Título: Drama marca visita de Trump à cúpula da Otan em Ancara
CONTEÚDO ORIGINAL:
Na terça-feira, 7, o presidente Donald Trump chegou a Ancara, Turquia, recebendo uma recepção grandiosa que lembrou a visita do Papa ao país no final do ano passado. O presidente turco Recep Tayyip Erdogan estava na pista de pouso para receber Trump, acompanhado por soldados a cavalo, enquanto uma banda tocava o hino nacional americano e canhões disparavam. Essa homenagem não foi feita a outros líderes internacionais que também chegaram para a cúpula da Otan.
Assim que Trump desembarcou do avião, presenteado pelo Catar, o foco da cúpula naturalmente se voltou para ele. “Ele monopoliza toda a atenção dos outros”, comentou o senador Mike Rounds, do Dakota do Sul, durante uma recepção à margem do evento. “Ele é uma figura imponente aqui.”
O estilo de governo de Trump trouxe mais uma vez um ar de drama ao cenário internacional. Antes mesmo de sua chegada, ele já estava gerando controvérsia com suas declarações. No mês passado, Trump afirmou que faria a longa viagem apenas porque a cúpula era organizada por seu amigo, Erdogan.
Recentemente, também pediu ao presidente da FIFA, Gianni Infantino, que revisasse um cartão vermelho aplicado ao jogador Folarin Balogun durante a Copa do Mundo. O artilheiro, que acabou reintegrado ao time para o jogo contra a Bélgica, viu a vitória dos belgas sobre os americanos por 4 a 1, o que gerou desapontamento na equipe e no público americano.
A tensão em torno da visita foi ainda mais acentuada pela polêmica com a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, anteriormente uma aliada de Trump. O presidente dos EUA criticou-a por não permitir que a Itália se envolvesse na guerra contra o Irã, chamando a atenção da imprensa italiana, que estampou manchetes como “TRUMP È UN COGLIONE”, em referência às suas declarações.
O ponto alto da disputa ocorreu quando Trump publicou uma foto manipulada de Meloni com uma legenda provocativa, insinuando que seria necessária uma “ordem de restrição”. Essa nova controvérsia trouxe mais atenção ao seu papel na cúpula da Otan.
Ao se encontrar com Erdogan em uma reunião bilateral após sua chegada, Trump não poupou críticas a vários líderes europeus. Ele mencionou planos para a Groenlândia, reclamou da falta de apoio à sua política no Irã e fez comentários sobre como a Europa estava em melhor situação há duas décadas. Em meio a isso, descreveu sua troca de farpas com Meloni como algo quase divertido, afirmando: “Acho que ela é uma pessoa legal”.
A conduta de Trump gerou desconforto para seus apoiadores em Ancara, que, mesmo reconhecendo os resultados obtidos, nem sempre concordam com a forma como ele os alcança. O senador Rounds comentou sobre o episódio da “ordem de restrição” e evitou se posicionar sobre as palavras de Trump, observando que sempre vê as ações do presidente.
Durante um evento formal realizado pelo Atlantic Council, que aconteceu no Palácio de Ancara, onde o álcool é proibido, o fluxo de discussões entre diplomatas americanos, europeus e turcos inevitavelmente incluía a figura do presidente americano. Jenna Ben-Yehuda, do Atlantic Council, fez um discurso destacando a necessidade de conversas difíceis entre aliados, sublinhando os desafios antes da cúpula.
A senadora democrata Jeanne Shaheen, de New Hampshire, ressaltou a importância da cúpula para reassegurar aos aliados europeus que, mesmo com os dramas gerados por Trump, o Congresso dos EUA continua a apoiar a Otan. Aproveitou para relembrar que a separação entre os poderes é fundamental, buscando garantir que ações unilaterais de Trump não direcionem os rumos da aliança. “No 250º aniversário dos Estados Unidos, vale lembrar que os colonos queriam um governo governado pelo povo e não um rei”, concluiu a senadora, que se aposentará após seu mandato.
Fonte:: estadao.com.br




