O atacante pernambucano Walter, com passagens marcantes pelo futebol brasileiro, abriu o jogo sobre os impactos financeiros e profissionais decorrentes de sua suspensão por doping. Em entrevista recente, o jogador revelou ter acumulado um prejuízo estimado em R$ 2,5 milhões durante o período em que ficou afastado dos gramados após testar positivo para sibutramina, substância proibida que atua como inibidora de apetite.
A punição ocorreu em 2018, quando ele defendia o CSA, e o manteve longe das competições oficiais até julho de 2020. De acordo com o atleta, o alto custo de manutenção do seu padrão de vida na época, aliado à interrupção repentina dos vencimentos contratuais, pesou drasticamente em suas finanças pessoais durante os dois anos de suspensão.
Antes do episódio que interrompeu sua trajetória, o jogador desfrutou de um período de estabilidade financeira entre 2014 e 2018, defendendo clubes de expressão nacional como Fluminense, Athletico, Goiás, Atlético-GO e Paysandu, além da equipe alagoana. O centroavante reconheceu que os ganhos eram expressivos, mas pondera que as escolhas feitas ao longo da carreira exigiram cobranças severas.
Walter em ação pelo Athletico em 2020. Foto: Geraldo Bubniak/Agência Estado/Icon Sport
A relação com o Athletico e o apoio de Petraglia
Após o término da suspensão, o atacante encontrou abrigo para retomar a carreira justamente no clube paranaense, sob a gestão do presidente Mario Celso Petraglia. Em maio de 2020, o atleta integrou o elenco no CT do Caju e passou por um rigoroso processo de recondicionamento físico e nutricional, resultando na perda de 23 kg para estrear com 94 kg naquele ano.
Somando suas duas passagens pela equipe de Curitiba, Walter acumulou 94 partidas disputadas, 17 gols marcados e a fama eterna de provocador do rival Coritiba em clássicos estaduais.
O jogador fez questão de externar gratidão ao dirigente rubro-negro pelo respaldo recebido em um dos momentos mais delicados de sua trajetória profissional, lamentando, contudo, não ter aproveitado integralmente as oportunidades de orientação oferecidas na época.
Reflexões sobre o ambiente do futebol e o futuro
Aos 37 anos e ainda em atividade após vestir a camisa de diferentes equipes modestas ao longo de sua trajetória recente, Walter admitiu que avalia a aposentadoria definitiva dos gramados. Ao olhar para o passado, o centroavante apontou a falta de instrução educacional como um dos seus maiores arrependimentos.
O atleta também não poupou críticas aos bastidores do esporte, denunciando práticas de aliciamento e esquemas financeiros envolvendo intermediários e dirigentes em algumas das equipes pelas quais passou. Para ele, a falta de preparo intelectual facilita que atletas sejam alvos de vantagens indevidas por parte de figuras influentes no meio esportivo.
Walter celebra conquista do Athletico em 2016, ano marcado por título e provocações no Atletiba. Foto: William Artigas / FotoArena/IconSport.
Fonte:: umdoisesportes.com.br


