O impacto acumulado de sete semanas de conflito no Oriente Médio começará a ser sentido em breve, com a divulgação de uma nova série de pesquisas sobre a atividade empresarial em diversos países. As expectativas sobre como a guerra entre Irã e EUA afetará tanto o crescimento quanto a inflação são o foco central das análises econômicas.
A previsão é que as leituras preliminares para o mês de abril, que abrangem economias que vão da Austrália aos Estados Unidos, sejam divulgadas na próxima quinta-feira. As projeções indicam que a Alemanha, França, zona do euro e Reino Unido poderão apresentar uma deterioração mais significativa nos índices de gerentes de compras (PMIs), enquanto os dados dos Estados Unidos devem permanecer relativamente estáveis.
Por sua vez, a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, alertou sobre os danos que a guerra pode ter causado à economia, destacando que mesmo uma possível solução do conflito não resultaria em uma recuperação imediata. “Mesmo que a guerra acabe amanhã, levaria um bom tempo até que a recuperação ganhasse tração. O impacto já está embutido”, afirmou durante uma entrevista.
O termo “estagflação”, que se refere à combinação de inflação elevada e baixo crescimento econômico, voltou à tona nos debates econômicos, especialmente após Chris Williamson, economista-chefe da S&P Global, mencionar o risco dessa condição no mês passado. Como o cenário atual se desenvolve, essa questão se torna cada vez mais relevante para as análises econômicas.
A recente onda de pessimismo em Washington foi acentuada por mensagens do FMI, que apresentou uma variedade de cenários econômicos, incluindo a possibilidade de uma recessão global. O impacto nos mercados de energia e a contínua tensão na região do Oriente Médio são fatores que contribuem para esse clima de incerteza.
Enquanto isso, formuladores de políticas econômicas permanecem cautelosos em relação às suas respostas. Philip Lane, economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), comentou sobre a importância das próximas pesquisas e como os dados coletados podem influenciar a tomada de decisões sobre a taxa de juros. “Teremos um conjunto rico de dados de pesquisa. As pessoas que respondem a essas pesquisas estão olhando para o mesmo mundo que nós”, enfatizou.
Na próxima quinta-feira, o BCE também divulgará dados sobre a confiança empresarial na França, e na sexta-feira será o turno do índice de clima de negócios Ifo, um indicador amplamente monitorado na Alemanha. Ao mesmo tempo, o Federal Reserve dos EUA se preparará para a liberação do índice de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan, que acrescentará mais contexto ao ambiente econômico.
Por outro lado, as análises mais abrangentes da economia global enfrentam seus próprios limites, conforme alertou Georgieva. “Todos nós precisamos aprender a operar em um ambiente de incerteza elevada e permanente”, disse. As tensões entre EUA e Irã continuam a dificultar a busca por uma solução duradoura, enquanto a dinâmica de confiança entre as nações permanece frágil.
Além disso, a análise da Bloomberg Economics sugere que, embora um acordo possa surgir para encerrar a atual fase de hostilidades, não há expectativas de que isso conduza à paz total. A presença constante de Israel nas negociações, que vê o Irã como uma ameaça, é uma das razões que tornam a situação ainda mais complicada.
As repercussões da guerra também estão sendo observadas em outras regiões, com uma possível aceleração da inflação afetando países como Canadá, Reino Unido e África do Sul, enquanto decisões de juros estão sendo discutidas em nações como Turquia e Indonésia.
Fonte:: infomoney.com.br


