A corrida eleitoral no estado ganhou novos contornos na noite da última terça-feira (29 de setembro), quando os principais candidatos ao governo do Paraná se encontraram para o primeiro debate televisivo da temporada, promovido pela RPC faltando apenas cinco dias para o primeiro turno. O evento foi marcado por um clima tenso, repleto de confrontos verbais e acusações mútuas entre os concorrentes Requião Filho (PDT), Sandro Alex (PSD) e Sergio Moro (PL), com destaque especial para os embates mais acalorados entre o representante do PSD e o candidato do PL.
A estrutura do programa dividiu-se em quatro etapas: nos três primeiros blocos, os postulantes ao cargo máximo do Executivo estadual formularam perguntas uns aos outros com temas livres, propiciando confrontos diretos, enquanto o último bloco foi reservado para as considerações finais.
Logo na abertura, o tom da noite se elevou quando Sergio Moro direcionou críticas a Sandro Alex, responsabilizando-o pelo que classificou como o tom agressivo e de baixo nível adotado na campanha até o momento.
“De um lado, os amigos do Lula, PT e PDT. E do outro lado, os aliados do Lula, PSD e MDB. Do meu lado, temos uma clareza. Moro 22, e Flávio Bolsonaro 22 para presidente da República”, declarou Moro, que em seguida fez um desafio ao adversário: “Eu não falo o nome do Lula, e você não fala o nome do Ratinho Junior. Você topa?”
A resposta de Sandro Alex veio na mesma moeda, relembrando articulações políticas passadas. O candidato do PSD afirmou que Moro tentou integrar a chapa de Rafael Greca (MDB), mas acabou preterido. Além disso, o adversário o acusou de traições políticas em relação a Flávio Bolsonaro e de tentar manobras contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Sandro Alex também alegou que Moro teria apoiado a indicação de Flávio Dino para uma cadeira no Supremo Tribunal Federal, informação veementemente negada pelo ex-juiz. “Traiu Bolsonaro duas vezes, abandonou o ministério [da Segurança Pública] e agora quer abandonar o Senado”, disparou o político do PSD.
Observando a discussão com ironia, Requião Filho classificou o momento como um “ringue divertidíssimo” antes de mudar o foco para a área da Educação em sua interação com Sandro Alex. Aproveitando-se de um momento em que o oponente perdeu o fio da meada durante a explanação, o pedetista não perdoou: “Tudo bem, Sandro. Você anda meio nervoso, tá mal nas pesquisas, esquecendo das coisas”, alfinetou.
O confronto entre Requião e Moro teve como ponto de partida as diretrizes para o combate à violência contra a mulher. Enquanto Moro apresentou como promessa a criação de um presídio estadual de segurança máxima voltado exclusivamente para reclusos por feminicídio, classificando a medida como um recado duro contra a criminalidade violenta, o candidato do PDT rebateu trazendo à tona declarações polêmicas do clã Bolsonaro sobre o público feminino e o voto das mulheres.
Acusações escalam e tom político esquenta no segundo bloco
Na segunda etapa do encontro, Requião retomou o histórico político de Moro, questionando antigas críticas que o ex-magistrado fizera a Jair e Flávio Bolsonaro, além de apontar a presença de Valdemar da Costa Neto na presidência nacional do PL. Em resposta, o representante do PL mencionou o nome de Carlos Lupi, líder do PDT e ex-ministro da Previdência Social, lembrando sua saída da pasta após escândalos envolvendo descontos indevidos e fraudes em benefícios de aposentados do INSS.
O candidato do PL ainda tentou associar opositores a investigações envolvendo familiares do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A retórica foi prontamente respondida por Requião, que argumentou que Lula não utilizou a máquina pública para interferir na Polícia Federal em defesa de parentes, diferentemente das acusações que o próprio Moro fizera no passado contra Jair Bolsonaro em relação a investigações de seus filhos.
Em novo bloco de perguntas entre Sandro Alex e Sergio Moro, o debate sobre alinhamentos ideológicos voltou à tona com insistência nas acusações sobre o suposto voto de Moro favorável a Flávio Dino, o que gerou nova negativa e uma discussão acirrada sobre quem seria o verdadeiro representante do bolsonarismo no pleito.
O debate também resgatou denúncias de irregularidades administrativas. Moro acusou Sandro Alex de direcionar recursos para pavimentação de uma rodovia municipal visando beneficiar o Tayayá Resort, empreendimento que ele associou ao ministro do STF Dias Toffoli. Em contrapartida, o candidato do PSD levantou suspeitas antigas envolvendo um tio de Requião no Porto de Paranaguá e questionou o recebimento de pensão especial pelo ex-governador Roberto Requião, prometendo uma cruzada contra privilégios no setor público paranaense.
Banco Master e Copel entram no radar das discussões
A reta final dos confrontos diretos colocou em pauta temas econômicos e estruturais do estado. Sandro Alex e Sergio Moro iniciaram o bloco debatendo os desdobramentos de resoluções financeiras ligadas ao Banco Master.
Moro questionou o adversário a respeito da Resolução 12.057, editada em 2021, que viabilizou a operação do CredCesta no Paraná, cobrando explicações sobre a atuação da instituição financeira e de seus gestores no estado. Sandro Alex retrucou sugerindo que o questionamento fosse direcionado a aliados do próprio grupo de Moro: “Você deve perguntar para o seu colega de chapa, Filipe Barros”, alfinetou, citando o candidato ao Senado que apresentou uma proposição na Câmara dos Deputados para elevar o teto do Fundo Garantidor de Crédito de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, medida que ganhou repercussão semelhante à chamada emenda Master, formulada anteriormente pelo senador Ciro Nogueira (PP).
Por fim, Moro e Requião Filho direcionaram as atenções para as empresas de economia mista do estado, a Companhia Paranaense de Energia (Copel) e a Sanepar. Ambos convergiram nas críticas ao processo de privatização da Copel, adotando um tom propositivo e menos confrontoso nos minutos finais, o que permitiu aos candidatos expor suas plataformas de governo de maneira mais aprofundada antes das considerações finais.
Fonte:: bemparana.com.br


