Ronaldo caiado oficializa candidatura ao planalto pelo psd e mira em lula e flávio bolsonaro

Redação Rádio Plug
5 min. de leitura
Foto: Divulgação / Estadao.com.br

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado oficializou neste domingo, 26, sua candidatura à Presidência da República pelo PSD durante convenção partidária. O lançamento marca a tentativa de consolidar seu nome como uma via alternativa à forte polarização política polarizada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Durante seu discurso direcionado à militância da legenda, o político goiano adotou tom duro contra os principais adversários apontados pelas pesquisas. “Não é possível que o Brasil vai querer optar por aqueles que são os maiores rejeitados da política nacional”, declarou. Em seguida, fez um apelo direto aos eleitores: “Me dê a chance, povo brasileiro, porque eu vou bater o Lula e nós vamos criar um país diferente e devolver o Brasil aos brasileiros de bem”.

Ronaldo Caiado é candidato do PSD para a Presidência.

Em entrevista coletiva concedida momentos antes do início do evento oficial, Caiado argumentou que tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro lideram as intenções de voto explorando divisões e o que chamou de “crises inúteis” para inflamar suas bases, desviando o foco das reais necessidades da população. Segundo o candidato, o atual chefe do Executivo federal busca atritos com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enquanto o grupo ligado a Flávio prefere atacar autoridades institucionais.

“Para governar o país, precisa muito de independência moral e coragem pessoal. Coragem para poder, amanhã, libertar o País do sequestro do PT e das facções. De não ter um candidato que seja um ‘kinder ovo’, com uma surpresinha todo dia, que seja um candidato preparado pela oposição para representá-la no segundo turno”, pontuou o candidato do PSD.

O discurso do ex-governador também enfatizou o histórico de sua trajetória pública, destacando que sua vida política permaneceu distante de grandes escândalos de corrupção. Ele mencionou diretamente casos como o Mensalão, o Petrolão, o escândalo envolvendo o banco Master e desvios no INSS. “Aqui não, banco Master, aqui não tem espaço pra bandido crescer”, afirmou.

A postura atual consolida um distanciamento gradual em relação a Flávio Bolsonaro. Inicialmente, o político goiano evitou fazer críticas mais duras ao pré-candidato do PL após a divulgação de um áudio em que este pedia recursos ao ex-dono do Master, Daniel Vorcaro. No entanto, o tom mudou recentemente, com Caiado manifestando divergências públicas sobre a conduta de Flávio diante do tarifaço comercial imposto pelo governo americano ao Brasil e a questionamentos levantados por ele sobre a segurança das urnas eletrônicas.

Articulações e apoios internos no partido

Caiado migrou do União Brasil para o PSD no início do ano com o objetivo viabilizar a disputa nacional. Na nova legenda, precisou lidar com disputas internas pela indicação, enfrentando a preferência inicial voltada ao governador do Paraná, Ratinho Júnior — que acabou retirando seu pleito —, além da movimentação do governador gaúcho, Eduardo Leite.

Apesar da concorrência prévia, Eduardo Leite e Ratinho Jr. compareceram à convenção para manifestar apoio formal a Caiado, assim como José Roberto Arruda, pré-candidato no Distrito Federal. Contudo, a candidatura presidencial ainda não registra consenso absoluto dentro da estrutura partidária.

Governadores como Raquel Lyra (Pernambuco) e Eduardo Paes (Rio de Janeiro) optaram por não comparecer e mantêm alinhamento com a tentativa de reeleição de Lula. Mateus Simões, chefe do executivo em exercício e aliado de Romeu Zema em Minas Gerais, também esteve ausente.

Um dos principais atritos políticos recentes envolveu a ausência do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab — que compõe a chapa de Caiado como candidato a vice-presidente —, havia sinalizado a presença de Tarcísio. Contudo, o clima esfriou após a circulação de uma imagem conjunta entre ambos, agravada pelo fato de o governador paulista ter participado do evento de lançamento da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro no dia anterior.

Kassab buscou minimizar o episódio durante o evento, assegurando que o partido estruturará palanques estaduais em São Paulo e em outras regiões para pedir votos a Caiado, mesmo que lideranças regionais mantenham proximidade com figuras como Lula, Flávio ou Zema.

Com uma trajetória que inclui cinco mandatos como deputado federal, passagens pelo Senado e dois mandatos à frente do governo de Goiás, Ronaldo Caiado retorna à disputa pela chefia do Palácio do Planalto. Sua primeira incursão na corrida presidencial ocorreu em 1989, quando obteve menos de 1% dos votos válidos.

Fonte:: estadao.com.br

Anúncios
Compartilhe este artigo