Um abalo sísmico de magnitude 5,6 na escala Richter foi registrado na noite da última quinta-feira, dia 30, no território peruano, a uma distância aproximada de 60 quilômetros da fronteira com o Brasil, especificamente na região do estado do Acre. Até o fechamento desta reportagem, as autoridades locais e os órgãos de defesa civil não contabilizaram registros de vítimas fatais, feridos ou danos materiais severos em edificações e infraestruturas públicas ou privadas.
As informações técnicas foram divulgadas pelo United States Geological Survey (USGS), órgão geológico dos Estados Unidos que monitora a atividade sísmica global. Conforme os dados oficiais, o evento telúrico aconteceu exatamente às 21h58, no horário oficial de Brasília. O epicentro foi localizado nas proximidades da cidade peruana de Pucallpa.
Especialistas apontam que o tremor teve o seu hipocentro calculado a uma profundidade considerável, estimada em 154 quilômetros abaixo da superfície terrestre. Esse fator geológico é determinante, pois a grande profundidade costuma atenuar a energia dissipada na superfície, reduzindo de maneira drástica a probabilidade de destruição e estragos de maior gravidade nas áreas habitadas.
Repercussão e reflexos na região de fronteira
Logo após a ocorrência do fenômeno, moradores de diversas localidades no Peru utilizaram as plataformas digitais para relatar que sentiram o solo tremer. Por outro lado, do lado brasileiro da fronteira, não houve registros imediatos ou chamados generalizados de moradores relatando a percepção do abalo. A cidade brasileira situada geograficamente mais próxima à região epicentral é Mâncio Lima, no extremo oeste acreano.
A frequência com que o Peru é atingido por eventos dessa natureza está diretamente relacionada à sua posição geográfica. O país sul-americano está situado nas proximidades da borda de convergência da placa tectônica sul-americana. Além disso, o território peruano está inteiramente inserido na chamada faixa geológica conhecida como Círculo de Fogo do Oceano Pacífico, uma extensão em formato de ferradura que concentra a grande maioria dos terremotos e erupções vulcânicas de todo o planeta.
O contexto geológico brasileiro
Em contrapartida, o Brasil está posicionado geologicamente no interior da placa tectônica sul-americana, uma área considerada tectonicamente mais estável, conhecida como escudo ou plataforma continental. Por essa razão, o território brasileiro registra um número muito menor de eventos sísmicos, e a grande maioria dos tremores sentidos no país apresenta baixa intensidade, muitas vezes passando despercebida pela população.
Apesar da estabilidade interna da placa, tremores de terra de maior intensidade ocorridos em nações vizinhas que compõem a cordilheira dos Andes ou regiões fronteiriças frequentemente propagam ondas sísmicas que conseguem ser sentidas em solo brasileiro. Um exemplo histórico ocorreu com o abalo duplo que atingiu a Venezuela em junho, cujos reflexos alcançaram capitais distantes como Manaus e Belém. Embora o impacto em território nacional tenha sido brando e sem prejuízos estruturais de relevo, eventos extremos na região andina e caribenha já demonstraram seu potencial destrutivo no passado, a exemplo de catástrofes históricas na própria Venezuela registrou mais de cinco mil mortes decorrentes de tremores severos.
As equipes de monitoramento geológico continuam acompanhando a movimentação das placas na região andina para identificar possíveis tremores secundários, as chamadas réplicas, que costumam ocorrer após sismos de magnitude moderada a alta.
Fonte:: estadao.com.br




