O presidente americano, Donald Trump, manifestou forte insatisfação nesta terça-feira, 15, contra a Suprema Corte dos Estados Unidos. A manifestação ocorreu logo após a rejeição, por parte dos magistrados, da tentativa governamental de impor restrições à votação por correspondência para as eleições legislativas marcadas para novembro.
Por meio de sua plataforma na internet, a Truth Social, o chefe do Executivo norte-americano classificou o veredito como desfavorável aos republicanos. No texto, ele argumentou que o poder judiciário demorou excessivamente para se posicionar e justificou a decisão sob a alegação de falta de tempo hábil para modificações no sistema. Na mesma publicação, Trump intensificou as críticas ao método de votação postal, qualificando-o como um modelo vulnerável e alvo de questionamentos internacionais.
“Não é fácil para mim escrever esta crítica à Suprema Corte dos EUA – isso provavelmente me custará caro durante os próximos anos -, mas sinto que é minha obrigação e meu dever, como presidente, fazê-lo pela América que amamos”, declarou na postagem.
O episódio insere-se em um histórico recorrente de contestações públicas feitas pelo presidente em relação a decisões de tribunais superiores, abrangendo inclusive magistrados que ele próprio indicou ao longo de sua gestão. A relação com a Suprema Corte tem enfrentado atritos em temas sensíveis, como diretrizes sobre cidadania e a imposição unilateral de taxas alfandegárias.
No caso específico das cédulas postais, a iniciativa do governo buscava conferir ao Serviço Postal dos EUA um papel regulatório central sobre a elegibilidade dos eleitores. Em contrapartida, autoridades estaduais sustentaram perante a Justiça a inviabilidade operacional de adaptar os procedimentos a tempo do pleito de 3 de novembro, reforçando que a infraestrutura vigente já operava sob rigorosos padrões de segurança.
A decisão da Suprema Corte foi emitida em caráter de emergência na noite de segunda-feira, 14, apontando que as restrições propostas provavelmente seriam anuladas nos tribunais inferiores durante o ciclo eleitoral atual.
O presidente expressou ceticismo quanto à postura da mais alta instância judicial do país, sugerindo que o colegiado teria sofrido influência de correntes políticas opostas. Por outro lado, ele destacou e elogiou a posição dos juízes Sam Alito e Clarence Thomas, que divergiram formalmente do entendimento majoritário da corte.
Entre os ministros que compõem o tribunal, Trump indicou anteriormente Neil Gorsuch, Amy Coney Barrett e Brett Kavanaugh. Contudo, o mandatário demonstrou descontentamento com o posicionamento adotado por esses nomes em votações de grande repercussão, insinuando que as atuações atuais diferem das expectativas iniciais criadas no período de suas nomeações.
Apesar dos atritos frequentes, a composição atual da Suprema Corte, sob a liderança do presidente John Roberts e com maioria de perfil conservador, já chancelou diversas pautas prioritárias da administração. Um marco nesse sentido foi a decisão de 2024 que reconheceu a imunidade presidencial para atos oficiais, salvaguardando o curso político do atual mandato.
A oposição de Trump ao voto por correio tem sido uma constante, frequentemente associada por ele aos resultados desfavoráveis de 2020. Dados levantados por análises especializadas, como um estudo publicado pelo Brookings Institution em 2025, indicam que a incidência de fraudes comprovadas nesse sistema permanece em patamares estatisticamente mínimos, estimados em cerca de quatro ocorrências a cada dez milhões de votos enviados.
Com a proximidade das eleições e o início do envio de cédulas em diversos estados, a manutenção das regras tradicionalmente adotadas assegura a continuidade do processo nos moldes anteriores para aproximadamente um terço do eleitorado americano.
Fonte:: estadao.com.br


