Inteligência artificial na advocacia serve como suporte e não substitui o profissional

Redação Rádio Plug
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Foto: Spacca

O avanço da inteligência artificial tem gerado transformações profundas no mercado jurídico brasileiro. Atualmente, os clientes chegam para a primeira consulta muito mais preparados, tendo recorrido a ferramentas tecnológicas de busca antes mesmo de falar com um especialista. Essa nova dinâmica, somada à velocidade exigida pelas plataformas digitais, intensifica a cobrança por entregas rápidas. Contudo, especialistas reforçam que, embora a tecnologia seja uma aliada bem-vinda para otimizar rotinas, ela não tem a capacidade de substituir o trabalho humano dos advogados.

Essa é a avaliação central de Antonio Carlos Aguiar, presidente do Sindicato das Sociedades de Advogados dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro (Sinsa) e sócio do escritório Peixoto & Cury Advogados. Spacca

Para debater essas mudanças, a entidade realizará em 21 de agosto o 7º Colóquio Sinsa, que trará como tema central “Sociedades de advogados em transformação: IA e gestão”. O evento acontecerá em formato híbrido, com painéis presenciais no auditório da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de São Paulo (Fecomércio-SP), situado na Avenida Rebouças, 3.377, na capital paulista. Os interessados em participar podem realizar a inscrição clicando aqui.

O papel da tecnologia e o fim das “commodities laborais”

Em entrevista recente, Aguiar destacou que a inteligência artificial deve ser encarada como um instrumento de suporte, cumprindo um papel semelhante ao da doutrina e da jurisprudência, porém com maior agilidade na pesquisa. Para o presidente do Sinsa, o receio de que a tecnologia provoque a extinção em massa de postos de trabalho na advocacia é infundido, desde que os profissionais compreendam os limites das ferramentas.

“A eliminação não será da advocacia, mas das commodities laborais derivadas de esteiras produtivas”, pontua o especialista, ressaltando que o trabalho estratégico, personalizado e fundamentado na relação de confiança com o cliente continuará sendo exclusivo do ser humano.

Segundo o advogado, a transformação digital afeta a profissão em quatro frentes principais:

  • O comportamento do cliente: O acesso facilitado à informação faz com que o contratante chegue ao escritório com argumentos pré-formados, exigindo do profissional um preparo ainda maior.
  • A velocidade e a produtividade: O volume de processos e a exigência por respostas rápidas tornam a IA um apoio logístico e informacional indispensável, desde que o profissional não transfira sua responsabilidade técnica para a máquina.
  • A impossibilidade de substituição total: Tarefas mecânicas e repetitivas podem ser automatizadas, mas a essência do aconselhamento jurídico e da estratégia processual permanece intransferível.
  • Controle e segurança: A controladoria digital, quando bem utilizada, eleva o padrão de excelência dos serviços prestados pelos escritórios.

Desafios éticos e gestão moderna

O uso indiscriminado de ferramentas tecnológicas também acende alertas importantes sobre a ética na advocacia. Entre os principais riscos apontados por Aguiar está a exposição inadequada de dados sigilosos de clientes em plataformas abertas que não contam com travas contratuais de segurança. Além disso, práticas maliciosas, como a tentativa de burlar sistemas de inteligência artificial de tribunais por meio de comandos ocultos em petições, devem ser combatidas e severamente punidas.

Diante desse cenário de forte conectividade, os escritórios precisam investir em conhecimento e transparência na gestão. Questionado sobre a formação acadêmica, o especialista defende que os cursos de Direito deveriam ampliar a grade curricular para incluir disciplinas voltadas à administração, contabilidade, técnicas de negociação, marketing digital e domínio de ferramentas tecnológicas.

Por fim, o presidente do Sinsa reforça que o crescimento das legaltechs e startups jurídicas não deve ameaçar a exclusividade da atividade advocatícia. Para ele, o foco principal da profissão permanece inalterado: a busca intransigente pela justiça, pautada sempre pela seriedade e pela ética constitucional.

Fonte:: conjur.com.br

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