A Agroicone, consultoria especializada no setor agrícola, apresentou uma análise sobre o Plano Safra 2026/27, destacando que o que foi elaborado reflete as limitações impostas pela alta taxa Selic, o endividamento significativo dos produtores e um aumento na inadimplência. A sócia-gerente da consultoria, Leila Harfuch, divulgou os resultados em um evento realizado em São Paulo no dia 1º de julho. Embora tenha ocorrido um aumento de 1,7% nos recursos destinados à agricultura empresarial, a análise revelou fragilidades na estrutura do programa.
De acordo com Leila Harfuch, o novo plano destina R$ 525,1 bilhões para financiamentos voltados a médios e grandes produtores, entretanto, apresenta uma diminuição nos recursos disponíveis para custeio em comparação ao ciclo anterior. A especialista observou que o aumento de verbas para investimentos está basicamente concentrado em programas diferentes das tradicionais opções de financiamento, como o EcoInvest e operações realizadas através da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).
Na perspectiva da Agroicone, apenas o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) apresentou um incremento nas linhas tradicionais, com uma alta de 5% em relação à safra passada. Apesar da recente redução nas taxas de juros, que oscilaram entre 0,5 e 1,5 ponto porcentual, e do aumento na subvenção econômica, o custo do crédito ainda se mantém alto para os agricultores.
A consultoria também associou o acesso ao crédito à crescente situação de endividamento e inadimplência dos produtores. Harfuch apontou que houve uma redução de aproximadamente 20% no montante liberado para custeio e investimentos na safra de 2025/26, abrangendo todos os tipos de produtores.
Outro aspecto relevante mencionado foi o seguro rural. Conforme Harfuch, a diminuição da subvenção oferece menos suporte, o que resulta em uma área segurada menor e um aumento da exposição do setor a riscos relacionados a mudanças climáticas. Assim, os produtores iniciarão a nova safra com um respaldo reduzido em ferramentas de gestão de riscos.
No que diz respeito às iniciativas ligadas à sustentabilidade, a Agroicone destacou uma queda de 24% no volume do RenovAgro e uma redução de 14% nos recursos disponíveis para a recuperação de áreas degradadas, totalizando R$ 1,8 bilhão. Harfuch ainda mencionou que o segundo leilão do EcoInvest deve movimentar mais de R$ 30 bilhões, mas há preocupações de que isso beneficie predominantemente projetos de grande porte, tornando o acesso mais difícil para os médios produtores.
Para a Agroicone, o próximo passo nas políticas agrícolas deve ser a integração entre crédito, seguro rural, sustentabilidade e gestão de riscos. Harfuch ressaltou que o modelo atual das linhas de crédito e taxas ainda não é suficiente para aliviar a pressão financeira enfrentada pelos produtores e para apoiar a transição para sistemas mais resilientes e adaptados às exigências atuais.
Fonte: Estadão Conteúdo
Fonte:: canalrural.com.br




