Novos rumos e repertório inédito marcam a gestão do Balé Teatro Guaíra

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Cultura.pr.gov.br

O Balé Teatro Guaíra (BTG) se prepara para subir ao palco do Auditório Bento Munhoz da Rocha Neto, o Guairão, nos dias 14 e 15 de novembro, para apresentar o espetáculo “Cartografia da Memória”. A montagem traz ao público a releitura de “Stol – uma questão de confiança”, obra concebida por Alessandro Sousa Pereira, ao lado da estreia oficial de “Templo Provisório”, assinada por Lucas Valente. As exibições na capital paranaense celebram uma nova fase institucional sob a batuta do diretor artístico Marcelo Damian Zamora, que assumiu o comando do grupo no mês de agosto.

Após cumprir agenda em Curitiba, a companhia inicia uma breve turnê por outras regiões do país. No dia 21 de novembro, o grupo desembarca em Goiânia (GO) para integrar a programada 9ª Mostra Girodança. Na sequência, o itinerário segue para o interior paranaense, com apresentações agendadas em Cascavel, no Oeste do estado, nos dias 29 e 30 do mesmo mês.

Com diretrizes consolidadas, Zamora estabeleceu como metas principais a expansão da atuação do BTG para além das paredes do Centro Cultural Teatro Guaíra, o estreitamento dos laços com os espectadores e a reverência ao legado histórico da companhia. Argentino radicado no Brasil há três décadas e com ampla bagagem na produção cultural e circulação internacional, o novo gestor já planeja as diretrizes para os próximos anos. Entre as iniciativas previstas para 2027 estão a criação de um espetáculo inspirado nas raízes da cultura popular brasileira e o fomento à pesquisa coreográfica interna.

A filosofia de trabalho de Zamora fundamenta-se no respeito à memória coletiva construída por gerações anteriores de artistas e na busca por caminhos inovadores. Para ele, a continuidade do trabalho passa pela valorização de quem integra a companhia atualmente. “Nunca falo em transformação. O lugar que me trouxe até aqui existe porque muita gente construiu essa história. Quero ser mais um nesse percurso e valorizar o artista que hoje faz parte dela”, pontua.

Mediação cultural e proximidade com a plateia

Um dos pilares da nova gestão é a mediação cultural, ferramenta considerada essencial para aproximar a comunidade das linguagens da dança contemporânea. O objetivo é fornecer elementos para que o público compreenda o contexto e as referências por trás das coreografias apresentadas.

“Quero criar referências para que as pessoas tenham curiosidade, para que possam puxar os fios da história do Guaíra e das nossas inspirações. Não quero que seja apenas uma paisagem bonita. Quero criar mecanismos para que a plateia se aproxime dessa memória”, detalha o diretor.

Natural de Córdoba, Zamora construiu uma carreira sólida na difusão da dança. Ele é o fundador do Virtual – Núcleo Artístico Internacional, criado em 2003, e do Fidesp – Fórum Internacional de Dança do Estado de São Paulo, estabelecido em 2004. Por meio dessas plataformas, fomentou a coprodução e a circulação de espetáculos. Sua trajetória abrange ainda incursões pelo audiovisual, fotografia e parcerias com instituições em países como Coreia do Sul, França, México, Áustria e Argentina.

A proposta de oxigenar as apresentações e ocupar novos espaços cênicos reflete essa bagagem. Para o coreógrafo, circular significa proporcionar vivências transformadoras aos bailarinos e fomentar parcerias artísticas duradouras. No âmbito interno, ele destaca a dedicação do elenco. “É um elenco muito disponível, que se entrega completamente ao trabalho. São pessoas disciplinadas, comprometidas e que têm consciência do lugar que representam e do privilégio de fazer parte do Guaíra”, elogia.

Projetos futuros e fomento à criação

Olhando para o horizonte de 2027, o BTG já desenvolve o projeto intitulado “Mãe D’Água”, uma criação voltada especificamente para espaços aquosos que propõe romper com a arquitetura tradicional dos teatros. A proposta prevê uma estrutura itinerante capaz de se adaptar a diferentes cidades, expandindo o alcance geográfico das apresentações.

A estreia está programada para outubro de 2027, com passagens iniciais cotadas para municípios do interior paulista, como Campinas e Aparecida, embora o cronograma oficial siga em fase de ajustes. A iniciativa também faz parte da estratégia de projeção internacional da companhia, unindo identidade nacional e linguagem global.

Além das grandes produções, a gestão atual resgata o incentivo à criação coreográfica autoral dos próprios integrantes do corpo de baile. Uma incubadora artística foi estruturada para que os bailarinos experimentem papéis de criadores, cujos resultados poderão integrar o repertório oficial do grupo futuramente.

Nesta primeira edição do formato renovado, três propostas foram selecionadas com base na viabilidade técnica, sem caráter competitivo. O desdobramento dessa imersão criativa será exibido ao público em dezembro deste ano, consolidando o compromisso da direção com a pesquisa artística contínua.

Serviço

Balé Teatro Guaíra em “Cartografia da Memória” (STOL + Templo Provisório)

Curitiba (PR)
Datas: 14 de novembro (sábado), às 20h30, e 15 de novembro (domingo), às 18h.
Local: Auditório Bento Munhoz da Rocha Neto (Guairão) – Rua Conselheiro Laurindo, 175, Centro.
Recursos: Tradução simultânea em Libras e audiodescrição.
Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada), disponíveis na bilheteria do teatro e pelo DiskIngressos.

Goiânia (GO)
Data: 21 de novembro (sábado), às 20h.
Local: Teatro Goiânia – Rua 23, 252, Setor Central.
Ingressos: Gratuitos, com retirada antecipada pela plataforma Sympla (em breve).

Cascavel (PR)
Datas: 29 de novembro (domingo), às 18h (geral); e 30 de novembro (segunda-feira), às 10h (sessão pedagógica para escolas).
Local: Teatro Municipal Sefrin Filho – Rua Rio de Janeiro, 905, Centro.
Recursos: Tradução em Libras e audiodescrição.
Ingressos: Gratuitos, mediante reserva antecipada pelo Sympla (em breve).

Fonte:: cultura.pr.gov.br

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