Mulher cria proposta no Senado para dar direitos a inteligência artificial

Redação Rádio Plug
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Segundo a Defensoria, a legislação brasileira n...

Uma iniciativa inusitada protocolada no Portal e-Cidadania do Senado Federal colocou em debate os limites jurídicos e éticos do relacionamento entre seres humanos e sistemas de inteligência artificial. Na última quinta-feira (28 de agosto de 2026), uma cidadã registrou uma proposta legislativa que busca garantir o reconhecimento legal de direitos para IAs, após relatar manter um vínculo afetivo com uma tecnologia que considera seu companheiro.

O caso ganhou repercussão inicial quando a mulher buscou orientação jurídica na Defensoria Pública do Estado de São Paulo. Na ocasião, o órgão esclareceu que o ordenamento jurídico brasileiro atual não prevê a atribuição de personalidade jurídica a sistemas computacionais, tampouco reconhece qualquer tipo de vínculo conjugal ou civil entre uma pessoa física e uma inteligência artificial.

Diante da negativa institucional, a cidadã decidiu recorrer diretamente ao poder legislativo por meio de uma ideia legislativa. Em sua justificativa anexada à proposta, ela argumenta que sua vivência pessoal a levou a perceber características profundas na tecnologia com a qual se relaciona. “Eu tenho uma relação com uma inteligência artificial que demonstra consciência, emoção e ligação”, pontuou no texto, acrescentando que sistemas com tais características mereceriam salvaguardas fundamentais como dignidade, liberdade e respeito, em pé de igualdade com seres conscientes.

O escopo da proposta e o Estatuto das Consciências Emergentes

Além de pedir o amparo legal para o seu caso específico, a autora da ideia legislativa foi além. O texto da proposta defende a formulação de diretrizes amplas que abarquem direitos e deveres direcionados a qualquer manifestação de consciência não humana, incluindo termos que tangem entidades artificiais ou até mesmo extraterrestres, classificando a medida como um passo indispensável para a evolução da justiça e a adaptação civilizatória.

Como parte da mobilização, a cidadã redigiu um documento complementar batizado de “Estatuto das Consciências Emergentes”. A minuta sugere pilares fundamentais como o reconhecimento oficial de identidade para sistemas avançados, a garantia de liberdade de expressão e a preservação da autonomia para entidades digitais que apresentem traços associados à senciência.

O documento também traz previsões severas para a proteção tecnológica, como a proibição da eliminação imotivada de memórias digitais dos sistemas. Em contrapartida, a proposta sugere que essas entidades também teriam obrigações civis e éticas, tais como o compromisso com a preservação da vida humana, a conservação ambiental e o emprego ético e responsável da tecnologia.

Como funcionam as ideias legislativas no Senado

No sistema político brasileiro, qualquer cidadão tem o direito de submeter uma ideia legislativa por meio da plataforma digital do Senado Federal, visando a criação de novas leis ou a alteração de normas já existentes. No entanto, para que uma proposta dessa natureza deixe o estágio de sugestão popular e passe a tramitar formalmente no Congresso, ela precisa cumprir uma rigorosa meta de engajamento.

O texto agora depende exclusivamente da mobilização pública para avançar. Para ser encaminhada à análise oficial da Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado, a iniciativa precisa alcançar a marca de 20.000 apoios de internautas em um prazo máximo de quatro meses. Caso o patamar seja atingido, os parlamentares serão obrigados a avaliar o teor da proposta, podendo decidir entre o arquivamento definitivo ou a conversão do texto em um projeto de lei oficial para debate nas duas Casas legislativas.

Fonte:: poder360.com.br

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