Dia de campo em Londrina valida novas cultivares de mandioca com agricultores

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Idrparana.pr.gov.br

Pesquisa participativa do IDR-Paraná reúne produtores do Assentamento Eli Vive I para avaliar clones experimentais e cultivares comerciais de mandioca de mesa sob condições reais de cultivo.

Agricultores familiares da região de Londrina participaram, na última sexta-feira (26), de um dia de campo promovido pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná — Iapar-Emater) no Assentamento Eli Vive I. O evento teve como principal finalidade apresentar os resultados obtidos na avaliação de diferentes clones e cultivares de mandioca de mesa, analisados diretamente sob condições reais de manejo e solo da agricultura familiar local.

A iniciativa congregou cerca de 40 pessoas, entre produtores rurais, técnicos agrícolas e pesquisadores. Durante a programação, plantas inteiras, incluindo as raízes, foram dispostas estrategicamente em frente a cada parcela experimental. Essa metodologia facilitou a comparação visual imediata do potencial produtivo, do vigor e das características agronômicas de cada material avaliado pelos participantes.

O pesquisador Wilmar Ferreira Lima, do IDR-Paraná, ressaltou a relevância dessa abordagem integrada. Segundo ele, o teste em propriedades rurais atua como um complemento fundamental aos ensaios tradicionais de laboratório e estações experimentais. “A avaliação em propriedades complementa os ensaios experimentais porque mostra o desempenho dos materiais nas condições reais enfrentadas pelos agricultores. Esse retorno é importante para orientar a seleção dos clones mais promissores”, pontuou.

Metodologia de pesquisa participativa

Estruturado há dois anos, o projeto adota um modelo colaborativo que envolve diretamente pesquisadores, extensionistas e agricultores locais. Em cada ciclo de cultivo, uma família agricultora do assentamento cede uma área de sua terra para abrigar uma unidade demonstrativa. Nesses espaços, materiais genéticos recém-desenvolvidos pelo IDR-Paraná são plantados lado a lado com as variedades tradicionais já consagradas e utilizadas pelos produtores da região.

O manejo de toda a lavoura experimental fica inteiramente a cargo do próprio agricultor anfitrião, que aplica as mesmas técnicas culturais e fitossanitárias já rotineiras em sua atividade diária. Ao longo de todo o ciclo vegetativo, equipes técnicas monitoram parâmetros cruciais como taxa de germinação, desenvolvimento estrutural das plantas, incidência de pragas e doenças, índice de produtividade e, fundamentalmente, a qualidade culinária e industrial das raízes colhidas. Esses indicadores fornecem a base técnica necessária para a recomendação segura de novas cultivares.

Na safra avaliada, a unidade demonstrativa foi instalada na propriedade do casal Salete Foscarini Dias e Juvecir Dias, onde foram implantados nove clones experimentais e quatro cultivares comerciais a partir de setembro de 2025.

O extensionista do IDR-Paraná, Paulo Roberto Mirtvi, enfatizou o protagonismo do produtor nesse processo. “É o produtor quem acompanha todo o desenvolvimento da cultura e participa da escolha das cultivares que mais atendem às suas necessidades”, declarou.

Palestras técnicas e agregação de valor

Além da visita técnica às parcelas demonstrativas, a agenda do evento contemplou palestras formativas focadas em práticas de conservação do solo e dos recursos hídricos voltadas à cultura da mandioca. Os participantes também receberam instruções detalhadas sobre processos de agroindustrialização, exigências da legislação vigente e diretrizes para a fabricação segura de derivados da raiz.

Entre os presentes estava o produtor Valdecir Cabrera, morador do distrito do Limoeiro e responsável pelo processamento de cerca de duas toneladas semanais de mandioca. Participando da atividade pela segunda vez, ele destacou a utilidade prática da iniciativa para o seu negócio. “Gosto de participar porque este evento mostra, na prática, os clones e as cultivares. Assim podemos comparar e escolher aqueles que apresentam melhor potencial para nossa produção”, afirmou.

Ao término das atividades do dia de campo, a área demonstrativa foi convertida em um banco permanente de multiplicação de ramas. Essa estrutura assegura que o agricultor anfitrião possa ceder material propagativo de alta qualidade genética a outros produtores da região que manifestem interesse em adotar os novos clones e cultivares testados.

Cenário da cadeia produtiva local

No município de Londrina, a cadeia da mandioca é predominantemente impulsionada pela agricultura familiar, ocupando uma área aproximada de 850 hectares voltados ao abastecimento do mercado regional. Os índices médios de produtividade na zona rural variam de 18 a 20 toneladas por hectare.

O portfólio de cultivares recomendadas para a região conta com opções de alto desempenho agronômico, com destaque para a IPR Upira — cultivar desenvolvida pelo próprio IDR-Paraná, reconhecida pela coloração amarela intensa da polpa e pelos elevados teores de betacaroteno —, além de materiais tradicionais desenvolvidos pela Embrapa, como as cultivares BRS 429, BRS 396 e BRS 399.

Fonte:: idrparana.pr.gov.br

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