Panorama da tecnologia na educação revela uso de celulares em áreas sem internet

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Foto: Ana Paula Lobo Mande um e-mail

A mais recente edição da pesquisa TIC Educação, elaborada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) — vinculado ao Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br) e ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) —, trouxe um panorama detalhado sobre a relação entre as instituições de ensino, os estudantes e os dispositivos móveis. Divulgada nesta terça-feira, 4 de agosto, a investigação aponta que 51% dos gestores escolares entrevistados adotam a proibição de que os alunos tragam telefones celulares pessoais para o cotidiano escolar.

Essa postura de restrição, contudo, varia de forma significativa conforme a etapa de ensino atendida pela instituição. O levantamento indica que a proibição é consideravelmente mais rigorosa nas escolas que concentram suas turmas até os anos iniciais do ensino fundamental, atingindo 69% dos casos. Em contrapartida, nas unidades que oferecem o Ensino Médio, a restrição total recai sobre 31% das redes de ensino analisadas, demonstrando uma flexibilização à medida que os estudantes avançam na idade e na maturidade acadêmica.

Por outro lado, o estudo revela que em 40% das escolas brasileiras os estudantes têm autorização para ingressar nas dependências com seus aparelhos celulares particulares. No entanto, os métodos adotados para o armazenamento desses equipamentos durante as aulas divergem amplamente. Em 24% das instituições, a regra determina que os dispositivos permaneçam guardados com os próprios alunos, seja em bolsos, estojos ou mochilas. Já em 16% dos estabelecimentos de ensino, a gestão optou por disponibilizar locais específicos de guarda, como caixas coletivas ou armários individuais.

Uso pedagógico em regiões com menor conectividade

Entre o grupo de escolas que consente com a presença dos smartphones no ambiente escolar, 66% permitem expressamente a utilização desses aparelhos para fins pedagógicos e de aprendizagem. Um dado que chama a atenção na pesquisa é o comportamento desse indicador em regiões que enfrentam maiores barreiras estruturais de conectividade e escassez de computadores. Nesses cenários, o uso dos telefones celulares como ferramenta educacional salta para 75% nas áreas rurais e alcança 76% tanto na região Norte quanto na região Nordeste do país.

Daniela Costa, coordenadora da pesquisa TIC Educação, pontua que os indicadores revelam um cenário complexo que exige atenção redobrada em relação às disparidades estruturais. Segundo ela, essas assimetrias podem se transformar em obstáculos severos para a garantia da equidade na digitalização da educação, um dos objetivos previstos em diretrizes como o Plano Nacional de Educação. A especialista reforça ainda que a ponte entre as diretrizes pedagógicas das escolas e o acompanhamento familiar é um elemento indispensável para o avanço da cidadania digital, exigindo suporte contínuo e políticas públicas bem estruturadas para amparar os responsáveis.

Apesar da relevância do tema, a interlocução direta entre pais, responsáveis e a comunidade escolar sobre o consumo de tecnologia ainda apresenta margem para amadurecimento, conforme aponta a décima sexta edição do levantamento. Cerca de 49% das instituições registraram que os responsáveis tomaram a iniciativa de procurar a direção ou a equipe pedagógica em busca de orientações sobre como mediar o tempo de tela e o consumo digital de crianças e adolescentes. Em sentido oposto, 48% das escolas tomaram a dianteira ao promover palestras com especialistas voltadas à saúde mental e ao bem-estar digital das famílias, enquanto 46% optaram por distribuir cartilhas e materiais orientativos com dicas de hábitos saudáveis na internet.

Desafios estruturais e barreiras para a inclusão digital

Embora o debate sobre os impactos das telas e das tecnologias digitais tenha ganhado forte tração no cotidiano escolar, a aplicação prática de iniciativas voltadas à educação midiática, digital e para a cidadania ainda esbarra em obstáculos operacionais. A pesquisa aponta que 65% das instituições de ensino promovem algum tipo de atividade voltada a esses temas entre os estudantes. Contudo, essa oferta é desigual: ela se faz presente em 72% das escolas situadas em áreas urbanas e em 75% daquelas que já contam com infraestrutura de computadores e acesso à internet voltados ao uso educacional dos alunos.

Entre as unidades que conseguem desenvolver essas ações formativas, 75% dos gestores apontam o desinteresse ou a baixa participação das famílias como uma das principais barreiras para o sucesso dos projetos, seguida de perto pela carência de materiais pedagógicos e recursos de apoio adequados, citada por 64%. Já no grupo de escolas que não realiza nenhum tipo de atividade nessa área, a falta de materiais didáticos e recursos de suporte assume a primeira posição entre as dificuldades, com 77%, seguida pela baixa adesão dos responsáveis (66%) e pelas limitações na qualidade dos computadores e da conexão com a rede mundial de computadores (65%).

Para Alexandre Barbosa, gerente do Cetic.br, a intensificação das discussões sobre os efeitos das tecnologias no ambiente escolar reflete um movimento legítimo de mobilização social e pedagógica. O especialista destaca que esse cenário foi fortemente catalisado pelas discussões que culminaram na formulação de normas para a proteção de direitos no ambiente digital, como o Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital). Para ele, todo esse ecossistema reforça o papel das escolas como núcleos fundamentais na salvaguarda e promoção dos direitos das novas gerações no mundo conectado.

Fonte:: convergenciadigital.com.br

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