Brasil pode ampliar reserva de petróleo para 23,5 bilhões de barris na próxima década

Redação Rádio Plug
7 min. de leitura
Foto: Plataforma de petróleo (REUTERS/Jamil Bittar)

O Brasil está diante da possibilidade de elevar suas reservas provadas de petróleo de 17 bilhões para impressionantes 23,5 bilhões de barris nos próximos dez anos. Para que essa estimativa se concretize, será essencial intensificar os investimentos nas atividades de recuperação de reservatórios, além de explorar novas fronteiras de petróleo, como a Margem Equatorial, que se estende da região do Amapá até o Rio Grande do Norte, e a Bacia de Pelotas, localizada no Rio Grande do Sul. Essas projeções foram apresentadas no Caderno Abespetro 2026, divulgado recentemente durante um evento no Rio de Janeiro.

A Abespetro, que representa os fornecedores da indústria de petróleo e gás, afirma que para atingir esses objetivos, o Brasil precisará destinar ao menos US$ 30,6 bilhões anualmente em investimentos específicos.

No entanto, o cenário se revela desafiador. Dados da Abespetro indicam que, entre 2018 e 2024, o Brasil não realizou nenhuma perfuração em áreas consideradas novas frentes de exploração, em contraste com outros países que avançaram consideravelmente nesse setor. A Noruega, por exemplo, perfurou 32 poços em novas fronteiras durante esse mesmo período, enquanto Guiana e Suriname somaram 62 perfurações. As regiões sul e oeste da África também se destacaram, contabilizando 28 poços perfurados.

Telmo Ghiorzi, presidente-executivo da Abespetro, enfatiza a importância de acelerar o processo de exploração para viabilizar a comercialização de novas reservas de petróleo. Para ele, a diferença entre a perfuração de um poço e o início da produção leva, em média, dez anos.

— Se levarmos em conta que cada autorização para verificação de jazida demora até doze anos, a situação se tornará crítica. O exemplo mais notável é o tempo que levou para obter autorização para perfurar o primeiro bloco na Bacia da Foz do Amazonas, que variou desde a licitação da área, em 2003, até o licenciamento ambiental, que só será concluído em 2025. Se não retomarmos a perfuração de novos poços, corremos o risco de voltar a ser importadores de petróleo em 10 a 15 anos — advertiu Ghiorzi.

EUA e o interesse da China pelo petróleo americano

EUA: China busca aumentar importações de petróleo americano para diminuir dependência do Oriente Médio

Informações da Casa Branca indicam que o líder chinês está focado em reduzir a dependência das rotas do Golfo Pérsico, além de criticar as taxas cobradas sobre navios no Estreito de Hormuz.

Impactos do subsídio à gasolina: benefícios para a Petrobras e efeitos neutros para distribuidoras

A avaliação é que a política de subsídio diminui a necessidade de um eventual aumento nos preços enquanto pode aprimorar as margens de refino de gasolina da Petrobras.

Considerando as reservas atuais de 17 bilhões de barris e uma produção diária de 5 milhões de barris, estima-se que essas reservas poderiam garantir a produção até cerca de 2035. No entanto, se as reservas adicionais forem convertidas em reservas provadas, esse prazo pode ser estendido até 2042.

Ghiorzi ressalta que, além de estimular a exploração na Margem Equatorial e na Bacia de Pelotas, é vital aumentar o nível de recuperação dos campos já em produção. Para tanto, ele defende um maior investimento por parte de empresas privadas no Brasil, ressaltando a relevância das chamadas “campos maduros”.

O presidente-executivo citou a necessidade de a Petrobras facilitar a entrada de empresas independentes para aumentar a produção nos campos. Ele também criticou a atual estrutura regulatória, em especial a tributação sobre a exportação de petróleo, e solicitou alterações na política de conteúdo local. Existem no Congresso dois projetos de lei que visam minimizar o caráter punitivo relativa ao não cumprimento das metas de conteúdo local, com o objetivo de estimular mais investimentos no setor.

— Precisamos de mais empresas privadas no Brasil. Ao compararmos a participação das operadoras nos campos offshore em 2025, notamos que a Petrobras possui uma participação de 90,7%, o que é bastante concentrado. Em outras regiões, como parte da América do Sul (excluindo o Brasil), a ExxonMobil conta com 82,5% de participação, enquanto a Equinor no Mar do Norte tem 56%. Além disso, a TotalEnergies tem 30,3% no oeste da África e a Pemex, 33,8% no Golfo do México — declarou Ghiorzi.

Retomada do setor e empregos

A Abespetro também apontou que o Brasil terminou o ano passado com 700 mil empregos diretos e indiretos no setor de petróleo e gás, número que retorna ao patamar de 2010, quando os postos de trabalho atingiram seu ápice histórico.

Contudo, no período seguinte, o setor enfrentou um declínio acentuado devido à crise provocada pela operação Lava Jato e pela drástica queda nos preços do petróleo, que inibiu os investimentos necessários.

Ghiorzi acredita que esses dados indicam uma recuperação do setor nos últimos anos, no entanto, ele frisa que é fundamental que o Brasil mantenha a frequência de leilões de novas áreas, considerando que o setor contribui com 11% do PIB nacional.

Por fim, o executivo comentou sobre a atual guerra envolvendo o Irã, que elevou os preços do petróleo para acima de US$ 100 por barril. Embora considere essa uma variável importante, ele alertou que o comportamento da commodity requer cautela e acompanhamento nos próximos meses.

— Ninguém toma decisões com base no preço atual ou imediato do petróleo, pois sabemos que a cotação é bastante volátil. As lições aprendidas na última década, quando o petróleo caiu de US$ 130 por barril para menos de US$ 30, levaram as companhias a adotar uma abordagem mais conservadora — finalizou Ghiorzi.

O post Brasil pode aumentar suas reservas de petróleo para 23,5 bilhões de barris na próxima década apareceu primeiro no InfoMoney.

Fonte:: infomoney.com.br

Advertisements
Compartilhe este artigo