Entidades de imprensa repudiam investigação que expôs fonte de jornalista

Redação Rádio Plug
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Foto: © Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil/Arquivo

Entidades representativas do jornalismo brasileiro manifestaram repúdio e profunda preocupação em relação a medidas adotadas no âmbito de uma investigação policial que culminou, segundo apontam, na revelação da identidade de uma fonte do jornalista Luís Pablo, que atua no estado do Maranhão. A manifestação conjunta coloca em debate os limites entre a apuração de crimes e a preservação de garantias fundamentais previstas na Constituição Federal.

O episódio está inserido em um inquérito conduzido pela Polícia Federal que apura um suposto esquema de monitoramento ilegal voltado contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino e seus familiares. De acordo com os dados que vieram à tona sobre a investigação, há suspeitas de que tenha ocorrido acesso de maneira indevida a dados sob sigilo e o posterior repasse desses elementos ao profissional da imprensa, que utilizou o material para produzir reportagens a respeito do magistrado.

A operação policial em questão contou com autorização do ministro Alexandre de Moraes e teve como um dos alvos o ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão, Raimundo Cutrim, apontado pelas autoridades como o informante que repassou os dados ao repórter.

Defesa da liberdade de imprensa e do sigilo

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) foi uma das vozes a se posicionar de forma firme contra o desdobramento da operação, classificando o ocorrido como uma clara violação do sigilo da fonte. Para a diretoria da organização, expor a pessoa que transmite informações a um profissional da comunicação gera um precedente perigoso e ameaça diretamente o livre exercício da atividade jornalística e a própria liberdade de imprensa no território nacional.

Em trecho divulgado de seu posicionamento oficial, a instituição pontuou: “Apreender equipamento jornalístico e quebrar a fonte do profissional colocam em risco o exercício da profissão no país. Se existe necessidade de apurar algum crime, que isso seja feito sem violar ou relativizar uma garantia constitucional dos jornalistas, mas que também é crucial para a própria solidez da democracia”.

Apesar de reconhecer que autoridades policiais têm o direito de investigar a origem ou a forma como determinados dados foram obtidos, a associação sustentou que tal procedimento jamais pode atropelar a proteção constitucional garantida à confidencialidade das fontes.

Cobrança por esclarecimentos

Em sintonia com a Abraji, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), atuando em conjunto com o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Maranhão (Sindjor-MA), também externou apreensão diante da possibilidade de que o direito constitucional ao sigilo tenha sido desrespeitado. O ordenamento jurídico brasileiro, por meio do artigo 5º da Constituição Federal, assegura o acesso à informação e resguarda o sigilo profissional como ferramenta indispensável.

As entidades argumentam que tal salvaguarda é pilar básico para assegurar que reportagens de relevante interesse público continuem a ser produzidas sem o temor de represálias estatais. Diante do cenário, as organizações exigiram respostas formais das autoridades envolvidas.

“O Sindjor-MA e a Fenaj solicitam esclarecimentos públicos e formais sobre os critérios que autorizaram o acesso às comunicações do jornalista Luís Pablo com suas fontes, a garantia de que nenhum outro informante será identificado ou perseguido a partir do material apreendido e a preservação integral dos equipamentos jornalísticos sob sigilo”, ressaltaram na nota conjunta.

Repercussão no Supremo Tribunal Federal

O caso gerou repercussão direta dentro da mais alta Corte do país. O presidente do STF, ministro Edson Fachin, manifestou-se publicamente sobre o episódio, fazendo questão de reiterar o compromisso institucional do tribunal com a defesa intransigente da liberdade de imprensa e com a proteção ao sigilo da fonte jornalística.

Na ocasião, Fachin pontuou que o jornalismo legítimo não pode figurar como alvo de investigações e sinalizou que o assunto deverá retornar aos debates no plenário da Suprema Corte para discussões mais aprofundadas.

Por sua vez, o ministro Alexandre de Moraes, magistrado que chancelou as medidas investigativas que originaram as críticas, argumentou que o foco da operação policial não consiste em criminalizar ou impor barreiras à prática jornalística. Conforme a argumentação do ministro, o objetivo central da apuração é esclarecer eventuais crimes relacionados à obtenção e circulação irregular de informações protegidas por sigilo.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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