Assembleia geral da ONU aprova resolução que condena embargo americano a cuba

Redação Rádio Plug
4 min. de leitura
Foto: © REUTERS/Mike Segar

A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou uma nova resolução contrária ao embargo econômico e comercial unilateral mantido pelos Estados Unidos contra Cuba. A deliberação ocorreu nesta quarta-feira e contou com ampla participação da comunidade internacional, evidenciando mais uma vez o debate de décadas em torno das sanções aplicadas à ilha caribenha.

O texto da medida recebeu 130 votos favoráveis, entre os quais o do Brasil. Por outro lado, 17 nações votaram de maneira contrária à proposta, enquanto 25 países optaram pela abstenção durante a plenária. Especialistas em relações internacionais apontam que este foi o patamar mais baixo de apoio ao fim do bloqueio registrado nas últimas três décadas nas instâncias da organização.

A retração no volume de votos favoráveis está diretamente associada a uma articulação diplomática e a uma campanha intensa conduzida pelos Estados Unidos junto a seus aliados tradicionais, no esforço de convencê-los a rejeitar ou se abster diante da pauta apresentada na Assembleia Geral.

A votação desta pauta é um evento recorrente no calendário diplomático global, tendo sido realizada em 33 ocasiões ao longo dos anos. O histórico das deliberações mostra uma evolução expressiva desde o início do processo. Na primeira oportunidade em que o tema foi debatido, em 1992, apenas 59 governos manifestaram apoio ao encerramento das restrições.

O ápice do endosso internacional ocorreu no período compreendido entre 2015 e 2017, quando 191 nações votaram conjuntamente pelo término do embargo. Aqueles anos foram marcados pela gestão do ex-presidente norte-americano Barack Obama, fase em que Washington e Havana buscaram ativamente caminhos de reaproximação diplomática e comercial.

No que tange à postura do Brasil, o país manteve historicamente o voto favorável ao término do bloqueio econômico na maioria das edições do pleito. Houve, contudo, desvios pontuais dessa diretriz diplomática durante a administração do ex-presidente Jair Bolsonaro. Na ocasião, o governo brasileiro registrou voto contrário às demandas cubanas em 2019, optando pela abstenção nos anos de 2021 e 2022.

Crise humanitária e impactos econômicos

O embargo econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba tem origens na década de 1960. Naquele período, Washington instituiu as punições comerciais como resposta e retaliação direta à revolução cubana ocorrida em 1959, que alterou profundamente a estrutura política e econômica do país caribenho.

Nos desdobramentos recentes, o cenário na ilha se tornou ainda mais complexo. O governo liderado por Donald Trump intensificou o pacote de sanções econômicas contra o território cubano, o que acabou por aprofundar de maneira severa a crise sistêmica enfrentada pela população local.

Como consequência direta do endurecimento das restrições, o cotidiano em Cuba passou a ser marcado por graves dificuldades de abastecimento. O país lida atualmente com desabastecimento crônico de energia elétrica, combustíveis, gás de cozinha, insumos farmacêuticos básicos e outros serviços fundamentais para a manutenção da qualidade de vida dos cidadãos.

Os indicadores econômicos refletem a gravidade da conjuntura atual. Levantamentos recentes apontam que a inflação acumulada na ilha registrou um salto expressivo, crescendo 25% na comparação com os índices consolidados no ano anterior, o que pressiona ainda mais o poder de compra da população e a capacidade de gestão do Estado cubano frente à crise.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

Anúncios
Compartilhe este artigo