Quais são as bebidas que mais marcam presença nas compras dos lares paranaenses? A dúvida desperta curiosidade, mas um levantamento detalhado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ajuda a esclarecer o comportamento de consumo da população no estado. Os dados fazem parte da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), um estudo abrangente que analisa a estrutura financeira das famílias, incluindo receitas, despesas de aquisição e o perfil nutricional dos brasileiros.
É importante destacar que o foco estatístico recai estritamente sobre os produtos adquiridos para consumo interno nos domicílios, deixando de fora qualquer tipo de consumo realizado em bares, restaurantes ou estabelecimentos comerciais externos. Embora a edição mais recente da pesquisa tenha ouvido mais de 103 mil famílias em todo o território nacional entre 2024 e 2025, os resultados consolidados dessa nova etapa ainda aguardam publicação oficial.
Dessa forma, as informações mais detalhadas disponíveis baseiam-se na edição anterior do levantamento. Com base nesses registros, confirma-se que a água mineral, a cerveja, os refrigerantes de cola e guaraná, além do café, lideram disparados a preferência e a lista de compras das famílias no Paraná. Embora o cenário reflita percepções cotidianas já conhecidas empiricamente, os números transformam impressões em dados concretos.
No topo da lista de aquisições domiciliares está a água mineral. Cada morador consome, em média, cerca de 10,1 quilos do produto por ano, o que representa mais de um quinto (20,98%) do total de 48,15 quilos de bebidas e infusões compradas individualmente em média no período. Vale lembrar que o levantamento contabiliza exclusivamente a água comercializada em garrafas, copos ou galões, utilizando o quilograma como unidade padrão de medida para o abastecimento alimentar em casa.
Logo atrás da água mineral aparece a cerveja, registrando uma média de 9,7 quilos por pessoa anualmente. Na sequência dos itens mais adquiridos pelos paranaenses, destacam-se o refrigerante de sabor cola, com 9,5 quilos per capita, e o refrigerante de guaraná, com 4,2 quilos.
O papel de destaque e a força do café no cotidiano
Outro produto que ocupa um espaço de grande relevância no paladar da população estadual é o café. O levantamento aponta que cada habitante adquire, em média, 3 quilos do produto por ano no Paraná. Como o item é comercializado predominantemente na forma moída, o volume ganha nova proporção ao ser preparado: cada quilo de café em pó é capaz de render aproximadamente 10 litros da bebida pronta, variando conforme o método de extração e a concentração utilizada.
Diante desse rendimento expressivo, é bastante provável que o café dispute o topo do consumo real com a água, considerando que boa parte da população também recorre à água da torneira ou a filtros comuns para suprir a hidratação diária, volume este que não entra na conta da água mineral engarrafada.
Mudanças de hábitos revelam alta no álcool e queda nos refrigerantes
Comparando os dados da POF de 2018 com a edição anterior, divulgada em 2008, nota-se uma leve retração de 4,8% na aquisição total de bebidas e infusões pelos paranaenses, cujo volume médio passou de 50,6 quilos per capita ao ano para 48,2 quilos.
No entanto, a análise por categorias revela transformações marcantes no comportamento de compra ao longo de uma década. As bebidas alcoólicas dentro dos lares registraram um crescimento expressivo de 28%, saltando de 8,6 quilos por pessoa ao ano para 11 quilos. O principal motor dessa alta foi a cerveja, cujo consumo anual subiu de 7,3 litros para 9,7 litros, registrando um incremento de 33,9%.
A expansão mais impressionante, contudo, veio da água mineral, que disparou de 5,9 quilos para 10,1 quilos, acumulando uma variação positiva de 70,8% no período analisado.
Em sentido oposto, os refrigerantes perderam espaço considerável na preferência das famílias paranaenses. A média de consumo desabou de 24,2 quilos para 16,1 quilos, o que representa uma queda de 33,4%. As retrações mais acentuadas foram observadas nas versões de cola (-39,3%) e de limão (-44,8%).
Enquanto os refrigerantes tradicionais recuavam, outras categorias ganharam forte impulso nos carrinhos de compras. As bebidas energéticas viram o consumo saltar de 0,12 quilo para 0,28 quilo por pessoa, uma alta expressiva de 139,3%. No mesmo ritmo de crescimento acelerado, os sucos de fruta envasados mais que dobraram a presença nos lares, passando de 1,16 quilo para 2,5 quilos per capita, alta de 115,3%.
Fonte:: bemparana.com.br


