CNJ e CNMP aprovam resolução para regulamentar penduricalhos de juízes e membros do MP

Redação Rádio Plug
Foto: © Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) aprovaram, nesta quinta-feira (9), uma nova resolução conjunta que regulamenta os pagamentos de penduricalhos a juízes e membros do Ministério Público. Essa ação segue uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), que, no último mês, estabeleceu limites para esses benefícios concedidos a servidores públicos, garantindo que, somados aos salários, não excedam o teto remuneratório constitucional de R$ 46,3 mil.

O STF havia determinado que os auxílios-moradia, natalidade e creche fossem extintos, com o objetivo de regularizar a situação referente aos penduricalhos. Entretanto, a nova resolução do CNJ e CNMP aprovou o pagamento do auxílio-moradia, além de uma gratificação relacionada à proteção da primeira infância e à maternidade, decisões que contrariam parcialmente as orientações do tribunal.

Detalhes da Resolução

A resolução conjunta também valida autorizações para pagamento de licenças remuneratórias destinadas a cursos no exterior, assim como gratificações por encargos relacionados a cursos ou concursos, que foram concedidas até o dia 30 de março, data em que a ata do julgamento do STF foi divulgada. Contudo, esses dois benefícios também deveriam ter sido cortados de acordo com a decisão da Corte.

Decisão do STF

No dia 25 de março, em uma decisão unânime, os ministros do STF decidiram que as indenizações adicionais, gratificações e auxílios deveriam ser limitados a 35% do salário dos ministros do STF, que serve como teto referência. Com essa limitação, os juízes, promotores e procuradores poderão receber pelo menos R$ 62,5 mil mensais, considerando o teto e R$ 16,2 mil em penduricalhos. No final da carreira, esse salário pode chegar a R$ 78,8 mil, com o pagamento do auxílio por tempo de serviço (ATS), que também está limitado a 35% do valor do teto.

Condições para o Auxílio-Moradia

O CNJ esclareceu que o auxílio-moradia será disponibilizado apenas para magistrados que ocupam cargos de assessoramento em tribunais e que não estão em suas lotações originais. Segundo o conselho, a gratificação de proteção à primeira infância para juízes e membros do MP visa promover igualdade material e oferecer proteção social às mulheres, que ainda enfrentam desigualdades salariais em sua atuação profissional.

Contexto e Implicações

A regulamentação dos penduricalhos se insere em um debate mais amplo sobre os altos salários de servidores públicos, incluindo magistrados e membros do Ministério Público. A busca por um equilíbrio entre a remuneração justa e a necessidade de controlar os gastos públicos tem sido uma pauta constante no Brasil, especialmente em tempos de contenção orçamentária.

A decisão do STF e as aprovações recentes do CNJ e CNMP poderão impactar diversas categorias de servidores e provocar discussões acaloradas entre defensores da manutenção dos benefícios e críticos que apontam para a necessidade de uma reforma que reduza os custos com a folha de pagamento do Estado. Além das questões salariais, a questão da igualdade de gênero no ambiente de trabalho e as medidas que visam proteger a maternidade e a infância também são fundamentais para um debate mais justo e representativo.

Fonte:: agenciabrasil.ebc.com.br

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