Nesta quarta-feira, dia 17, ocorreu uma missa solene na Sede Administrativa da Polícia Penal do Paraná (PPPR), em Curitiba, que oficializou a criação da “Capelania da Polícia Penal do Paraná”. Este novo serviço tem como foco o atendimento aos servidores da instituição e seus familiares, buscando promover cuidado espiritual e assistência religiosa.
Através da designação de um capelão, a iniciativa pretende oferecer apoio moral e espiritual aos agentes em suas atividades diárias, sem a intenção de promover a conversão religiosa. Entre as principais ações que serão desenvolvidas estão atendimentos de escuta e aconselhamento individualizado, visitas a servidores ou parentes doentes, celebrações religiosas em funerais e suporte a famílias enlutadas. Adicionalmente, a capelania também promoverá palestras e reflexões sobre o sentido da vida — sempre respeitando os valores e princípios da PPPR —, visitas às unidades conforme as necessidades específicas e a administração de sacramentos para aqueles que solicitarem.
Historicamente, o papel do capelão é exercido por um ministro ordenado que atua em contextos especiais, como forças de segurança, hospitais e instituições prisionais, proporcionando assistência espiritual. Esta atuação nas corporações é fundamental para o desenvolvimento moral, ético e social de seus membros, sempre centrada no indivíduo. No âmbito terapêutico, a espiritualidade se apresenta como uma ferramenta eficaz para promover o equilíbrio psicossocial e a melhoria da qualidade de vida, ajudando a redescobrir o sentido da vida e a restaurar a confiança. Assim, o serviço de Capelania complementa os esforços já existentes voltados à saúde dos membros da Polícia Penal, como a área de Saúde do Servidor.
Segundo a diretora-geral da Polícia Penal do Paraná, Ananda Chalegre, essa iniciativa surge como uma ferramenta crucial para o apoio à saúde mental e espiritual. “O projeto visa fornecer suporte espiritual a servidores e suas famílias, priorizando o acolhimento e a escuta individualizada. A capelania, oficializada durante a missa solene, agrega-se aos programas de saúde do servidor, promovendo o equilíbrio emocional e a qualidade de vida. O intuito não é a conversão religiosa, mas sim oferecer apoio e conforto, respeitando a diversidade de crenças de quem procura ajuda”, declarou.
O arcebispo metropolitano de Curitiba, Dom José Antônio Peruzzo, também destacou a importância desse serviço considerando as dificuldades enfrentadas pelos policiais. “O exercício da função policial é repleto de desafios e exige uma grande disciplina e serenidade para evitar erros. A ansiedade, o medo e os riscos inerentes à profissão geram uma inquietação psicológica que pode refletir em um distúrbio espiritual. Aqueles que encontram paz interior conseguem agir com equilíbrio e transmitir essa serenidade. A demanda pelo serviço de capelania veio das próprias solicitações dos policiais, que precisam ser ouvidos e compreendidos. Por isso, hoje celebramos o início desse trabalho”, afirmou.
A interligação entre o cuidado da saúde mental e espiritual foi apresentada como um aspecto estratégico para a melhoria da qualidade de vida e a redução de afastamentos na Polícia Penal, conforme ressaltado pela coordenadora do Programa de Atenção à Saúde do Servidor da Polícia Penal (PASSPP), Tatiane Santana. “A Capelania da Polícia Penal proporciona aos servidores acolhimento e direcionamento espiritual, com atividades realizadas de forma voluntária por líderes religiosos. É vital que os servidores compreendam a importância de buscar ajuda, incluindo a preventiva, para o seu equilíbrio emocional e espiritual. Precisamos fomentar uma cultura de acolhimento empático entre os colegas e incentivar a utilização dos serviços já oferecidos pela Polícia Penal, como o PASSPP e a Capelania. Dados da Perícia Médica do Estado indicam que os principais motivos de afastamento de nossos policiais são transtornos mentais e comportamentais. Cuidar da mente e do espírito é uma estratégia essencial para a sobrevivência e o bem-estar”, explicou a policial penal.
A participação ativa e o engajamento dos servidores foram fundamentais para marcar o início das atividades, gerando expectativas otimistas para o desenvolvimento do projeto. O capelão designado para a Polícia Penal do Paraná, Padre Leonardo Silveira, expressou sua satisfação com a celebração inicial e esclareceu sobre o papel da assistência ecumênica no ambiente de trabalho. “Após esta missa inaugural, sinto-me muito feliz e esperançoso. A presença dos policiais penais foi notável, tanto em quantidade quanto em comprometimento com a ideia da capelania. Contamos com policiais atuando como músicos, realizando leituras e colaborando no ofertório. A evidência da presença da instituição foi significativa, criando um ambiente propício para o nosso trabalho conjunto”, comentou o sacerdote.
“Esse atendimento é crucial porque, ao considerarmos o ser humano em suas múltiplas dimensões — física, emocional, social e espiritual —, se uma dessas áreas não estiver bem, as demais acabam sendo afetadas. Os policiais penais e suas famílias convivem em um ambiente que pode ser extremamente hostil. O servidor enfrenta desafios externos em seu local de trabalho e também internamente, buscando significado em tudo o que vivencia. A capelania chega como um oásis, lembrando que há esperança e propósito na vida, independentemente das circunstâncias”, completou o Padre Leonardo Silveira.
Em relação aos próximos passos para a implementação do serviço, o capelão apontou que os primeiros contatos organizacionais e atendimentos aos servidores já estão sendo planejados. “Inicialmente, faremos um diálogo entre a Arquidiocese e a Polícia Penal do Paraná, onde o capelão compreenderá as necessidades dos policiais e seus familiares para a elaboração de um planejamento que contemple encontros e celebrações regulares. Nesse início, realizaremos conversas individualizadas com os servidores que desejarem se expressar. Esses atendimentos poderão ocorrer na própria unidade de trabalho ou na paróquia do Bairro Hugo Lange”, finalizou o Padre Leonardo Silveira.
Fonte:: policiapenal.pr.gov.br




