Paulo Figueiredo, empresário e influenciador ligado ao bolsonarismo, fez uma declaração polêmica em seu canal no YouTube, onde criticou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Ele afirmou que, estatisticamente, as mulheres tendem a votar mal, enfatizando que as solteiras seriam as que mais erram ao escolher seus representantes. Para ele, as mulheres casadas teriam a tendência de seguir o voto de seus maridos.
A crítica foi proferida em um vídeo postado na quinta-feira (25) e foi citada pelo colunista Celso Rocha de Barros, da Folha de S.Paulo. Figueiredo não se conteve e, em um tom provocativo, também afirmou que Michelle é uma feminista. Ele provocou aqueles que pudessem se sentir ofendidos por suas palavras, dizendo que poderiam “arrancar os pentelhos das calcinhas”.
Após a veiculação de sua fala, Figueiredo manteve seu posicionamento em uma postagem feita na rede social X (antigo Twitter) onde criticou não apenas Michelle, mas também a Folha de S.Paulo. Em sua postagem, ele disse: “Mulher não vota muito mal, mulher vota mal PARA CARALHO. Especialmente as solteiras. Se trabalha na Folha então, pior ainda. Como isso sequer é controverso, meu Deus?”.
- Partidos tentam contornar regras de cotas para mulheres e negros.
Em sua fala, Figueiredo mencionou que a situação do eleitorado feminino se agrava com a ascensão do que ele classifica como “ideologia feminista”, a qual, segundo ele, estaria contribuindo para problemas na vida das mulheres. “Isso é estatística”, declarou. A declaração chocou muitos, especialmente em um momento em que Michelle Bolsonaro havia compartilhado vídeos onde relata estar sofrendo ataques de seus enteados sobre divergências políticas relacionadas à chapa eleitoral no Ceará.
Nas gravações, a ex-primeira-dama expressou ter se sentido desrespeitada e maltratada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que foi escolhido pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, para representar a família na corrida presidencial.
Figueiredo, que tem raízes na política militar — sendo neto do ex-presidente João Figueiredo —, reside nos Estados Unidos e se posiciona como uma conexão entre a família Bolsonaro e o governo de Donald Trump. Ao abordar os vídeos de Michelle, ele criticou suas observações sobre Flávio, sugerindo que a candidatura dele estaria caindo nas pesquisas, especialmente entre as eleitoras femininas. “Onde o Flávio vai pior [nas pesquisas eleitorais] é justamente no eleitorado feminino”, comentou.
De acordo com uma pesquisa recente do Datafolha, o presidente Lula tem uma vantagem significativa sobre Flávio entre as mulheres, liderando por 52% contra 37% em uma simulação de segundo turno. No entanto, entre os homens, o candidato bolsonarista se destacava com 50% contra 41%. Figueiredo também se referiu a Michelle e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF), ex-ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, como feministas.
“Muitas mulheres acham que são feministas apenas porque querem os mesmos direitos que os homens. Isso não é feminismo”, afirmou Figueiredo, que considera o feminismo como uma ideologia de matriz marxista, carregada de ideias que repercutem nas discussões contemporâneas sobre cotas e diversidade.
Durante a transmissão ao vivo, o influenciador apontou que Flávio não é o único candidato conservador a enfrentar resistência entre as eleitoras e ressaltou que histórico de votação feminina nos Estados Unidos revela uma preferência marcante pelos democratas, com exceção de alguns casos. Ele assim declarou, reforçando sua opinião sobre a postura do eleitorado: “Mulher vota estatisticamente muito mal. Principalmente mulheres solteiras. Isso é estatística”.
É importante ressaltar que, tanto nos EUA quanto no Brasil, as marcas de votos de grupos demográficos específicos são difíceis de se perceber devido ao sigilo que protege o processo eleitoral. No entanto, pesquisas feitas antes e depois das eleições costumam mostrar tendências e padrões que podem impactar as campanhas e as estratégias eleitorais.
Em seu vídeo, Figueiredo declamou que a esquerda é historicamente mais bem-sucedida entre as eleitoras. “O que o PL Mulher tem feito para mudar essa situação? Rosca, zero”, ironizou. Ele ainda questionou a autenticidade do vínculo de Michelle com Jair Bolsonaro, sugerindo que suas maneiras de se referir ao ex-presidente eram artificiais e não refletiam a realidade.
Frente às críticas recebidas, a campanha de Flávio Bolsonaro está atenta às repercussões. Desde a divulgação dos vídeos de Michelle, a estratégia tem sido tentar amenizar os impactos negativos junto ao eleitorado feminino, considerando inclusive a possibilidade de indicar uma mulher como vice na chapa presidencial.
Pesquisas recentes do Datafolha indicam que Flávio é o candidato com a maior rejeição entre as mulheres; 53% afirmaram que não votariam nele de jeito nenhum. Por comparação, 40% das eleitoras não votariam no ex-presidente Lula (PT), apontando a necessária atenção à construção de uma base sólida entre as mulheres, fundamental para o sucesso nas eleições.
Vale lembrar que Jair Bolsonaro também enfrentou grande rejeição entre o público feminino durante sua passagem pela presidência, destacando uma série de declarações consideradas machistas ao longo de sua trajetória política. Isso demonstra a complexidade do eleitorado e a importância da comunicação eficaz e respeitosa nas campanhas eleitorais.
Fonte:: bemparana.com.br




