O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal, protocolou formalmente uma proposta com o objetivo de proibir que militares das Forças Armadas e servidores de carreiras policiais ocupem cargos comissionados ou funções de confiança diretamente nos gabinetes dos ministros da mais alta corte do país.
A medida consiste em uma proposta de emenda ao Regimento Interno do STF. Com o novo texto, a discussão inicial que tratava exclusivamente de restringir a presença de delegados da Polícia Federal junto aos gabinetes ganha uma abrangência consideravelmente maior, refletindo um movimento interno por novas diretrizes de compliance e transparência institucional no tribunal.
De acordo com os termos apresentados pelo decano, a vedação se estenderá aos militares e a todas as corporações policiais englobadas pelo artigo 144 da Constituição Federal. A restrição permanece válida mesmo se esses profissionais estiverem formalmente licenciados de suas funções originais ou cedidos de maneira temporária para prestar serviços à Suprema Corte brasileira.
A única exceção estipulada no documento refere-se àqueles que desempenham estritamente atividades de segurança pessoal ou patrimonial. Nesses casos específicos, a atuação precisará ser comunicada formalmente pela chefia do gabinete diretamente à Secretaria do STF. Contudo, mesmo com a autorização para serviços de guarda e proteção, esses servidores continuarão expressamente proibidos de tomar parte na instrução de inquéritos, na análise de processos judiciais e no fornecimento de assessoramento jurídico aos magistrados.
Além das inovações para futuras contratações, o texto normativo traz previsões de efeitos imediatos para a estrutura já existente na corte. Caso a resolução seja aprovada e publicada, caberá à presidência do Supremo adotar as providências necessárias para viabilizar o retorno imediato aos órgãos de origem de todos os servidores que se encontrem em situação de incompatibilidade com as novas diretrizes regimentais.
Tramitação e análise na Comissão de Regimento
Com a formalização da proposta redigida por Gilmar Mendes, o trâmite processual interno determina que o material seja submetido inicialmente à Comissão do Regimento do Supremo. Após a emissão de pareceres e manifestações por parte dos membros que compõem este colegiado, o passo seguinte consistirá na convocação oficial de uma sessão administrativa para o debate aprofundado e a eventual votação da matéria pelo Plenário da Corte.
Atualmente, a Comissão do Regimento é liderada pelo ministro Luiz Fux. O grupo de trabalho também conta com a participação efetiva dos ministros Edson Fachin e Alexandre de Moraes, tendo o ministro Nunes Marques na condição de suplente oficial. O colegiado configura uma das instâncias permanentes previstas na organização interna do tribunal, detendo a responsabilidade regulamentar de analisar propostas voltadas a modificar os fluxos e as normas de funcionamento da instituição.
Contexto institucional e tensões recentes
A iniciativa do decano surge em um momento marcado por debates e atritos institucionais envolvendo o Supremo Tribunal Federal e órgãos de segurança pública, notadamente a Polícia Federal. O cenário de discussões se acentuou a partir de desdobramentos de investigações complexas conduzidas na corte, como os inquéritos ligados ao Banco Master.
Antes de formalizar a proposta de emenda, Gilmar Mendes já havia externado em diálogos institucionais a avaliação de que a presença de delegados federais atuando na condição de assessores cedidos nos gabinetes deveria ser revista. O tema ganhou relevância pública em meio ao embate público e institucional entre o ministro André Mendonça — relator de investigações sensíveis no tribunal — e o diretor-geral da corporação policial, Andrei Rodrigues.
A proximidade entre policiais cedidos e os gabinetes ganhou os holofotes após decisões judiciais que determinaram a retirada de sigilo de relatórios produzidos pela corporação. O episódio estimulou discussões intensas sobre os limites da atuação de servidores cedidos a gabinetes ministeriais e o potencial impacto dessa proximidade sobre a condução de investigações em andamento no tribunal. A cúpula da Polícia Federal, por sua vez, sinalizou compreensão em relação aos debates que buscam impor limites e maior distanciamento funcional.
Ao redigir o texto da proposta de emenda regimental, Gilmar Mendes optou por ampliar o escopo da discussão para além do foco inicial nos delegados federais, incluindo expressamente as Forças Armadas e as demais polícias estaduais e federais no rol de vedações para cargos administrativos e de assessoramento jurídico.
Para consultas adicionais sobre os termos e a fundamentação jurídica do documento protocolado, é possível acessar o arquivo com a íntegra da proposta de emenda do Regimento Interno.
Fonte:: conjur.com.br


