A multinacional sul-coreana LG tomou uma decisão definitiva em relação às suas operações comerciais no país. A empresa confirmou oficialmente o encerramento permanente das vendas de notebooks no território brasileiro. A medida sacramenta o fim de um período de incertezas que já durava cerca de dois anos, durante o qual a comercialização desses dispositivos havia sido suspensa temporariamente enquanto a companhia avaliava a viabilidade financeira do segmento.
Com a nova diretriz estratégica, a marca opta por concentrar seus esforços e recursos financeiros em setores onde possui maior competitividade e consolidação de mercado no Brasil, a exemplo das linhas de televisores OLED, aparelhos de ar-condicionado, monitores, sistemas de áudio e eletrodomésticos da chamada linha branca.
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O fim da linha para os computadores portáteis da marca
A investida mais recente da empresa no setor de computadores portáteis havia ocorrido por meio da família de produtos conhecida como LG Gram. A proposta central dessa linha consistia em entregar portabilidade extrema atrelada a uma construção sofisticada, posicionando os equipamentos em uma faixa de preço e exigência mais elevada dentro do mercado nacional.
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Contudo, as condições econômicas e a alta competitividade do setor impediram a sustentabilidade do modelo de negócios a longo prazo. Após um hiato que se estendia desde julho de 2024, a direção da companhia concluiu que a continuidade da oferta de portáteis não se alinhava mais aos objetivos globais e locais da corporação.
Dados divulgados por consultorias especializadas no setor de tecnologia, a exemplo da IDC, indicam que o mercado brasileiro de computadores portáteis movimenta volumes consideráveis — registrando, por exemplo, a marca de 1,15 milhão de unidades comercializadas apenas no primeiro trimestre de 2026. Apesar da relevância do volume de negócios no país, a margem e a dinâmica de concorrência não se mostraram vantajosas para a estrutura comercial da fabricante sul-coreana.
Direcionamento de foco para eletrônicos e eletrodomésticos
Sem a divisão de informática, a empresa planeja direcionar sua infraestrutura para fortalecer frentes consideradas altamente lucrativas e de forte penetração nos lares brasileiros. Entre as apostas principais estão as TVs com tecnologia OLED, que mantêm reconhecimento técnico de ponta, além das categorias de áudio e monitores voltados tanto para o público profissional quanto para o segmento gamer.
No setor de climatização, a marca ostenta uma posição de destaque como líder na América Latina em vendas de aparelhos de ar-condicionado. A estratégia também abrange o fortalecimento da presença em utilidades domésticas, como máquinas de lavar roupas e micro-ondas.
Outro movimento expressivo da corporação no país envolve a expansão da infraestrutura industrial, com a ativação de uma unidade fabril em Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba. O projeto, voltado à fabricação local de refrigeradores, recebeu aportes financeiros estimados em R$ 2 bilhões, demonstrando que o compromisso de longo prazo com o mercado nacional permanece firme, apenas redirecionado para outros segmentos industriais.
O cenário atual do mercado de notebooks no país
O panorama geral do mercado brasileiro de notebooks é descrito por especialistas como maduro, mas sujeito a oscilações provocadas por fatores macroeconômicos, oscilações cambiais e custos de insumos tecnológicos globais, como a oferta restrita de chips de memória RAM.
O comportamento de consumo costuma seguir uma sazonalidade bem demarcada, registrando picos intensos de vendas durante o último trimestre de cada ano, período influenciado por datas promocionais como a Black Friday e pelas festividades de fim de ano. Em contrapartida, os meses iniciais costumam refletir uma desaceleração natural nas transações comerciais.
No entanto, o primeiro trimestre de 2026 apresentou um comportamento fora da curva habitual. O mercado enfrentou uma retração de 23% no volume de vendas na comparação com o trimestre imediatamente anterior, reflexo direto de pressões inflacionárias sobre os preços finais ao consumidor e de restrições na cadeia de suprimentos de componentes eletrônicos essenciais.
Liderança e concorrência no setor
Com a saída oficial da fabricante sul-coreana, a disputa pela preferência do consumidor brasileiro em computadores portáteis permanece concentrada em outras marcas tradicionais. Informações de mercado apontam que empresas como Acer, Lenovo e Asus formam o principal bloco de relevância e volume de vendas na categoria atualmente.
Outros nomes de peso no setor de eletrônicos de consumo, a exemplo de Apple e Samsung, mantêm participações estratégicas focadas em nichos específicos de maior valor agregado, embora não figurem entre os três maiores distribuidores de volume em termos de unidades comercializadas no país. A LG, por sua vez, encerra de vez sua trajetória nesse segmento específico, deixando o espaço em aberto para que os concorrentes absorvam a fatia de público que antes acompanhava a linha de portáteis da marca.
Fonte:: mundoconectado.com.br





