como o território mais isolado do Japão. A ilha fica localizada a aproximadamente 1.850 quilômetros a leste da capital japonesa, Tóquio. O próximo teste em larga escala, programado para o início de 2027, também ocorrerá nessa mesma região remota.


Na imagem, representação do modelo utilizado para o teste de extração de terras-raras em águas profundas.
Fonte:: poder360.com.br




