(Bloomberg) — O ex-presidente Donald Trump se manifestou em favor da liderança independente de Kevin Warsh à frente do Federal Reserve, com o objetivo de acalmar os investidores que temiam uma possível pressão de sua parte sobre as decisões de política monetária do novo presidente do banco central dos EUA.
Warsh, que se comprometeu a implementar uma reformulação ampla nas operações do Fed, tomou posse na última sexta-feira durante uma cerimônia que ocorreu na Casa Branca, tornando-se o 17º presidente da instituição.
Durante seu discurso de posse, Trump destacou: “Quero que Kevin seja totalmente independente. Quero que ele atue com liberdade e faça um excelente trabalho. Não se preocupe comigo ou com mais ninguém, apenas siga seu caminho e faça um grande trabalho”.
Warsh chega ao cargo em um momento crítico, com a economia passando por uma fase delicada e o banco central enfrentando crescentes pressões inflacionárias, exacerbadas pela instabilidade no Oriente Médio, que afetou o fornecimento de energia. Recentes dados mostraram que as expectativas dos consumidores em relação à inflação a longo prazo atingiram a maior alta em sete meses, levando os investidores a preverem um possível aumento das taxas de juros até dezembro.
Nos últimos meses, Trump criticou o Fed por não ter agido com a agilidade necessária na redução das taxas de juros, alegando que a instituição se deixou levar por questões distantes de sua missão principal, como mudanças climáticas e iniciativas de diversidade, evitando discutir diretamente as políticas de juros.
“Kevin vai proteger a integridade do Fed. Eles tomarão suas decisões, com a esperança de que sejam as corretas, mas sempre ouvindo o que Kevin tem a dizer”, afirmou Trump.
A combinação de uma inflação persistente e crescente pressão política provoca preocupações entre os investidores e analistas sobre a real independência do Fed. Em sua audiência de confirmação, Warsh reafirmou seu compromisso de atuar de maneira autônoma e criticou o banco central por, segundo ele, ter se desviado de suas atribuições e pela forma como lidou com a inflação durante a pandemia.
Diferentemente de outros presidentes do Fed que participaram de cerimônias com o chefe do Executivo, a posse de Warsh será observada atentamente por investidores e especialistas do setor, que aguardam declarações de Trump que possam indicar sua postura em relação à política monetária e ao desejo por taxas de juros mais baixas no futuro.
Aliados próximos de Trump demonstram preocupação em evitar que Warsh enfrente os mesmos desafios que seu antecessor, Jerome Powell, alvo frequente de críticas por parte do ex-presidente. Observadores do mercado, como o secretário do Tesouro, Scott Bessent, e Larry Kudlow, da Fox Business, têm expressado apoio à manutenção das taxas como forma de estabilizar a economia.
Trump, em uma recente entrevista ao Washington Examiner, comentou que deixaria Warsh livre para tomar suas próprias decisões, afirmando que ele pode “fazer o que quiser”.
Warsh não é o primeiro presidente do Fed a prestar juramento na presença de um presidente. Ben Bernanke foi empossado em 2006 por George W. Bush, e Alan Greenspan teve sua cerimônia com Ronald Reagan em 1987.
O Senado dos EUA confirmou a nomeação de Warsh com uma votação apertada de 54 a 45 no início de maio, marcando a menor margem de confirmação na história para um presidente do Fed, refletindo as divisões partidárias no Congresso e as preocupações dos parlamentares democratas sobre a possibilidade de que Warsh ceda às solicitações de Trump em relação às taxas de juros.
Warsh, que se destaca como um dos presidentes mais ricos na história do Fed, se comprometeu a se desfazer de parte de seus ativos antes de assumir o cargo. Documentos recentes revelaram que ele vendeu a maior parte de seus bens, embora não esteja claro se todas as suas propriedades foram vendidas completamente.
A nova gestão de Warsh promete trazer uma “mudança de regime” ao Fed, incluindo a redução do saldo patrimonial da instituição, atualmente em US$ 6,7 trilhões, além de revisar a abordagem atual para análise da inflação e melhorar a comunicação entre o banco central e o público.
Um dos principais desafios de Warsh será a política monetária. Antes de ser nomeado por Trump, ele já havia defendido razões para a redução das taxas de juros, mas as atuais diretrizes do Fed indicam uma falta de interesse em cortes no curto prazo, tendo em vista o aumento da inflação, que em abril registrou a maior alta desde 2023.
Os membros do comitê de política monetária mantiveram as taxas de juros inalteradas na última reunião, em uma faixa de 3,5% a 3,75%, mas revelaram uma crescente divisão sobre como sinalizar a direção futura da política monetária, especialmente em um contexto cuja guerra no Irã impacta os mercados de energia. Quatro membros da comissão votaram contra a decisão, expressando discordância com a linguagem usada na declaração pós-reunião, que sugeria uma possível retomada dos cortes nos juros.
A votação de 8 a 4 representa a primeira vez desde 1992 em que quatro membros do comitê se colocaram contra uma decisão do Federal Open Market Committee. As atas da reunião informaram que a maioria dos membros reconheceu a necessidade de considerar um aumento nos juros, caso a inflação continuasse acima da meta de 2%.
O governador do Fed, Christopher Waller, um dos formuladores de políticas mais influentes, declarou recentemente que agora considera adequado modificar a declaração de política do Fed, e acredita que a próxima ação do banco central terá igual probabilidade de resultar em um aumento ou corte nas taxas. O comitê de definição de taxas do Fed se reunirá novamente nos dias 16 e 17 de junho em Washington.
A transição de liderança no Fed é ainda mais singular pelo fato de Powell ter decidido permanecer no Conselho de Governadores, quebrando a tradição de que presidentes anteriores deixavam a instituição ao final de seus mandatos. Seu período como governador se estende até janeiro de 2028.
Powell justificou sua decisão, citando pressões legais constantes contra sua gestão e a necessidade de manter a independência do Fed diante de interferências políticas, ressaltando que sua permanência visa, acima de tudo, fortalecer a autonomia do banco central e facilitar o trabalho de seu sucessor.
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