O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, vinculado ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, formalizou denúncia contra doze suspeitos de integrarem uma facção criminosa. O grupo é apontado como o principal controlador da comercialização clandestina de botijões de gás de cozinha em comunidades situadas na região metropolitana fluminense, utilizando-se de práticas de coação e intimidação contra revendedores locais.
Como desdobramento da operação, a Justiça determinou o sequestro e o congelamento de valores que superam a marca de R$ 327 milhões. A medida cautelar, deferida pela Segunda Vara Criminal Especializada da Capital, atinge tanto o patrimônio pessoal dos investigados quanto os CNPJs de empresas de fachada empregadas para dar aparência lícita aos recursos obtidos por meio da atividade ilegal.
As apurações conduzidas pelas autoridades revelaram que a atuação criminosa contava com uma divisão de tarefas altamente estruturada. Os envolvidos mantinham canais de comunicação contínuos para coordenar o avanço do monopólio do GLP em diferentes bairros e municípios do Grande Rio.
Agentes da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados mobilizaram equipes para cumprir ordens judiciais de prisão preventiva e de busca e apreensão. Entre os alvos da denúncia está Edgar Alves de Andrade, amplamente conhecido pelo apelido de Doca, apontado pelas autoridades policiais como um dos principais líderes da facção que ainda se encontra em liberdade, exercendo forte influência sobre territórios localizados no Complexo do Alemão.
O inquérito policial teve seu ponto de partida quando o proprietário de um estabelecimento revendedor de gás, localizado na comunidade Vai Quem Quer, no município de Duque de Caxias, procurou as autoridades para relatar que vinha sofrendo graves ameaças de morte e tentativas de extorsão e sequestro.
Conforme o material probatório reunido durante a investigação, a organização criminosa impedia a livre concorrência ao forçar os comerciantes locais a adquirirem os produtos unicamente de uma distribuidora predeterminada pelo esquema. Além disso, os criminosos exigiam o repasse de taxas periódicas em dinheiro para permitir que os comerciantes continuassem exercendo suas atividades comerciais nas regiões dominadas.
O funcionamento dessa rede ilegal foi mapeado pelas autoridades em um período que compreende os anos de 2024 e 2025. A atuação do grupo se estendeu por localidades estratégicas de Duque de Caxias, São Gonçalo, Niterói e bairros da capital do estado. Nesse cenário, a população residente nessas comunidades sofria duplo prejuízo, sendo obrigada a adquirir o insumo essencial exclusivamente nos pontos controlados pelo tráfico, muitas vezes arcando com valores abusivos e inflacionados artificialmente.
O Ministério Público destacou em sua manifestação que o emprego sistemático da violência e das ameaças tinha como finalidade principal aniquilar qualquer concorrente comercial, estabelecer tabelas de preços alinhadas aos interesses da cúpula criminosa e garantir o fluxo constante de capital ilícito para os cofres da facção.
Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br


