CGE capacita ouvidores para mediação de conflitos

Redação Rádio Plug
Foto: Divulgação / Cge.pr.gov.br

    Foto: Gabrielly Pontes

A Controladoria-Geral do Estado (CGE) realizou uma capacitação focada em mediação de conflitos e saúde mental, voltada para profissionais atuantes em ouvidorias. O evento, que ocorreu de forma virtual, foi organizado em alusão ao Dia do Ouvidor, celebrado na próxima segunda-feira (16). A instrutora da capacitação foi a mestra em psicologia, Suédina Brizola Rogatto, professora da Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP).

Mais de 150 ouvidores participaram online da atividade, onde foram abordados métodos para gerenciar demandas complexas e para garantir a qualidade no serviço público, sem sacrificar o bem-estar emocional dos profissionais. O conteúdo completo da capacitação pode ser assistido no canal da CGE PR no YouTube, permitindo que outros ouvidores e interessados acompanhem as orientações.

A coordenadora de Ouvidoria, Letícia Dohms, deu início à capacitação parabenizando os ouvidores da rede estadual e enfatizou a relevância de uma escuta atenta, qualificada e humanizada. Ela destacou características como integridade, humanidade e coerência dos profissionais, que são fundamentais para gerar um impacto positivo no interesse público.

“O ouvidor converte demandas individuais em oportunidades para aprimorar os serviços públicos. Este papel exige habilidades comportamentais e socioemocionais, que frequentemente representam os maiores desafios no dia a dia”, comentou.

A professora Suédina contextualizou a atuação das ouvidorias dentro do cenário social contemporâneo, que ela descreveu como narcisista, onde prevalecem valores como prazer, individualismo e exibicionismo. Essa cultura leva a percepções do outro como meros objetos, resultando em sérios problemas de saúde mental, caso não sejam adotadas estratégias para proteger o bem-estar psíquico.

Ela apresentou um panorama sobre os organizadores psíquicos, conceito da psicologia que auxilia na identificação de padrões de comportamento entre os cidadãos que buscam as ouvidorias, especialmente em casos mais complexos de atendimento. A professora ressaltou que é crucial que o cidadão seja ouvido com atenção e acolhimento, para que suas reais necessidades possam ser identificadas.

“Um indivíduo que frequentemente reclama pode estar, na verdade, expressando frustrações não resolvidas, transferindo essa insatisfação para a ouvidoria na busca de uma solução”, explicou, citando um exemplo de um cidadão que fez 150 reclamações em um ano.

De acordo com a professora, o trabalho nas ouvidorias pode gerar elevados níveis de burnout, devido à necessidade de lidar com o adoecimento psíquico dos cidadãos. Ela sugeriu algumas ferramentas e atitudes que podem ajudar os ouvidores a não se envolverem excessivamente nas questões que são apresentadas a eles.

“Nós amadurecemos em nossos relacionamentos, e isso se refletirá nas mediações de conflitos”, afirmou, destacando a importância de discutir casos específicos com supervisores e colegas. Contudo, alertou para a necessidade de dedicar tempo para si mesmo, seja através da leitura de ficção, da prática de atividades físicas ou de outras atividades que proporcionem desconexão, mesmo que temporária, da rotina profissional.

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Fonte:: cge.pr.gov.br

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