Quase um terço dos brasileiros utiliza inteligência artificial rotineiramente no país

Redação Rádio Plug
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Usuários declararam fornecer diversos tipos de ...

Quase um terço dos brasileiros com 16 anos ou mais adota ferramentas de inteligência artificial (IA) com frequência diária ou quase diária, de acordo com um levantamento inédito divulgado recentemente. Os números revelam uma alta penetração dessas tecnologias no cotidiano da população, mostrando que a grande maioria dos internautas brasileiros interage com algum tipo de sistema automatizado, seja de forma esporádica ou contínua.

O panorama faz parte da 3ª edição da pesquisa “Privacidade e proteção de dados pessoais: perspectivas de indivíduos, empresas e organizações públicas no Brasil”. A íntegra do documento detalha o comportamento dos cidadãos frente às novas tecnologias e o grau de conscientização sobre a segurança das informações compartilhadas.

Durante as interações com assistentes virtuais, chatbots e outras plataformas baseadas em inteligência artificial, os cidadãos relataram fornecer uma ampla variedade de informações sensíveis e cotidianas. A maior fatia desse volume de dados refere-se a demandas profissionais ou acadêmicas, alcançando 73% das menções. No entanto, o fluxo de informações vai muito além do ambiente corporativo ou de ensino.

Os participantes da pesquisa admitiram repassar com frequência detalhes sobre seus gostos e preferências pessoais, registros relacionados a sentimentos e estados emocionais, informações sobre o próprio estado de saúde, fotografias pessoais e de conhecidos, além de dados financeiros e particulares diversos.

Eis os dados dos usuários de IA:

Eis os dados fornecidos:

O levantamento estatístico foi concebido e executado pelo Cetic.br (Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação), que atua como um departamento do NIC.br (Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR). Todo o trabalho é vinculado diretamente ao CGI.br (Comitê Gestor da Internet no Brasil).

Metodologia da pesquisa

Para chegar a esses resultados, a equipe responsável ouviu 2.500 cidadãos brasileiros considerados usuários de internet e com idade igual ou superior a 16 anos. A coleta das informações ocorreu em dezembro de 2025, utilizando o método Cawi, que consiste em entrevistas realizadas de forma on-line e assistidas por computador.

O tratamento estatístico e o cálculo dos pesos aplicados no estudo basearam-se em rigorosos modelos analíticos e de calibração. Para isso, os pesquisadores utilizaram como parâmetros as estimativas populacionais oficiais fornecidas pela Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) e os índices de usuários de rede mapeados pela TIC Domicílios.

A divulgação oficial dos dados ocorreu durante a 17ª edição do Seminário de Proteção à Privacidade e aos Dados Pessoais. O evento acadêmico e institucional é promovido anualmente em uma parceria conjunta entre o NIC.br e o CGI.br, servindo de palco para debates cruciais sobre o futuro digital do país.

O papel da LGPD e os desafios regulatórios

O avanço massivo das tecnologias inteligentes e a consequente exposição de informações colocam em evidência a importância da Lei Geral de Proteção de Dados, amplamente conhecida pela sigla LGPD. Tratando-se da primeira legislação nacional dedicada exclusivamente à salvaguarda da privacidade dos cidadãos, a norma posiciona o Brasil em patamares internacionais mais exigentes, alinhando o país a diretrizes de órgãos globais como a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

A regulamentação estabeleceu de forma clara definições fundamentais, distinguindo o que constitui um dado pessoal comum de um dado pessoal sensível. Além disso, a legislação estruturou nove modalidades distintas de penalidades aplicáveis àqueles que violarem as regras e instituiu a ANPD (Autoridade Nacional de Proteção Domiciliar e de Dados) como o órgão fiscalizador responsável por zelar pelo cumprimento das normas.

A legislação atual requer, entre outras exigências:

  • manter uma política de privacidade acessível;
  • a divulgação das políticas de privacidade redigidas em português;
  • informar de maneira transparente quais tipos de dados são tratados;
  • divulgação de informações claras sobre os direitos garantidos aos usuários;
  • identificar formalmente a pessoa ou setor responsável pelo tratamento das informações;
  • detalhamento rigoroso sobre eventuais processos de transferência de dados para fora do território brasileiro.

Caso os cidadãos identifiquem que tiveram os seus direitos de privacidade de dados pessoais ou sensíveis violados, existem caminhos formais para buscar reparação e fiscalização:

  • entrar em contato direto com a empresa, desenvolvedor ou instituição que possa ter cometido a infração;
  • comunicar formalmente à ANPD sobre o incidente por meio de uma petição digital, permitindo que o órgão apure a irregularidade. O envio do documento pode ser realizado diretamente na página oficial da autarquia (acesse aqui para compreender o passo a passo e obter o formulário adequado e aqui para protocolar o pedido);
  • registrar uma denúncia oficial por meio de um boletim de ocorrência junto à autoridade policial competente, caso haja indícios de crime cibernético ou uso indevido de identidade.

Fonte:: poder360.com.br

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