Policiais militares viram réus por esquema de cobrança de segurança exclusiva na Baixada Fluminense

Redação Rádio Plug
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Foto: © MPRJ/ Divulgação

Três integrantes da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro foram formalmente denunciados pelo Ministério Público fluminense sob a acusação de corrupção passiva militar. De acordo com as investigações conduzidas pelo órgão ministerial, o trio exigia e recebia valores em dinheiro de comerciantes e empresários locais para garantir um serviço de patrulhamento e vigilância diferenciado e exclusivo em Belford Roxo, município situado na Baixada Fluminense.

Na última quinta-feira, o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) coordenou o cumprimento de mandados de prisão preventiva contra os três agentes envolvidos no esquema ilícito. Deste total, dois policiais já se encontravam sob custódia do Estado em decorrência de investigações e processos anteriores. O terceiro suspeito foi localizado e detido em sua residência, situada na cidade de Nova Iguaçu, também na Baixada Fluminense.

Esquema priorizava comércios pagantes

Conforme os apontamentos detalhados na denúncia do MPRJ, os agentes utilizavam a estrutura, os recursos logísticos e a frota oficial da corporação militar para atender a demandas particulares e comerciais em troca de vantagens financeiras indevidas. Como contrapartida aos pagamentos realizados de forma recorrente pelos estabelecimentos comerciais, os policiais alteravam as rotas tradicionais de patrulhamento da região para priorizar esses pontos específicos e se comprometiam a comparecer prontamente sempre que fossem acionados diretamente pelos empresários.

As apurações revelaram, por exemplo, que entre os beneficiários do esquema clandestino estava uma clínica médica da região, que realizava pagamentos regulares no valor de R$ 50 para assegurar o policiamento exclusivo prestado pelos militares. Os episódios investigados ocorreram entre os meses de setembro e outubro de 2021. No período em questão, os três acusados estavam lotados e exerciam suas funções oficiais no 39º Batalhão de Polícia Militar, sediado em Belford Roxo. A peça acusatória já foi formalmente recebida pela Auditoria da Justiça Militar, transformando os suspeitos em réus.

Histórico de investigações na unidade

A operação deflagrada na última quinta-feira integra um esforço investigativo contínuo conduzido pelo Ministério Público, que teve início em maio de 2024. O objetivo central dessa força-tarefa tem sido desarticular práticas criminosas sistêmicas cometidas por policiais lotados no batalhão responsável pela segurança de Belford Roxo.

O histórico recente da unidade militar acumula diversas denúncias e operações de combate à corrupção interna. Em agosto de 2025, um grupo de dez policiais militares foi preso preventivamente sob a acusação de praticar extorsões contra comerciantes locais. Meses depois, em maio do ano corrente, outros 11 agentes foram alvos de denúncia formal por recebimento de propina para garantir a segurança privada de estabelecimentos comerciais durante o expediente oficial. Já no mês de junho, mais quatro policiais foram denunciados pelos crimes de peculato e pelo envolvimento na comercialização ilegal de uma arma de fogo que havia sido apreendida durante uma ocorrência policial.

Para dar sustentação e eficácia a essas operações de combate aos desvios de conduta na corporação, o MPRJ destacou que as investigações contam com a parceria estratégica e o apoio operacional da Corregedoria-Geral da Polícia Militar, além da Secretaria Estadual de Polícia Penal.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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