Uma cerimônia realizada na última terça-feira (19) marcou a entrega de certificados de qualificação profissional para 29 mulheres que estão cumprindo pena na Casa de Custódia de Ponta Grossa (CCPG). Essa formação foi possibilitada pelo Programa Mulheres Mil, uma iniciativa do Ministério da Educação (MEC) que tem como objetivo garantir acesso à educação profissional e tecnológica, promovendo a inclusão social e a autonomia das mulheres em situações de vulnerabilidade.
Os cursos foram realizados na própria unidade prisional e incluíram formações de maquiadora, salgadeira e confeccionadora de bijuterias. Em consonância com as diretrizes do programa, a capacitação não apenas ofereceu conhecimentos técnicos, mas também buscou desenvolver competências pessoais, fornecendo alternativas concretas para geração de renda, fomento ao empreendedorismo e integração ao mercado de trabalho após a reintegração à sociedade.
William Ribas, coordenador regional da Polícia Penal do Paraná (PPPR) em Ponta Grossa, ressaltou a importância de garantir o direito à qualificação profissional durante a execução da pena, visto que isso integra o processo de assistência previsto na legislação. “A oferta dessas formações tem um papel essencial ao qualificar o tempo de reclusão, proporcionando eixos de ensino estruturados. O esforço das instituições visa assegurar que o período no sistema prisional seja pautado por aprendizado prático, possibilitando que essas mulheres reconstruam suas vidas de maneira digna ao retornarem à sociedade”, explicou Ribas.
Acir Portela, diretor da Casa de Custódia de Ponta Grossa, enfatizou os impactos positivos das atividades educativas na dinâmica da unidade penal. “A realização dos cursos práticos mobilizou a unidade de maneira muito positiva, estabelecendo uma rotina dedicada ao aprendizado e à qualificação. A entrega dos certificados é uma consolidação do trabalho realizado por toda a equipe técnica e operacional, que atuou na viabilização e organização do espaço prisional para que as aulas acontecessem de forma produtiva e contínua”, destacou Portela.
O apoio escolar para as turmas foi proporcionado pelo Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos (Ceebja) Professor Odair Pasqualini. Luzia Nenevê, diretora da instituição, sublinhou a importância do ensino técnico para o público atendido. “A função do Ceebja é fornecer o suporte necessário ao processo de aprendizagem, garantindo que a educação chegue com qualidade a essas mulheres. O encerramento dessas turmas reafirma a relevância da educação tanto básica quanto profissional na descoberta de novas habilidades, servindo como uma base sólida de cidadania para cada uma das participantes”, enfatizou.
Eliane Depetris, representante da Secretaria Estadual de Educação (SEED), destacou a necessidade de políticas públicas que levem em consideração as especificidades de gênero e as realidades sociais que muitas mulheres enfrentam antes de entrarem no sistema prisional. “O Programa Mulheres Mil desempenha uma função que vai além do simples aprendizado técnico, pois atua diretamente no enfrentamento das desigualdades e violências de gênero que permeiam a trajetória de muitas mulheres em situação de vulnerabilidade. A capacitação profissional representa um passo concreto rumo à autonomia e emancipação econômica. Nosso objetivo na Secretaria de Educação é fortalecer parcerias para ampliar o alcance do projeto no sistema penal”, comentou Depetris.
O Programa – O Mulheres Mil foi instituído com o propósito de promover a equidade de gênero e inclusão socioprofissional, com foco na qualificação de mulheres que necessitam de suporte governamental para sua inserção no mercado de trabalho. No contexto do sistema penal, a iniciativa busca superar barreiras de exclusão através do acesso à educação profissionalizante, preparando as participantes para alcançarem autonomia financeira após a progressão no regime de cumprimento de pena.
Fonte:: policiapenal.pr.gov.br




