Programa de Irrigação Sustentável entra em nova fase com aquisição de torres de fluxo

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Idrparana.pr.gov.br

O programa IrrigaSIM, coordenado pelo Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná), avançou de maneira significativa nesta quinta-feira (21) com a aquisição de cinco torres de fluxo que serão instaladas em diversas áreas do Noroeste do Paraná.

Essas torres têm a função de medir continuamente a troca de gases, como o vapor d’água e o dióxido de carbono, além do calor entre a vegetação e a atmosfera. Esse monitoramento permite calcular com precisão a evapotranspiração real das lavouras, ou seja, a transferência de água da superfície da Terra para a atmosfera na forma de vapor. O investimento para a aquisição das torres é proveniente de um recurso de mais de R$ 10 milhões, oriundo da Fundação Araucária e viabilizado pelo IDR-Paraná.

Richard Golba, diretor de Gestão de Negócios do IDR-PR, destacou a importância da criação da Lei de Segurança Hídrica, desenvolvida em parceria com diversas instituições, que embasa as ações do programa IrrigaSIM. “Nossa expertise é formar alianças e buscar parcerias. Essa conquista é fruto de intensos debates e estudos, representando uma iniciativa legítima do governador Ratinho Junior, que tem cobrado persistentemente a implementação desse projeto”, comentou Golba.

Início dos Trabalhos

O projeto teve início em 2024 e envolve a colaboração da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Sustentável e da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Governo do Paraná. Recentemente, a Secretaria de Inovação e Inteligência Artificial também se integrou ao projeto. Vários estudos e visitas técnicas foram realizadas na região Noroeste do Paraná, que é a área do estado mais afetada pela seca. Dados apontam que a estiagem da safra 2021/2022 provocou uma queda significativa na produção de soja. Entre os anos de 2000 e 2021, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) identificou que a seca foi o principal evento climático responsável por perdas na agricultura paranaense.

“Em nosso estado, mais de 40% do PIB provém do agronegócio, e mais de 14% de todos os grãos do Brasil são produzidos no Paraná. Portanto, a irrigação sustentável é crucial, uma vez que a água é um recurso vital que precisa ser utilizado de forma adequada para garantir não apenas a produção, mas também a sustentabilidade do nosso estado”, declarou Coronel Puchetti, chefe do Centro Estadual de Desburocratização da Casa Civil. Ele ressaltou o papel que sua equipe teve na governança para a integração dos órgãos públicos para a viabilização do projeto.

Paulo de Tarso, diretor presidente do Simepar, enfatizou que o trabalho realizado até agora é resultado de dois anos de pesquisa e esforços para estimular a inovação na irrigação no Paraná. “Além do estudo em si, o impacto deste projeto também será a capacitação de pessoas que poderão gerenciar os processos de irrigação no estado”, afirmou.

Etapas do Projeto

Os estudos realizados classificarão as características agroclimáticas do Paraná, identificando mais áreas aptas para a irrigação de culturas como soja, milho e feijão. O trabalho está a cargo de uma equipe de quatorze pesquisadores do Simepar. Assim que as cinco torres de fluxo forem instaladas e calibradas, elas começarão a coletar dados micrometeorológicos em tempo real no campo. A partir desses dados, será possível modelar variáveis hidrológicas em softwares especializados, permitindo a espacialização da evapotranspiração, ajuste do coeficiente de cultura e medição da infiltração do solo.

A partir dos modelos desenvolvidos, será possível determinar as melhores taxas de irrigação para os diferentes métodos, além de utilizar imagens de drones para monitorar o fluxo de carbono no solo e avaliar a emissão de gases de efeito estufa, fazendo comparações com os dados coletados pelas torres de fluxo. A integração de informações sobre aspectos ambientais, hidrológicos e de balanço de carbono será realizada em uma plataforma de Inteligência Artificial, que auxiliará na tomada de decisões relativas ao manejo da irrigação. Essa abordagem busca otimizar o uso da água e do solo, reduzindo as emissões de Gases de Efeito Estufa e promovendo a sustentabilidade agrícola no estado.

Cinco áreas de cultivo serão monitoradas durante diferentes ciclos de plantio e colheita ao longo do ano: o plantio em outubro/novembro com colheita em março/abril; o plantio de março/abril com colheita em julho/agosto; e o plantio em julho/agosto com colheita em outubro/novembro. Os primeiros indicadores sugerem uma possível redução de até 30% no consumo de água na agricultura.

Christofer Neale, diretor do Water For Food, um instituto do Nebraska envolvido no projeto, explicou que várias reuniões técnicas foram realizadas para discutir os próximos passos, e agora, com o lançamento oficial do projeto e a disponibilização do orçamento, as etapas como a compra das torres e a modelagem do uso da água e evapotranspiração podem avançar conforme o cronograma planejado.

Implantação e Futuro

A colaboração com a Secretaria de Inovação e Inteligência Artificial será fundamental para o desenvolvimento do sistema que gerenciará os dados coletados ao longo do projeto. “Esse projeto foi idealizado com o objetivo do governador Ratinho Junior de garantir a segurança hídrica no campo, para que a produção agrícola do Paraná continue forte e sustentável. Com isso, sabemos que há um amplo apoio por trás da iniciativa, e a inteligência artificial desempenhará um papel importante nesse processo”, enfatizou Marcos Stamm, secretário de Inovação e Inteligência Artificial. Também estiveram presentes na reunião desta quinta-feira (21) o professor João Carlos Bespalhok Filho, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), que contribui na capacitação de alunos para o projeto, e Raul Alberto Marcon, coordenador de Gestão de Recursos Hídricos da Sanepar, que supervisiona a execução das diversas etapas do estudo.

Fonte:: idrparana.pr.gov.br

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