Documentário inédito celebra o legado artístico de Efigênia Rolim em Curitiba

Redação Rádio Plug
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Efigênia Rolim, artista que transformou lixo em...

A trajetória marcante de Efigênia Rolim foi celebrada em uma noite especial realizada no Pátio Batel, em Curitiba. O evento marcou a abertura da segunda edição da ocupação “Vestir o Olhar”, no Átrio do Piso L1, reunindo familiares, amigos, artistas e entusiastas da cultura para a exibição em primeira mão de um curta-metragem biográfico produzido em conjunto pelo centro de compras e pelo Museu Oscar Niemeyer (MON). O material audiovisual segue disponível ao público tanto no espaço da exposição quanto nos canais oficiais das instituições organizadoras na internet.

Originária de Abre Campo, Minas Gerais, onde nasceu em 1931, Efigênia radicou-se na capital paranaense e encontrou na década de 1990 o ponto de virada para sua carreira artística. A partir do momento em que recolheu um papel de bala brilhante descartado nas ruas, iniciou uma jornada de transformação criativa. Embalagens metalizadas, plásticos e papéis que iriam para o lixo ganharam nova vida convertidos em vestidos ornamentados, adereços e esculturas de tonalidades intensas. Atuando também como poeta e educadora, ela consolidou uma trajetória pioneira ao unir a sustentabilidade do reaproveitamento de resíduos à expressividade da moda e das artes visuais. A artista faleceu em março, aos 94 anos de idade.

O documentário recém-lançado joga luz sobre o processo de confecção da icônica escultura “Rainha do Planeta”, peça integrada à mostra “Vestir o Olhar II” por meio de um empréstimo do MON. Com 1,88 metro de altura, a obra consiste em um manequim inteiramente revestido por recicláveis, representando a maturidade criativa da autora. Se no começo de sua produção as flores moldadas com papéis de bala enfeitavam vestimentas de bonecas e suas próprias roupas, com o passar dos anos a técnica expandiu-se para ocupar estruturas de grande porte. Na visão de Efigênia, a Rainha personificava uma entidade natural guardiã do meio ambiente, sintetizando uma carreira pautada pela harmonia entre ecologia e expressão artística.

Além da contribuição do museu paranaense, a exposição atual conta com trabalhos cedidos pela galeria curitibana Simões de Assis e por colecionadores particulares. Para a equipe organizadora, a inclusão da artista era indispensável. Conforme destaca Camila Fleischfresser, gerente de marketing do shopping, Efigênia era uma figura de destaque na paisagem urbana local e sua ausência na celebração da relação entre moda e arte seria impensável, representando um grande privilégio prestar-lhe essa homenagem em vida e memória.

A colaboração com o Museu Oscar Niemeyer vai além da produção cinematográfica. A instituição museológica não apenas integrou uma peça de seu acervo à mostra principal, mas também coordenou a seleção de videoartes exibidas no telão central e preparou uma exposição simultânea intitulada “Efigênia Rolim: A Poética do Resíduo”, situada no Espaço Homenagem.

Com assinatura curatorial de Ana Carolina Ralston e produção executiva sob a responsabilidade da Ayo Cultural, a iniciativa “Vestir o Olhar” propõe uma reflexão fundamentada na premissa de que a arte compõe e a moda expõe. A exposição reúne criações de nove nomes diferentes e permanece aberta à visitação gratuita do público até o dia 18 de outubro.

Fonte:: bemparana.com.br

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