O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado oficializou neste domingo, 26, sua candidatura à Presidência da República pelo PSD durante convenção partidária. O lançamento marca a tentativa de consolidar seu nome como uma via alternativa à forte polarização política polarizada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Durante seu discurso direcionado à militância da legenda, o político goiano adotou tom duro contra os principais adversários apontados pelas pesquisas. “Não é possível que o Brasil vai querer optar por aqueles que são os maiores rejeitados da política nacional”, declarou. Em seguida, fez um apelo direto aos eleitores: “Me dê a chance, povo brasileiro, porque eu vou bater o Lula e nós vamos criar um país diferente e devolver o Brasil aos brasileiros de bem”.

Em entrevista coletiva concedida momentos antes do início do evento oficial, Caiado argumentou que tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro lideram as intenções de voto explorando divisões e o que chamou de “crises inúteis” para inflamar suas bases, desviando o foco das reais necessidades da população. Segundo o candidato, o atual chefe do Executivo federal busca atritos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enquanto o grupo ligado a Flávio prefere atacar autoridades institucionais.
“Para governar o país, precisa muito de independência moral e coragem pessoal. Coragem para poder, amanhã, libertar o País do sequestro do PT e das facções. De não ter um candidato que seja um ‘kinder ovo’, com uma surpresinha todo dia, que seja um candidato preparado pela oposição para representá-la no segundo turno”, pontuou o candidato do PSD.
O discurso do ex-governador também enfatizou o histórico de sua trajetória pública, destacando que sua vida política permaneceu distante de grandes escândalos de corrupção. Ele mencionou diretamente casos como o Mensalão, o Petrolão, o escândalo envolvendo o banco Master e desvios no INSS. “Aqui não, banco Master, aqui não tem espaço pra bandido crescer”, afirmou.
A postura atual consolida um distanciamento gradual em relação a Flávio Bolsonaro. Inicialmente, o político goiano evitou fazer críticas mais duras ao pré-candidato do PL após a divulgação de um áudio em que este pedia recursos ao ex-dono do Master, Daniel Vorcaro. No entanto, o tom mudou recentemente, com Caiado manifestando divergências públicas sobre a conduta de Flávio diante do tarifaço comercial imposto pelo governo americano ao Brasil e a questionamentos levantados por ele sobre a segurança das urnas eletrônicas.
Articulações e apoios internos no partido
Caiado migrou do União Brasil para o PSD no início do ano com o objetivo viabilizar a disputa nacional. Na nova legenda, precisou lidar com disputas internas pela indicação, enfrentando a preferência inicial voltada ao governador do Paraná, Ratinho Júnior — que acabou retirando seu pleito —, além da movimentação do governador gaúcho, Eduardo Leite.
Apesar da concorrência prévia, Eduardo Leite e Ratinho Jr. compareceram à convenção para manifestar apoio formal a Caiado, assim como José Roberto Arruda, pré-candidato no Distrito Federal. Contudo, a candidatura presidencial ainda não registra consenso absoluto dentro da estrutura partidária.
Governadores como Raquel Lyra (Pernambuco) e Eduardo Paes (Rio de Janeiro) optaram por não comparecer e mantêm alinhamento com a tentativa de reeleição de Lula. Mateus Simões, chefe do executivo em exercício e aliado de Romeu Zema em Minas Gerais, também esteve ausente.
Um dos principais atritos políticos recentes envolveu a ausência do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab — que compõe a chapa de Caiado como candidato a vice-presidente —, havia sinalizado a presença de Tarcísio. Contudo, o clima esfriou após a circulação de uma imagem conjunta entre ambos, agravada pelo fato de o governador paulista ter participado do evento de lançamento da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro no dia anterior.
Kassab buscou minimizar o episódio durante o evento, assegurando que o partido estruturará palanques estaduais em São Paulo e em outras regiões para pedir votos a Caiado, mesmo que lideranças regionais mantenham proximidade com figuras como Lula, Flávio ou Zema.
Com uma trajetória que inclui cinco mandatos como deputado federal, passagens pelo Senado e dois mandatos à frente do governo de Goiás, Ronaldo Caiado retorna à disputa pela chefia do Palácio do Planalto. Sua primeira incursão na corrida presidencial ocorreu em 1989, quando obteve menos de 1% dos votos válidos.
Fonte:: estadao.com.br




