O renomado historiador britânico Niall Ferguson afirmou, durante sua participação na Expert XP 2026, em São Paulo, que o mercado corporativo internacional precisará definir em breve qual ecossistema tecnológico pretende adotar: o desenvolvido nos Estados Unidos ou o criado na China. A declaração foi feita nesta quinta-feira (23.jul.2026), durante o painel focado nas perspectivas econômicas globais e de curto e longo prazo.
Para o professor da Universidade Harvard, a decisão sobre a integração de ferramentas de inteligência artificial na rotina operacional se transformará em um dilema fundamental para organizações de todos os portes e nacionalidades.
“Toda empresa no Brasil, em algum momento, terá de decidir: como vou usar inteligência artificial no meu negócio? Quanto vou pagar por isso? E vou seguir o caminho norte-americano ou o caminho chinês? Essa é uma questão estratégica muito importante para todos”, declarou o especialista durante o evento sediado na capital paulista.
A corrida tecnológica entre as superpotências
De acordo com a análise apresentada pelo historiador, o desfecho dessa disputa geopolítica e tecnológica dependerá diretamente das medidas adotadas pelas lideranças de Washington e Pequim. Enquanto o governo americano concentra esforços em novas diretrizes regulatórias e estímulos internos ao setor, a China vem expandindo agressivamente a distribuição de suas tecnologias.
Ferguson destacou que os modelos de inteligência artificial de origem chinesa têm ganhado espaço no mercado global por adotarem o formato de código aberto e apresentarem custos consideravelmente mais baixos de implementação. Esse fator, segundo ele, intensifica a concorrência direta com as soluções proprietárias do Vale do Silício.
“Vejo uma competição cada vez mais intensa entre Estados Unidos e China no campo da inteligência artificial. Muito dependerá do que os EUA fizerem para regular e promover a IA e do que os chineses fizerem para difundir seus modelos, que são mais baratos e de código aberto”, pontuou o acadêmico.
O conceito de soberania digital
Durante o painel na Expert XP, o debate também enveredou pelos riscos atrelados à dependência tecnológica externa. Para Ferguson, a chamada soberania digital de uma nação está intrinsecamente ligada ao domínio e controle sobre a infraestrutura física e lógica que sustenta a economia moderna.
O historiador alertou que países desprovidos de capacidade própria para desenvolver serviços de computação em nuvem, fabricar semicondutores e treinar modelos avançados de aprendizado de máquina acabam ficando vulneráveis. Na visão dele, essa lacuna estrutural resulta inevitavelmente na transferência de dados sensíveis para o controle de corporações estrangeiras baseadas nas duas grandes superpotências.
“Não é possível falar em soberania digital se um país não tem seus próprios provedores de nuvem, fabricantes de semicondutores e, no fim das contas, modelos de inteligência artificial. O mundo da IA é dominado por duas superpotências”, ressaltou Ferguson, apontando um cenário de polarização tecnológica que deve ditar os rumos dos negócios nas próximas décadas.
Sobre a Expert XP 2026
Considerada a maior plataforma de relacionamento, influência e inteligência financeira do país, a Expert XP celebra sua 16ª edição reunindo anualmente autoridades governamentais, líderes corporativos, investidores e importantes nomes do cenário internacional para debater os cenários macroeconômicos e as inovações corporativas.
A edição de 2026 ocorre entre os dias 23 e 25 de julho nas dependências do São Paulo Expo. Os interessados em participar da programação presencial puderam realizar o cadastro por meio da plataforma de inscrições disponibilizada neste link.
A programação deste ano escalou figuras de proa do cenário geopolítico global, a exemplo de Janet Yellen, que atuou como secretária do Tesouro dos EUA e presidiu o Federal Reserve (Fed), e Mike Pompeo, ex-secretário de Estado norte-americano e ex-diretor da CIA, além do próprio Niall Ferguson. Os debates abrangem ainda os desafios da economia brasileira, com foco em infraestrutura, diretrizes monetárias e ambiente de negócios.
O evento conta com a parceria estratégica de mídia do portal Poder360, responsável por uma cobertura jornalística abrangente de todas as palestras e painéis. A estrutura do festival inclui um estúdio montado no pavilhão de exposições para a realização de entrevistas exclusivas com executivos e especialistas, cujos conteúdos são transmitidos em tempo real pelo canal oficial no YouTube.
Fonte:: poder360.com.br




