Tecpar e UEPG firmam parceria para desenvolver biobanco público de células-tronco

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Seti.pr.gov.br

O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) e a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) anunciaram uma colaboração inovadora com o objetivo de impulsionar a pesquisa em medicina regenerativa no estado. Na última sexta-feira (26), as instituições assinaram um acordo que possibilitará a realização de um estudo clínico focado na utilização de células-tronco mesenquimais (CTM) para o tratamento de pacientes com fissura labiopalatina, comumente conhecida como lábio leporino.

Este projeto contará com um investimento de R$ 17,5 milhões, provenientes do Fundo Paraná, que é um recurso orçamentário destinado ao fomento científico e administrado pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti).

A pesquisa terá como propósito a criação de um biobanco público de células-tronco, que será constituído a partir da coleta de amostras biológicas de pacientes com fissura labiopalatina. Essas amostras serão enviadas para laboratórios especializados, onde passarão por procedimentos de isolamento, caracterização celular e um rigoroso controle de qualidade.

Após a coleta, as amostras serão armazenadas em nitrogênio líquido para preservação, com a intenção de servir como base para futuras pesquisas e publicações científicas.

Iram de Rezende, diretor industrial da Saúde do Tecpar, destacou que a parceria faz parte de um projeto que, se aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), integrará o uso da bioengenharia de tecido ósseo. Esta técnica utiliza células-tronco associadas a biomateriais para tratar pacientes com fissuras labiopalatinas.

“O Paraná se destaca como um polo de referência em pesquisas de medicina regenerativa. Com esta colaboração com a UEPG para o estabelecimento de um biobanco público de células-tronco, o Tecpar reafirma o protagonismo do estado. Este é um avanço significativo na saúde pública, especialmente na área do tratamento com células-tronco,” afirmou Rezende.

A criação do biobanco e a implementação de controle de qualidade são resultantes de uma colaboração com a empresa R-Crio Criogenia S/A, responsável pelo processamento das células, além da transferência tecnológica para o Tecpar. O biobanco poderá também subsidiar pesquisas para novos tratamentos que possam ser oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Importância para a Inovação Social

Michel Jorge Samara, coordenador da Unidade Executiva do Fundo Paraná, enfatizou a necessidade de promover inovações que tragam retorno para a sociedade. “Este projeto evidencia o compromisso do governo estadual com o fomento científico e tecnológico, especialmente em áreas que são estratégicas para a saúde pública”, destacou Samara.

Além disso, o coordenador apontou que os investimentos do Fundo Paraná são fundamentais para garantir que os avanços alcançados sejam acessíveis à população, consolidando o Paraná como referência em ciência aplicada à qualidade de vida.

Oportunidades para a UEPG

O reitor em exercício da UEPG, Ivo Mottin Demiate, mencionou que a universidade foi contatada pela Secretaria da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior para avaliar sua capacidade técnica para desenvolver o projeto e expressou o comprometimento da instituição com a iniciativa.

“Possuímos um curso de Odontologia com reconhecimento nacional e internacional, assim como um excelente curso de Medicina. O potencial de sucesso deste projeto é imenso e estamos mobilizando nossos pesquisadores para dar início a esse trabalho em breve. É uma grande satisfação para a UEPG participar de um estudo na fase três de uma solução de saúde pública inovadora, com células-tronco,” afirmou Demiate.

A diretora-geral dos Hospitais Universitários da UEPG, Fabiana Postiglioni Mansani, ressaltou que a pesquisa representa uma oportunidade importante para que crianças e adolescentes com fissura labiopalatina passem por um tratamento menos traumático e invasivo, utilizando o enxerto de células-tronco.

“A pesquisa realizada no HU-UEPG, em consonância com o Hospital Universitário Materno-infantil (Humai), dará um protagonismo significativo, pois conseguiremos apoiar as crianças e suas famílias durante todo o processo, garantindo segurança, eficiência e um futuro com qualidade de vida para esses pacientes,” declarou Fabiana.

Um Estudo Pioneiro

A gerente do Centro de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Saúde do Tecpar, Meila Bastos de Almeida, afirmou que a pesquisa será conduzida com rigor ético e técnico em todas as etapas. A meta é coletar 500 amostras para a constituição do biobanco, assegurando qualidade, rastreabilidade e biossegurança.

“O estudo será realizado em ambiente hospitalar, sob a supervisão da pesquisadora principal, Daniela Franco Bueno, e uma equipe multiprofissional qualificada. Todas as atividades seguirão as normas éticas e regulamentares relacionadas à pesquisa com material biológico humano, além de respeitar diretrizes de biossegurança e boas práticas laboratoriais,” explicou Meila.

A previsão é que as etapas do projeto sejam concluídas em 24 meses, abrangendo recrutamento de participantes, coleta de amostras, processamento e controle de qualidade, armazenamento no biobanco e monitoramento das condições de conservação do material biológico.

Os resultados obtidos pela pesquisa estarão limitados à análise da viabilidade, qualidade e adequação das amostras armazenadas, sem previsão de análises de eficácia clínica ou resultados terapêuticos.

Tratamento Inovador

A fissura labiopalatina é uma malformação congênita que ocorre quando os tecidos do lábio ou do céu da boca (palato) não se unem corretamente durante o desenvolvimento fetal. O reparo da fissura pode ser executado por meio de até três cirurgias reconstrutivas, realizadas a partir dos três meses de idade, juntamente com acompanhamento multidisciplinar para reabilitação, disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O enxerto ósseo secundário é considerado o tratamento padrão-ouro para o fechamento do osso alveolar e é realizado entre os 7 e 12 anos de idade, embora possa resultar em complicações como morbidade, lesões nervosas, sangramentos e desconforto na área doadora.

Uma das inovações recentes para o tratamento do lábio leporino é a bioengenharia de tecido ósseo, abordagem que utiliza células-tronco associadas a biomateriais para regenerar ou substituir tecidos ósseos danificados. Com grande potencial regenerativo, as células-tronco podem se multiplicar e se transformar em diferentes tipos celulares, como neurônios e células sanguíneas. Assim, essa técnica é considerada promissora, especialmente para a regeneração óssea no céu da boca.

Fonte:: seti.pr.gov.br

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