O estado do Paraná figura entre as regiões com maior contingente de pessoas privadas de liberdade no Brasil, ocupando a segunda colocação nacional em números absolutos. Conforme dados trazidos à tona pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o sistema penitenciário paranaense e as custodias policiais abrigavam, no ano passado, quase 110 mil indivíduos.
O levantamento aponta que, ao todo, 109.198 pessoas encontravam-se sob custódia no estado durante o período analisado. Esse montante engloba detentos em regime fechado, semiaberto e aberto, além de indivíduos cumprindo medidas de segurança, internação, tratamento ambulatorial ou sob prisão domiciliar, somados a outros custodiados diretamente pelas forças policiais.
Comparado ao período anterior, quando o sistema registrava 105.915 custodiados, o cenário carcerário paranaense apresentou um incremento de 2,5%, representando a incorporação de 3.267 novos indivíduos às unidades de detenção locais entre 2024 e 2025.
Panorama nacional e taxa de encarceramento
No comparativo com as demais unidades federativas, apenas o estado de São Paulo supera o Paraná em termos absolutos, contabilizando 222.037 presos. No entanto, ponderando a proporção demográfica, a realidade paranaense sobressai de forma expressiva. Enquanto a taxa paulista de encarceramento atinge 484,2 pessoas por 100 mil habitantes, o índice registrado no território paranaense chega a 918,4 por 100 mil moradores.
O indicador do Paraná supera amplamente a média registrada em todo o território nacional, que é de 452 presos para cada grupo de 100 mil habitantes — configurando uma taxa estadual que ultrapassa o dobro da média brasileira. Entre todas as unidades da federação, apenas Rondônia (924,7), o Distrito Federal (969,5) e o Acre (976,9) registram proporções superiores à paranaense.
Queda nos assassinatos, mas com média de cinco mortes diárias
Em contrapartida ao avanço na população prisional, o Paraná apresentou uma das reduções mais expressivas do país no volume de assassinatos ao longo de 2025. Apesar da melhora significativa nos indicadores de criminalidade letal, a violência ainda faz parte do cotidiano estadual, mantendo uma média de cinco mortes violentas por dia.
Os registros oficiais apontam um total de 1.844 Mortes Violentas Intencionais (MVI) no decorrer do ano passado. O montante representa uma retração de 15,5% em relação a 2024, quando foram contabilizadas 2.170 ocorrências. O recuo foi puxado principalmente pela diminuição de 24,1% nos homicídios dolosos, que recuaram de 1.663 para 1.270 casos.
Por outro lado, o relatório destaca uma alta nos episódios envolvendo intervenções policiais, tanto em serviço quanto fora dele, cujos registros saltaram de 400 para 482 no mesmo intervalo.
A taxa estadual de MVI ficou estabelecida em 15,5 por 100 mil habitantes, patamar inferior à média nacional de 19,1. Contudo, estados como Santa Catarina (7,6), São Paulo (7,8), Distrito Federal (9,6), Rio Grande do Sul (11,3) e Minas Gerais (12,9) apresentaram resultados mais favoráveis no mesmo quesito.
Variações em crimes de violência doméstica e contra menores
O anuário detalhou ainda flutuações em ocorrências voltadas à violência de gênero e infrações cometidas contra crianças e adolescentes no estado.
No âmbito da proteção às mulheres, indicadores como o feminicídio apresentaram decréscimo de 20,7%, passando de 109 casos em 2024 para 87 no ano seguinte. Também houve reduções em ameaças (-0,9%, com 78.056 registros), lesão corporal dolosa em contexto de violência doméstica (-3%, somando 31.461 casos) e estupros contra mulheres (-17,1%, com 5.899 ocorrências).
Em sentido oposto, delitos como a perseguição obsessiva (*stalking*) e a violência psicológica registraram acréscimos expressivos, seguindo uma curva observada em nível nacional. O crime de *stalking* subiu 14%, alcançando 8.203 registros, enquanto a violência psicológica teve salto de 36,2%, passando para 2.550 ocorrências.
No que tange aos crimes contra o público infanto-juvenil, ocorrências de abandono de incapaz apresentaram alta de 31,5%, totalizando 874 registros, e os episódios de maus-tratos cresceram 27,5%, atingindo 3.159 casos. Em contrapartida, houve recuo nas notificações de lesão corporal dolosa contra menores em ambiente doméstico (-31,9%) e nos casos de estupro e estupro de vulnerável contra crianças e adolescentes (-11%, com 5.431 registros).
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Fonte:: bemparana.com.br




