Um amplo movimento formado por frentes parlamentares e diversas entidades representativas do setor produtivo brasileiro intensificou a pressão sobre o Senado Federal para que a votação do Projeto de Lei que institui o REDATA ocorra durante o período de esforço concentrado. O grupo defende que a pauta não pode mais sofrer adiamentos, visto que o país corre sérios riscos de perder bilhões de reais em aportes financeiros internacionais voltados para a infraestrutura digital e tecnológica.
Além da urgência na apreciação do projeto no Senado, o manifesto conjunto divulgado pelas frentes de atuação política e econômica também cobra celeridade na tramitação do PLP 74/2026. Esta segunda proposta tem como objetivo principal solucionar os entraves de natureza jurídica e orçamentária que surgiram após a caducidade da Medida Provisória 1318/2025. A estratégia desenhada pelos parlamentares prevê que o texto seja avaliado primeiramente pela Câmara dos Deputados para, em seguida, seguir para deliberação final dos senadores.
A janela de oportunidade e o risco de o Brasil ficar para trás
De acordo com as estimativas apresentadas pelas entidades setoriais, o Brasil possui o potencial histórico de captar entre R$ 60 bilhões e R$ 100 bilhões em investimentos diretos voltados para a construção e operação de data centers de grande porte. Contudo, os líderes do setor alertam que a janela de oportunidade global para atrair esse capital está se fechando rapidamente à medida que outras nações modernizam suas legislações.
O manifesto destaca que o cenário internacional é de competição acirrada. Enquanto governos estrangeiros criam ambientes regulatórios altamente competitivos e atrativos, o território brasileiro ainda sofre com a falta de um marco regulatório unificado. Sem regras claras e modernas, o país patina na corrida global por infraestrutura digital, pecando na oferta de segurança jurídica, previsibilidade regulatória e competitividade econômica para os novos empreendimentos tecnológicos.
Desvantagem comparativa frente a Estados Unidos e Chile
Os dados levantados pelas frentes parlamentares evidenciam uma desvantagem alarmante para o mercado brasileiro. Atualmente, sem a implementação do REDATA, os custos para instalar e operar um data center no Brasil superam em 26% os valores praticados nos Estados Unidos. A diferença é ainda mais drástica quando o país é comparado com vizinhos da América Latina, como o Chile, onde os custos operacionais e de instalação chegam a ser 35% inferiores aos observados no território nacional.
Para o setor produtivo, a aprovação do REDATA funciona como o divisor de águas necessário para reverter esse panorama desfavorável. As entidades reforçam que a nação não pode mais postergar a decisão, sob o risco de se tornar obsoleta no processamento e armazenamento de dados em larga escala na América do Sul.
Segurança energética e o apoio à Emenda 22
Outro ponto nevrálgico defendido no documento diz respeito ao fornecimento contínuo de eletricidade. Os signatários do manifesto salientam que é fundamental aperfeiçoar o texto legal para garantir que os centros de dados tenham acesso garantido a uma matriz elétrica que seja, ao mesmo tempo, confiável, altamente diversificada e de baixa emissão de poluentes.
Nessa linha de argumentação, as frentes declararam apoio público e irrestrito à Emenda 22. O dispositivo legal prevê o uso estratégico de fontes firmes de energia — como o gás natural, a energia nuclear e o biometano. Para os especialistas, essas fontes funcionam como um complemento indispensável às matrizes renováveis intermitentes, assegurando a estabilidade operacional ininterrupta que empreendimentos de alta tecnologia exigem para funcionar 24 horas por dia, sete dias por semana.
Por fim, o documento reforça que o país dispõe de vantagens geográficas e estruturais únicas para se consolidar definitivamente como um dos maiores hubs globais de infraestrutura digital. O desafio atual, segundo o bloco político e econômico, reside na capacidade de transformar esse potencial latente em empregos qualificados, inovação de ponta, desenvolvimento tecnológico avançado e influxo real de capital estrangeiro para a economia nacional. Clique aqui e veja a íntegra do manifesto.
Fonte:: convergenciadigital.com.br




