A rede de universidades estaduais do Paraná possui um modelo inovador de atendimento odontológico destinado à primeira infância. Este sistema tem como foco principal a diminuição da incidência e gravidade das cáries, priorizando a prevenção de procedimentos invasivos e internações. O impacto dessa iniciativa, que se originou na primeira clínica especializada do Brasil, localizada na Universidade Estadual de Londrina (UEL), inspirou a criação de um projeto de lei atualmente em tramitação na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Esta proposta visa estabelecer o Dia Estadual da Saúde Bucal do Bebê, a ser celebrado anualmente no dia 12 de março.
A Bebê Clínica da UEL disponibiliza uma variedade de serviços, que incluem pronto atendimento, consultas especializadas e acompanhamento contínuo de bebês entre quatro meses e cinco anos. O objetivo é não apenas minimizar atendimentos de emergência, mas também reduzir episódios de dores intensas. Desde o início do programa de prevenção e acompanhamento, aproximadamente 4.500 pacientes foram atendidos, totalizando mais de 42 mil procedimentos realizados.
Além disso, a UEL desenvolveu, na Bebê Clínica, um projeto de pesquisa que aplicou o uso de alinhadores transparentes no tratamento ortodôntico de crianças e adolescentes que possuem deficiência cognitiva. Esta abordagem visa atender pacientes que apresentam dificuldades de adaptação a aparelhos fixos, considerando suas particularidades comportamentais e sensoriais. De acordo com a professora Luciana Inagaki Nomura, do Departamento de Odontologia Infantil da UEL, “o projeto proporcionou um tratamento de alto custo para a comunidade, melhorando a qualidade de vida e a autoestima dos pacientes”.
A Universidade Estadual de Maringá (UEM) está igualmente engajada em um projeto voltado para bebês, desenvolvido em parceria com o Banco de Leite do Hospital Universitário. Essa iniciativa tem como finalidade diagnosticar e realizar cirurgias em recém-nascidos com problemas de freios linguais, utilizando o “teste da linguinha”, exame que é obrigatório de acordo com a Lei nº 13.002/2014. A identificação precoce desses problemas é crucial para evitar que as mães enfrentem dores durante a amamentação, que poderiam comprometer a alimentação e resultar em baixo ganho de peso para os bebês.
No campo da pesquisa científica, docentes do curso de Odontologia da UEM estão analisando os efeitos do freio lingual encurtado. A coordenadora do projeto, Gabriela Cristina Santin, afirma que a pesquisa se dedica a avaliar, ao longo de no mínimo oito anos, as funções de respiração, deglutição e crescimento maxilar. “Quando a língua não consegue se elevar adequadamente, há dificuldades para o ar entrar pela cavidade nasal, fazendo com que se inicie a respiração pela boca”, explica.
Tecnologias Modernas no Atendimento
A Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) também se destaca ao adotar práticas de odontologia minimamente invasiva para atender crianças e adolescentes. O trabalho de seus pesquisadores ganhou reconhecimento internacional no setor de prevenção, ao mapear os efeitos clínicos de falhas na formação do esmalte dentário. Descobriu-se que crianças com essa condição estão mais propensas ao desenvolvimento de cáries, tendem a apresentar episódios frequentes de hipersensibilidade e são mais suscetíveis a fraturas logo após a erupção dos dentes.
A Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP) oferece um cuidado odontológico integral para crianças até 12 anos através de um projeto de extensão. A clínica universitaria realiza ações preventivas, incluindo a aplicação de flúor e selantes, bem como tratamentos mais complexos, como cirurgias e ortodontia preventiva. Desde o início do ano, já foram realizados 135 atendimentos. No câmpus de União da Vitória da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), o fluxo de atendimentos é de cerca de 300 pacientes por mês, atendidos exclusivamente às quintas-feiras, na clínica de pediatria do curso de Odontologia.
Outras ações comunitárias incluem o projeto de Tratamento Restaurador Atraumático da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), onde estudantes de Odontologia realizam tratamentos em escolas de Cascavel. O diferencial deste projeto está na utilização de técnicas minimamente invasivas, evitando o uso de instrumentos tradicionais que costumam causar estresse nas crianças e buscando assim proporcionar uma experiência mais positiva durante o atendimento. Casos que necessitam de tratamentos mais complexos são identificados e encaminhados para a clínica da universidade.
Serviço: Clínicas Odontológicas nas Universidades Estaduais
UEL (Londrina)
Atendimento: segunda a sexta-feira, das 7h30 às 11h30 e das 13h30 às 17h30.
O pronto-socorro atende por ordem de chegada, priorizando casos de urgência (7h30 de segunda a sexta-feira, e 13h30 nas segundas, terças e quintas).
Local: Rodovia Celso Garcia Cid, PR 445, Km 380
Telefone: (43) 3371-6710.
UEM (Maringá)
Atendimento: segunda a sexta-feira, das 8h às 11h20 e das 13h30 às 17h10.
Local: Av. Mandacaru, 1550 (Bloco S08).
Telefone: (44) 3011-9077
UEPG (Ponta Grossa)
Atendimento: segunda a sexta-feira, das 8h às 12h e das 13h às 22h.
Local: Av. General Carlos Cavalcanti, nº 4748, Câmpus Uvaranas, Bloco M, Sala 113
Telefone: (42) 3220-3142.
Unioeste (Cascavel)
Atendimento: segunda a sexta-feira, das 8h30 às 11h30 e das 13h30 às 17h.
Local: Rua Universitária, nº 2069, Prédio das Clínicas.
Telefone: (45) 3220-7212.
Unespar (União da Vitória)
Atendimentos na clínica de pediatria às quintas-feiras, das 8h às 12h e das 13h30 às 17h30.
Local: Rua Marechal Deodoro Fonseca, 622.
Agendamento por WhatsApp: (42) 3521-9136 ou (42) 3522-0553.
UENP (Jacarezinho)
Atendimento: segunda a sexta-feira, das 8h às 17h.
Local: Av. Pedro Coelho Miranda, S/N, Jardim Panorama.
Telefone/WhatsApp para agendamento: (43) 3525-5162 ou (43) 99116-3653.
Fonte:: seti.pr.gov.br




