Catar diz que negociações entre EUA e Irã precisam de ‘mais tempo’

Redação Rádio Plug
5 min. de leitura
Foto: Divulgação / Estadao.com.br

Na terça-feira, 19 de setembro, o Catar declarou que as negociações mediadas pelo Paquistão entre os Estados Unidos e o Irã necessitam de mais tempo para alcançar um acordo. A manifestação do país ocorreu um dia após o presidente americano, Donald Trump, ter anunciado o adiamento de ataques programados, oferecendo uma oportunidade para o avanço das discussões.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Catar, Majed al-Ansari, em entrevista coletiva, comentou: “Estamos apoiando o esforço diplomático do Paquistão, que demonstrou seu comprometimento ao reunir as partes e buscar uma solução. Acreditamos, contudo, que é imprescindível mais tempo”. Ele também destacou a preocupação do Catar com a população da região, enfatizando a necessidade de evitar que sejam os principais afetados por um possível aumento de tensões.

Trump, que decidiu prorrogar a trégua indefinidamente, deixou claro seu desejo de se afastar de um conflito que considera prejudicial do ponto de vista político. No dia 18 de setembro, ele revelou que atendeu ao pedido de líderes de países do Golfo, incluindo o Catar, ao desistir de um ataque programado contra o Irã.

O presidente americano também ressaltou que existem “ótimas chances” de se chegar a um entendimento com o Irã. Por outro lado, o Exército iraniano emitiu um comunicado, veiculado pela imprensa estatal, alertando que abrirá “novas frentes” caso os EUA reavivem os ataques. O porta-voz do Exército, Mohammad Akraminia, declarou: “Se o inimigo cometesse o erro de cair novamente na armadilha dos sionistas e realizar uma nova agressão contra nosso amado Irã, novas frentes seriam abertas contra ele”.

Após a implementação do cessar-fogo em 8 de abril, que encerrou quase 40 dias de confrontos, houve uma tentativa de negociações diretas entre Irã e EUA em Islamabad, no dia 11 de abril. No entanto, esse encontro não trouxe resultados positivos.

Desde então, os dois países têm trocado propostas para um acordo duradouro, no entanto, não houve progressos significativos, especialmente devido às divergências nas questões nucleares, que permanecem como um dos principais obstáculos nas conversações.

Expectativas e Demandas do Irã

Na resposta à última proposta dos EUA, que foi enviada a Washington na segunda-feira através do Paquistão, o Irã delineou suas exigências para um possível acordo. De acordo com a agência estatal de notícias iraniana Fars, o Ministério das Relações Exteriores do Irã enviou um conjunto de demandas, incluindo o término das hostilidades em todos os frontes, inclusive no Líbano, compensações para danos causados durante os conflitos para fins de reconstrução, e o levantamento do bloqueio marítimo imposto pelos EUA a Teerã.

Além disso, o país exigiu o reconhecimento de seu direito de manter um programa nuclear pacífico, ressaltando que a questão do enriquecimento de urânio é um ponto central nos diálogos. Enquanto o Irã busca a continuidade de seu programa, os EUA exigem não apenas a interrupção do programa militar de Teerã, mas também a transferência do urânio enriquecido para fora do país.

Outras exigências do Irã incluem a liberação de ativos e bens iranianos, o fim de todas as sanções unilaterais e das resoluções do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), além da retirada de tropas americanas da região circundante ao Irã.

As informações sobre as exigências foram apresentadas a uma comissão do Parlamento iraniano pelo vice-ministro das Relações Exteriores para Assuntos Jurídicos e Internacionais, Kazem Gharibabadi.

No mesmo dia, Ismail Baghaei, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, declarou que as demandas expostas por Teerã são “claras”. Ele enfatizou que o desbloqueio dos ativos iranianos deve ser considerado um direito legítimo do país, e não um favor concedido pela outra parte. Baghaei ainda comentou que os ativos têm sido injustamente retidos por diversos anos em bancos, o que impede o acesso dos iranianos a esses recursos.

O porta-voz também frisou que as negociações são um “processo contínuo” e, apesar da afirmação de Washington que rejeitou a proposta recente, o Irã recebeu através do Paquistão um conjunto de observações e sugestões de ajustes provenientes dos americanos.

Fonte:: estadao.com.br

Advertisements
Compartilhe este artigo