O estado do Paraná enfrenta mais um período crítico devido a condições meteorológicas severas, com novos alertas emitidos pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para tempestades nesta quarta-feira, 30 de setembro. Entre os eventos extremos recentes, a destruição registrada na cidade de Toledo, localizada na região Oeste paranaense, passou a ser investigada por meteorologistas do Simepar com a hipótese de ter sido causada por um tornado. Caso a ocorrência seja oficialmente confirmada pelos técnicos, este representará o 13º tornado a atingir o território paranaense somente no acumulado deste ano.
Além dos graves prejuízos estruturais contabilizados em Toledo, onde ventos fortes provocaram a destruição do aeroporto municipal, as autoridades confirmaram o registro de uma morte decorrente dos temporais no município de Umuarama, situado na região Noroeste. Com este óbito, o total de vítimas fatais associadas a desastres e eventos climáticos extremos no Paraná subiu para 11, consolidando setembro como um dos meses mais trágicos e destrutivos da história climática estadual em termos de volume de ocorrências e impactos à população.
A gravidade da situação foi detalhada pelo coronel Ivan Ricardo Fernandes, coordenador-executivo da Defesa Civil do Paraná. Em entrevista concedida a um telejornal local, o representante do órgão de segurança e atendimento a emergências informou que o estado já contabiliza 173 ocorrências graves apenas ao longo de setembro. O volume supera de forma expressiva o registro do mês anterior, agosto, que acumulou 138 ocorrências e que, até então, figurava negativamente como o pior período histórico em termos de impacto gerado por intempéries climáticas extremas.
Levantamentos preliminares divulgados pela Defesa Civil apontam que, entre os dias 27 e 29 de setembro, tempestades acompanhadas de chuvas intensas afetaram diretamente ao menos 10 municípios paranaenses, deixando um rastro de destruição que impactou 7.918 pessoas. Conforme o boletim oficial mais recente, os temporais provocaram danos estruturais diretos em 1.917 residências espalhadas pelas localidades atingidas.
Entre os municípios que reportaram ocorrências severas no período estão Bom Jesus do Sul, Clevelândia, Coronel Domingos Soares, Cruz Machado, General Carneiro, Guarapuava, Mangueirinha, Maringá, Pinhão e Vitorino. A lista de cidades afetadas expandiu-se durante a madrugada de quarta-feira com registros em Umuarama, Piraí do Sul, Toledo e Palotina. Adicionalmente, episódios de precipitação de granizo foram confirmados em Nova Prata do Iguaçu, Mauá da Serra, Maripá, Vera Cruz do Oeste, Floraí, Paranavaí, Santa Cruz do Monte Castelo, Assis Chateaubriand, Reserva, Imbaú, Rio Branco do Ivaí, São José das Palmeiras, Guarapuava e novamente em Vitorino.
Mais de 100 mil unidades consumidoras ficam sem energia elétrica
A força dos temporais que castigaram o território paranaense entre a terça e a quarta-feira provocou interrupções generalizadas no fornecimento de energia elétrica. Dados consolidados em boletim emitido pela Companhia Paranaense de Energia (Copel) indicavam que, por volta das 7h30 da manhã, aproximadamente 106 mil unidades consumidoras encontravam-se desabastecidas em todo o Estado, mobilizando equipes de manutenção para o religamento das redes.
A região Oeste concentrou os maiores desafios para as equipes técnicas, com 50,1 mil clientes afetados aguardando o restabelecimento do serviço. Os trabalhos de reparo também seguiram intensos na região Noroeste, com 30,6 mil endereços afetados; nos Campos Gerais e Centro-Sul, onde 14,6 mil atendimentos seguiam em andamento; na região Norte, com 7 mil registros; no Sudoeste, com 2,9 mil; na Região Metropolitana de Curitiba, com 586 unidades desligadas; e no Litoral, que contabilizava 382 pontos sem luz.
Entre os municípios que registraram os maiores volumes de unidades consumidoras privadas de eletricidade destacaram-se Nova Aurora, com 5,9 mil ligações interrompidas; Medianeira, com 5,6 mil; Ortigueira, com 4,7 mil; Toledo, com 4,2 mil; e Formosa do Oeste, com 4 mil residências e comércios afetados pelo corte de energia.
Alertas meteorológicos continuam vigentes para o estado
De acordo com as análises do Inmet, o ciclone extratropical responsável por desencadear a onda de temporais no Paraná mantém processo de intensificação ao longo desta quarta-feira (30) e da quinta-feira (1º de outubro). Conforme o sistema se fortalece, ele também inicia um movimento gradual de afastamento em direção ao alto-mar, distanciando-se do continente brasileiro.
Mesmo com o deslocamento gradual do sistema, a sua intensificação estimula o avanço de uma nova frente fria, alterando padrões meteorológicos em setores das regiões Centro-Oeste, Sudeste e em todo o estado do Paraná. Por essa razão, a previsão do tempo permanece indicando riscos associados a episódios de chuvas volumosas, incidência de raios, rajadas de vento intensas e probabilidade de queda de granizo em diversas localidades.
Todo o território paranaense permaneceu sob a abrangência de um alerta laranja emitido pelo órgão federal, válido até as 23h59 de quarta-feira, advertindo para tempestades acompanhadas de precipitações intensas, ventos que podem alcançar velocidades de até 100 km/h e granizo. Paralelamente ao aviso de perigo, alertas de nível amarelo também foram mantidos para o Estado.


Informações divulgadas pelo Simepar indicam que as áreas de instabilidade atmosférica tendem a perder força gradualmente ao longo do dia. Contudo, a previsão aponta a persistência de chuvas de intensidades fraca a moderada, sem descartar a ocorrência pontual de trovoadas isoladas em diferentes áreas paranaenses.
O cenário térmico do Estado apresenta forte contraste geográfico, dividindo o território entre a metade Sul, onde as temperaturas máximas devem se manter abaixo dos 25 °C, e a metade Norte, que deve registrar marcas superiores a esse patamar. No entanto, o padrão climático na Região Sul do país começa a demonstrar sinais de alteração com a chegada iminente de uma massa de ar frio associada a um sistema de alta pressão atmosférica. A mudança deve restabelecer a estabilidade no tempo e provocar uma acentuada queda nas temperaturas, abrindo espaço inclusive para a possibilidade de formação de geadas em pontos isolados dos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina no primeiro dia do mês de outubro.
Fonte:: bemparana.com.br


