Entidades acionam órgãos de controle contra óculos inteligentes da Meta por privacidade

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Foto: Convergência Digital Mande um e-mail

Organizações de defesa dos direitos digitais e dos consumidores tomaram medidas oficiais nesta quinta-feira para questionar a circulação de um dos dispositivos tecnológicos mais comentados da atualidade no mercado nacional. O Instituto de Defesa de Consumidores (Idec) e a entidade Coding Rights formalizaram pedidos perante a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), a Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e o Ministério Público Federal (MPF) com o objetivo de instaurar apurações sobre a comercialização dos óculos inteligentes conhecidos como Ray-Ban Meta.

De acordo com os argumentos apresentados pelas instituições nos ofícios protocolados, o acessório tecnológico carrega potenciais ameaças significativas à privacidade da população. As entidades sustentam que o funcionamento do equipamento pode entrar em conflito direto com as diretrizes estabelecidas pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), além de desrespeitar normas fundamentais previstas no Código de Defesa do Consumidor (CDC).

A solicitação conjunta encaminhada aos três órgãos públicos enfatiza a necessidade de uma atuação integrada e coordenada. O propósito central dessa fiscalização conjunta é averiguar se o artigo importado e comercializado cumpre integralmente o ordenamento jurídico brasileiro. Para os signatários do documento, é imprescindível avaliar se a fabricante implementou salvaguardas robustas capazes de resguardar não apenas o comprador direto do produto, mas também qualquer cidadão que venha a ser filmado ou fotografado em espaços públicos ou privados sem o seu consentimento prévio.

Tecnologia integrada e os riscos para quem está ao redor

Os óculos inteligentes fruto da parceria entre a gigante da tecnologia e a tradicional marca de óculos chegaram oficialmente ao território brasileiro em setembro de 2025. O modelo chama a atenção do mercado por incorporar discretamente recursos avançados de hardware, incluindo pequenas câmeras embutidas na armação, microfones direcionais e alto-falantes integrados nas hastes.

Muito além de executar tarefas convencionais, o dispositivo multifuncional é capaz de realizar registros fotográficos, capturar sequências em vídeo de alta qualidade e gravar áudios do ambiente. A lista de funcionalidades inclui ainda a facilidade para atender chamadas telefônicas, realizar transmissões ao vivo diretamente para plataformas de redes sociais e interagir com ferramentas de inteligência artificial generativa. Entre os recursos de IA mais destacados estão a tradução simultânea de idiomas e a capacidade de fornecer descrições e respostas baseadas no que a câmera está enxergando no campo de visão do usuário.

Apesar do apelo inovador e da conveniência tecnológica, o Idec e a Coding Rights apontam que o ponto mais crítico da controvérsia reside na discrição do design. O grande problema levantado pelas organizações não é a mera existência de uma câmera portátil, mas sim a deficiência nos avisos visuais que permitam a terceiros identificar de maneira imediata que estão sendo filmados ou monitorados por outra pessoa.

Tratamento de dados e inteligência artificial

Outro aspecto de profunda preocupação detalhado no documento enviado aos órgãos de controle diz respeito ao destino final das informações capturadas pelas lentes e microfones do acessório. As entidades alertam para o fluxo de dados pessoais recolhidos durante o uso cotidiano do equipamento.

Conforme apontam as organizações no ofício, todo o material audiovisual e sonoro obtido através dos comandos dos óculos pode ser direcionado para os servidores da empresa desenvolvedora. Uma vez armazenadas, essas informações correm o risco de ser empregadas no aprimoramento e treinamento de algoritmos e sistemas proprietários de inteligência artificial, gerando um cenário em que cidadãos comuns acabam contribuindo involuntariamente para o desenvolvimento tecnológico de corporações multinacionais sem que haja transparência ou consentimento explícito.

Fonte:: convergenciadigital.com.br

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