O setor produtivo do Paraná acaba de dar um passo significativo rumo à modernização e profissionalização da cadeia do leite. O Instituto Água e Terra (IAT), órgão vinculado à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest), oficializou a liberação da Licença de Instalação necessária para dar início às obras do novo Centro de Excelência em Bovinocultura de Leite. O projeto será implantado no município de Castro, localizado na região dos Campos Gerais, consolidando ainda mais a vocação da área para a atividade pecuária.
Com um aporte financeiro estimado em R$ 36 milhões, o complexo educacional e técnico tem cronograma de execução estipulado em 16 meses. A proposta principal da iniciativa é capacitar anualmente cerca de 500 profissionais por meio de programas de formação inteiramente gratuitos, desenhados sob medida para atender às reais necessidades do mercado e dos produtores rurais.
A gestão de todo o projeto e das futuras atividades educacionais ficará sob a responsabilidade do Sistema Faep, entidade que engloba a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR). A sinergia entre as instituições tem sido apontada como um dos diferenciais para a celeridade com que o projeto tem avançado em solo paranaense.
Agilidade nos trâmites burocráticos e ambientais
Um dos pontos que chamaram atenção no processo de implantação foi a velocidade na liberação das autorizações governamentais. De acordo com o diretor-presidente do IAT, José Volnei Bisognin, a emissão do documento ambiental ocorreu em tempo recorde, exatos dois meses após a liberação da Licença Prévia. Na média, procedimentos dessa magnitude costumam transcorrer por um período de seis meses.
O gestor explicou que a rapidez foi viabilizada graças ao rigor técnico empregado pelo Sistema Faep na elaboração e entrega de toda a documentação exigida pelos órgãos ambientais. Como o material foi protocolado de maneira correta e sem pendências, a equipe técnica do instituto pôde concluir a análise de forma ágil, eliminando a necessidade de idas e vindas para solicitações de complementações.
“Essa agilidade ocorreu, primeiro, porque o processo foi apresentado de forma tecnicamente correta pelo Sistema Faep, sem necessidade de solicitar complementações. O processo foi analisado rapidamente pelos nossos técnicos, e a licença foi emitida em um prazo curto, permitindo o início das obras. Quanto antes o Centro estiver pronto, melhor para o setor leiteiro do Paraná”, pontuou o diretor-presidente do IAT.
Do lado das entidades rurais, o sentimento é de dever cumprido nesta fase inicial e de expectativa para o canteiro de obras. “De forma conjunta, as equipes técnicas do Sistema Faep e do IAT trabalharam incansavelmente para cumprir mais essa etapa do processo em tempo recorde. Agora, a obra vai começar efetivamente para, no mais breve possível, colocar os cursos à disposição dos trabalhadores e produtores envolvidos com a cadeia do leite”, ressaltou o presidente da federação, Ágide Eduardo Meneguette.
Infraestrutura robusta voltada ao aprendizado
O projeto arquitetônico e estrutural do Centro de Excelência em Bovinocultura de Leite prevê uma área construída de aproximadamente 4 mil metros quadrados. O espaço será dividido em oito blocos distintos, erguidos em um terreno de quatro hectares estrategicamente posicionado ao lado do Parque Tecnológico da Agroleite, em Castro.
A estrutura física planejada contempla salas de aula modernas, laboratórios equipados, biblioteca voltada à pesquisa agropecuária, refeitório para os alunos e funcionários, além de setores administrativos. No escopo educacional, figuram opções de peso, como o curso técnico em Agropecuária e a especialização em Bovinocultura de Leite, ambos devidamente reconhecidos e validados pelo Ministério da Educação (MEC).
Além da formação regular, a unidade funcionará como um polo irradiador de conhecimento prático e teórico, oferecendo treinamentos constantes, reciclagens e capacitações direcionadas tanto para instrutores quanto para técnicos que atuam diretamente no campo. A grade de ensino contemplará tanto metodologias presenciais quanto modalidades a distância.
Capital Nacional do Leite como cenário ideal
A escolha de Castro para abrigar um investimento desse porte não é arbitrária. O município carrega o título oficial de Capital Nacional do Leite, condecoração conferida por meio de Lei Federal. A região se destaca amplamente nos cenários estadual e nacional quando o assunto é produtividade e eficiência na pecuária leiteira.
Indicadores oficiais apontam que a cidade abriga um rebanho superior a 51,5 mil vacas em fase de ordenha, registrando uma produção média impressionante de 10,3 mil litros de leite por animal anualmente. Para efeito de comparação, esse patamar produtivo local supera em cerca de 4,1 vezes a média registrada em todo o território nacional, que gira em torno de 2,4 mil litros por vaca ao ano, conforme levantamentos da Pesquisa da Pecuária Municipal divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Para o comando do IAT, o impacto social da iniciativa é tão relevante quanto os números econômicos, visto que a atividade leiteira no estado é fortemente sustentada por pequenos produtores rurais que buscam constantemente ferramentas para elevar a margem de lucro e a qualidade do produto final.
“A cadeia leiteira reúne muitos pequenos produtores rurais, e existe um interesse social muito grande na qualificação dos profissionais que trabalham arduamente na produção de leite. O Paraná já produz leite de grande qualidade e, com essa iniciativa, poderá avançar ainda mais”, concluiu Bisognin.
Fonte:: parana.pr.gov.br


