Na noite de quinta-feira (11), o Governo do Estado do Paraná divulgou o anteprojeto de engenharia que inclui intervenções destinadas a mitigar os impactos das cheias do Rio Iguaçu. O valor estimado para a implementação dessas ações é de R$ 1,3 bilhão, abrangendo um total de 20 intervenções planejadas. As melhorias incluem aumentos na capacidade de escoamento por meio de escavações, retificações e dragagens.
A apresentação ocorreu durante uma audiência pública no Cineteatro Luz, localizado em União da Vitória, reunindo aproximadamente 400 participantes. Os estudos que fundamentam as propostas foram realizados pela Universidade Livre do Meio Ambiente (Unilivre), contratada pelo Paraná Projetos em resposta a uma solicitação do Instituto Água e Terra (IAT), uma autarquia subordinada à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest). O investimento nesta fase inicial dos estudos totalizou R$ 5 milhões.
O secretário estadual do Desenvolvimento Sustentável, Everton Souza, destacou a importância do anteprojeto, afirmando que é a primeira proposta concreta para lidar com as cheias do Rio Iguaçu na história. “É um projeto robusto, com dimensionamento, valoração e cronograma, que nos permitirá buscar os recursos necessários para executar as intervenções de forma gradual”, enfatizou.
Souza ainda observou que todos os estudos disponíveis foram considerados para a formulação do modelo atual, o qual passou por simulações que verificaram a eficácia das ações propostas. A proposta da Unilivre consiste em uma série de soluções que envolvem a escavação do leito do rio, intervenções no leito da corredeira de Porto Vitória, alargamentos de curvas, além da construção de canais, túneis (nas áreas do Morro da Dona Mercedes e de Porto Vitória) e diques de proteção nas áreas urbanas.
Conforme indicado pelos pesquisadores da Unilivre, a combinação dessas intervenções pode resultar em uma diminuição de até 2,70 metros no nível das cheias na região do Vale do Iguaçu. A execução das obras está prevista para um prazo de 48 meses. O financiamento será realizado através do modelo de contratação integrada (RDCi), no qual a empresa vencedora não apenas desenvolverá os projetos (básico e executivo), mas também realizará a obra física, o que pode acelerar todo o processo. Há a expectativa de que o processo licitatório ocorra nos próximos meses.
O deputado estadual Hussein Bakri, líder do Governo na Assembleia Legislativa, reafirmou o compromisso do Estado com União da Vitória e o Vale do Iguaçu, reconhecendo os danos e o sofrimento que as enchentes têm causado às famílias na região por décadas. “Estamos empenhados em viabilizar os estudos necessários e, com o anteprojeto finalizado, vamos avançar na busca de recursos para transformar essa proposta em realidade”, assegurou Bakri.
Além disso, o Governo do Estado pretende buscar financiamentos que podem vir do Tesouro Estadual, parcerias com a Assembleia Legislativa, indenizações ambientais ou até mesmo recursos do governo federal, dado que as cheias representam uma questão que afeta tanto o Paraná quanto Santa Catarina.
José Luiz Scroccaro, diretor de Saneamento Ambiental e Recursos Hídricos do IAT, também destacou que este é um momento histórico para o Paraná, ressaltando os muitos esforços despendidos para chegar a uma proposta que possa beneficiar milhares de paranaenses afetados pelas enchentes. Scroccaro foi homenageado durante a audiência por sua contribuição ao meio ambiente ao longo de mais de 50 anos de carreira pública.
Histórico das Cheias no Iguaçu
Desde a década de 1970, há discussões sobre ações para reduzir os impactos das cheias do Rio Iguaçu em União da Vitória. Foram quase 20 estudos realizados ao longo dos anos, mas nenhum deles foi concretizado. Nos últimos 50 anos, a cidade enfrentou ao menos quatro grandes inundação, sendo a mais severa registrada em 1983, quando o nível do rio atingiu 10,42 metros, em comparação ao nível normal de 2,5 metros. Situações como essa se repetiram em 1992 e 2014.
Mais recentemente, em outubro de 2023, ocorreu a segunda pior cheia na história local, com o rio alcançando 8,38 metros. Essa situação resultou em alagamentos que afetaram cerca de 40% da área do município e danificaram aproximadamente 20 mil residências. A cidade vizinha de Porto União, em Santa Catarina, também enfrentou dificuldades com as cheias, levando à desocupação de moradores.
Fonte:: iat.pr.gov.br




