Governo do Paraná repassa mil celulares para projeto de alfabetização da Uel

Redação Rádio Plug
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Foto: Divulgação / Seti.pr.gov.br

O Governo do Estado do Paraná realizou a entrega de mil aparelhos celulares para a Universidade Estadual de Londrina (Uel), em uma ação articulada pela Secretaria de Estado da Inovação e Inteligência Artificial (Seia-pr). A iniciativa tem como finalidade principal fortalecer e expandir o Projeto Kalulu, uma metodologia inovadora que fundamenta suas práticas em princípios de neurociência e psicologia cognitiva para otimizar o ensino da leitura em instituições da rede pública de ensino.

Com a chegada dos novos dispositivos, os equipamentos serão devidamente configurados para abrigar o aplicativo educacional do projeto. Essa ferramenta digital será empregada diretamente por crianças matriculadas nas redes municipais que integram a iniciativa, proporcionando um suporte tecnológico e lúdico para o aprendizado nos primeiros anos escolares.

Expansão para novos municípios paranaenses

A nova etapa de distribuição dos celulares reflete o crescimento expressivo do programa no estado. Iniciado em 2025 na cidade de Cambé, o projeto ampliou sua atuação para abranger mais nove municípios paranaenses. A execução da proposta envolve uma rede de cooperação científica de alto nível, reunindo especialistas e pesquisadores da própria Uel, da Universidade Federal do ABC (Ufabc) e do renomado Collège de France.

Essa colaboração internacional possui forte ligação com os estudos do neurocientista francês Stanislas Dehaene, amplamente reconhecido internacionalmente por suas pesquisas aprofundadas sobre os mecanismos cerebrais relacionados ao aprendizado da leitura e da escrita.

A participação da Secretaria de Inovação reforça o compromisso da gestão estadual em conectar o avanço tecnológico à resolução de demandas sociais prioritárias. De acordo com o secretário da pasta, Marcos Stamm, a iniciativa ilustra de maneira prática a relevância de traduzir investigações científicas em melhorias tangíveis para a população.

“A inovação também acontece quando conseguimos transformar o conhecimento científico em soluções que melhoram a vida das pessoas. O Kalulu é apenas um dos muitos exemplos de como a pesquisa e a inovação podem gerar impactos concretos na sociedade”, destacou o gestor.

Metodologia baseada em evidências científicas

O cerne do Projeto Kalulu consiste em transpor descobertas da ciência sobre o desenvolvimento cognitivo infantil para o cotidiano das salas de aula, oferecendo suporte tanto para o corpo docente quanto para os discentes. A estrutura metodológica integra recursos didáticos tradicionais, softwares educativos, capacitação continuada para os professores e monitoramento constante do progresso de alfabetização.

Para a professora Carla Cristiane da Silva, docente e pesquisadora da Uel que atua na coordenação da iniciativa, estreitar os laços entre a investigação acadêmica e a prática pedagógica diária é um passo indispensável para superar os desafios históricos da alfabetização infantil no país.

“Com o uso de ferramentas lúdicas e uma metodologia estruturada, buscamos apoiar professores e oferecer às crianças condições mais adequadas para desenvolver as habilidades de leitura”, pontuou a pesquisadora.

Resultados práticos na rede pública

Durante a fase inicial implementada em Cambé, o projeto alcançou 17 escolas da rede municipal, beneficiando aproximadamente 1.300 alunos matriculados no primeiro ano do Ensino Fundamental. O impacto pedagógico foi mensurado por meio de um rigoroso estudo controlado e randomizado, que comparou o desempenho das turmias inseridas na metodologia com aquelas que seguiram o modelo educacional convencional.

Os dados coletados ao término do período letivo demonstraram um avanço significativo: 58% dos estudantes que utilizaram o aplicativo Kalulu atingiram a marca de leitura superior a cinco palavras por minuto. Em contrapartida, o índice registrado no grupo de controle, que manteve apenas as práticas tradicionais, foi de 45%.

O sucesso e a eficácia comprovada dessa fase piloto motivaram a ampliação do programa para o ano de 2026, viabilizada pelo aporte financeiro e estrutural da Seia-pr, que garantiu a aquisição e o repasse dos terminais móveis necessários para a execução digital das atividades pedagógicas.

Fonte:: seti.pr.gov.br

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