A Apple confirmou que a maior parte de sua linha de computadores e tablets nos Estados Unidos terá um aumento de preços. Esta é a primeira ação formal da empresa para repassar aos consumidores o crescimento dos custos de memória e armazenamento.
O modelo mais acessível da marca, o MacBook Neo, teve seu preço alterado de US$ 599 para US$ 699, ou seja, um acréscimo de 100 dólares, o que equivale a aproximadamente R$ 3.628 na conversão direta.
Os novos preços já estão em vigor e, de acordo com a empresa, a mudança terá um alcance global. No entanto, produtos como o iPhone, Apple Watch e AirPods permanecem com os preços inalterados por enquanto.

Principais produtos que tiveram aumento de preço
A tabela a seguir resume os principais aumentos de preço anunciados, com os valores nos Estados Unidos e as conversões aproximadas com base na cotação atual. Os preços em reais não incluem impostos brasileiros ou taxas de importação:
| Produto | Preço anterior | Novo preço | Conversão (novo) |
|---|---|---|---|
| MacBook Neo | US$ 599 | US$ 699 | ~R$ 3.628 |
| MacBook Neo (Touch ID) | US$ 699 | US$ 799 | ~R$ 4.147 |
| MacBook Air | US$ 1.099 | US$ 1.299 | ~R$ 6.742 |
| MacBook Pro 14” (M5) | US$ 1.699 | US$ 1.999 | ~R$ 10.375 |
| iPad Air | US$ 599 | US$ 749 | ~R$ 3.887 |
| iPad Pro 11” | US$ 999 | US$ 1.199 | ~R$ 6.223 |
| Vision Pro | US$ 3.499 | US$ 3.699 | ~R$ 19.198 |
Produtos da linha profissional também tiveram aumento: o Mac Studio com M4 Max passou a custar US$ 2.499, enquanto a versão com M3 Ultra foi para US$ 5.299. Dispositivos como HomePod, HomePod mini e Apple TV também estão inclusos nesta rodada de reajustes.
O caso do MacBook Neo é particularmente notável, pois foi lançado recentemente como uma opção de entrada para o sistema operacional macOS. Com o aumento de US$ 100, o preço se torna mais próximo da concorrência que ele inicialmente tentava superar.
Até o momento, os novos preços se aplicam apenas aos Estados Unidos, e a Apple ainda não atualizou as informações oficiais para o Brasil.
Historicamente, a empresa costuma aplicar reajustes no mercado nacional nas semanas seguintes ao anúncio nos Estados Unidos. No Brasil, os aumentos tendem a ser mais impactantes devido à presença de impostos de importação que encarecem ainda mais os produtos.

Aumento de preços relacionado à memória
A justificativa da Apple para os aumentos é o aumento nos preços de memória e armazenamento, que tem pressionado toda a indústria. A consultoria Counterpoint Research reporta que esses componentes tiveram um aumento significativo nos últimos três trimestres.
O problema está ligado à crescente demanda por memória de alta largura de banda, utilizada em servidores de inteligência artificial, o que resulta em margens de lucro mais elevadas. Fabricantes como Samsung, SK Hynix e Micron estão redirecionando sua capacidade para atender essa demanda, reduzindo assim a disponibilidade de chips para notebooks e tablets.
A Micron, por exemplo, recentemente informou que sua receita quadruplicou, com a margem bruta saltando de 39% para quase 85%, superando empresas como Nvidia e Meta.

Declarações de Tim Cook
O anúncio do aumento de preços não surpreendeu o mercado, uma vez que Tim Cook já havia sinalizado a inevitabilidade desse reajuste em entrevista ao Wall Street Journal. Ele mencionou que a atual situação é uma “crise única em um século”, ressaltando que nunca havia testemunhado algo assim em toda sua carreira.
No comunicado divulgado pela empresa, a Apple admitiu que o setor de eletrônicos de consumo enfrenta desafios sem precedentes, garantindo que está trabalhando para mitigar os impactos.
“Precisamos começar a aumentar os preços de vários produtos. Estamos cientes de que esta não é uma notícia bem-vinda e estamos trabalhando arduamente para encontrar soluções”, comunicou a companhia.
A decisão de reajustar preços segue um padrão da Apple, que já havia alterado anteriormente o preço do Mac mini, aumentando sua configuração de entrada de US$ 599 para US$ 799.
iPhone, Apple Watch e AirPods mantêm preços
Até o momento, três categorias de produtos não sofreram alterações: iPhone, Apple Watch e AirPods permanecem com os preços anteriores. Essa decisão é estratégica, visto que o iPhone é a principal
A reação no mercado foi imediata, com as ações da Apple registrando uma queda de cerca de 5%, a maior desde fevereiro. Durante o ajuste nos preços, a loja online da empresa enfrentou instabilidade, ficando fora do ar por alguns minutos.
Contudo, a pressão sobre os custos continua, e a consultoria S&P Global prevê que os preços da memória deverão permanecer elevados pelo menos até 2028, alimentados pela demanda de inteligência artificial, o que poderá resultar em novos aumentos.
Próximo balanço financeiro em julho
A expectativa é que a próxima assembleia de resultados ocorra em 30 de julho, quando a Apple apresentará as finanças do terceiro trimestre fiscal. Analistas estarão atentos a detalhes sobre qual parte dos custos adicionais a empresa pretende absorver e quanto será repassado aos consumidores.
Adicionalmente, há uma questão temporal significativa, já que Tim Cook deixará o cargo em 1º de setembro, entregando a liderança a John Ternus antes do lançamento do iPhone 18. Isso pode proporcionar a Ternus a oportunidade de se distanciar de potenciais desgastes relacionados a novos reajustes.
Para o consumidor brasileiro, o cenário se torna ainda mais complicado. A importação desses produtos sujeita os compradores a tributos federais, estaduais e municipais, além de despesas de frete, tornando os preços finais significativamente mais altos em comparação com os valores praticados nos Estados Unidos.
Fonte(s): 9to5Mac, CNBC e The Verge
Fonte:: mundoconectado.com.br




